quinta-feira, 28 de junho de 2007

"Pedro pedreiro, penseiro, esperando o trem..."

Desconheço quem seja, mas o texto fala por ele.

"Deu no Le Temps de sexta-feira: Eugenio Fernandez passou os últimos oito anos no fundo do poço, ou melhor, do buraco, escavando o túnel do Lötschberg, o terceiro maior do mundo. Foi o ápice da carreira do mineiro espanhol, que, nos 36 anos em que morou na Suíça, passou 34 debaixo da terra. Ele e sua equipe suportaram as condições desgastantes da obra graças à solidariedade e ao orgulho do trabalho bem feito. No fim, foi despedido. Nem pôde participar da festa de inauguração, pois nenhum dos trabalhadores foi convidado.

Lembra o "Pedreiro Valdemar", do samba composto por Wilson Batista e Roberto Martins, sucesso na voz do cantor Blecaute no carnaval de 1949:

Você conhece o pedreiro Valdemar?/ Não conhece/ Mas eu vou lhe apresentar/ De madrugada toma o trem da Circular/ Faz tanta casa e não tem casa pra morar.// Leva a marmita embrulhada no jornal/ Se tem almoço, nem sempre tem jantar/ O Valdemar, que é mestre no ofício,/ Constrói um edifício e depois não pode entrar.

Parece que, nem aí nem aqui, nem ontem nem hoje, nem Eugenio nem Valdemar estão perto de ver a luz no fim do túnel.

José Ignácio"

segunda-feira, 28 de maio de 2007

"A televisão me deixou burro, muito burro demais"

E-mail escrito por uma amiga, sobre a greve da USP.


Peço que repassem artigo em defesa das reivindicações estudantis, escrito pelo professor da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), cadeira de Latim, escreveu para a Folha, porém, foi vetado.
Ele explica, baseado na documentação oficial, quais foram os motivos pelos quais USP, UNESP e UNICAMP entraram recentemente em greve.
Creio que, ao contrário do que tem feito a mídia, este seja um relato bastante informativo a respeito da crise das universidades paulistas.
O artigo, convém ressaltar, foi vetado para publicação por parte de Uirá Machado, Coordenador de Artigos e Eventos Folha de S.Paulo
Att.,
Camile Tesche



Autonomia, Justiça, Ocupação e Certa Imprensa
Paulo Martins
Professor Doutor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP, Vice-coordenador da Pós-graduação em Letras Clássicas.



De acordo com dados oficiais e oficiosos, a Universidade de São Paulo responde por grande parte da pesquisa produzida no país (26.748 artigos publicados no Brasil e no exterior) e, seguramente, é ela também responsável por oferecer o melhor ensino de graduação ( 48.530 alunos) e de pós-graduação (25.007 alunos), alimentando, pois, o "famigerado mercado" com profissionais competentes. Além disso, poder-se-ia pensar em sua atuação junto à população como extensão de suas atividades que, muita vez, são essenciais principalmente aos cidadãos carentes de nosso "rico estado". Um bom exemplo: o atendimento feito no Hospital Universitário em 2006 a 255.597 pacientes em regime de urgência e 160.565 pacientes, no ambulatório[1] [1].

A quem, então, se deve a qualidade de ensino, pesquisa e extensão que leva, por exemplo, a Universidade de São Paulo a ser ranqueada pelo Institute of Higher Education da Universidade de Shangai (Academic Ranking of World Universities - 2006) como a melhor Universidade da América Latina ou a figurar entre as cento e cinqüenta melhores do mundo, ou ainda, de acordo com a Webometrics Ranking of World Universites como a primeira entre os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China)? A resposta é vasta, pois passa pela qualificação dos professores (dos 5.222, 96,3% têm titulação de doutor), pelas bibliotecas (39 com 6.907.777 volumes), pelos 47.866 alunos com acesso a microcomputadores. Mas pode ser resumida em uma só palavra "autonomia".

Essa, de acordo com o Dicionário Houaiss, entre outras possibilidades, é: "capacidade de se autogovernar; direito reconhecido a um país de se dirigir segundo suas próprias leis; soberania; faculdade que possui determinada instituição de traçar as normas de sua conduta, sem que sinta imposições restritivas de ordem estranha; direito de se administrar livremente; liberdade, independência moral ou intelectual. " Pois bem, a Constituição Brasileira, em seu artigo 207 (com acréscimos da Emenda Constitucional no. 11), estende o preceito às Instituições de Ensino Superior, propondo:



"As universidades gozam de autonomia didático-cientí fica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão."


Tal aplicação também ocorre na Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 254:

"A autonomia da universidade será exercida, respeitando, nos termos do seu estatuto, a necessária democratização do ensino e a responsabilidade pública da instituição, observados os seguintes princípios:

I - utilização dos recursos de forma a ampliar o atendimento à demanda social, tanto mediante cursos regulares, quanto atividades de extensão;

II - representação e participação de todos os segmentos da comunidade interna nos órgãos decisórios e na escolha de dirigentes, na forma de seus estatutos."



Foi, justamente, aplicando o conceito à administração didático-cientí fica e à gestão financeira, orçamentária e patrimonial que, a partir de 1988, a população brasileira observou um aumento significativo dos indicadores de produtividade das universidades ainda que restrições severas devam ser feitas à avaliação do desempenho universitário, tendo por base única e exclusiva os dados estatísticos, dada a diversidade e universalidade das atividades acadêmicas, que não podem e não devem ser avaliadas da mesma maneira sempre. Mesmo assim, vale ressaltar que a partir da promulgação da Constituição até 2006, por exemplo, a produção científica da UNICAMP aumentou 602% e o número de vagas de graduação e pós-graduação nas três Universidades sofreu um aumento inquestionável.

Por sua vez, 2007 assiste a uma agressão séria à justiça, princípio moral em nome do qual o direito deve ser respeitado, e ao Estado de Direito, dentro das Universidades Estaduais Paulistas, isto é, assiste a uma transgressão velada da Carta Magna do país e do estado. Sob o pretexto da transparência administrativa, o governo José Serra solapa, a uma só penada e ao arrepio da lei maior, uma conquista da comunidade acadêmica ao publicar "seus" decretos 51.535/07 (que dá nova redação ao artigo 42 do Decreto nº 51.461, de 1º de janeiro de 2007, que organiza a Secretaria de Ensino Superior.), 51.460/07 (que dispõe sobre as alterações de denominação e transferências que especifica, define a organização básica da Administração Direta e suas entidades vinculadas), 51.461/07 (que organiza a Secretaria de Ensino Superior), 51.636/07 (que firma normas para a execução orçamentária e financeira do exercício de 2007) e 51.660/07 (que institui a Comissão de Política Salarial).

Assim, esses decretos, sob o falso e mentiroso resguardo da autonomia, impedem a contratação de funcionários e professores; dispõem do patrimônio das Universidades; vinculam a dotação orçamentária a necessidades práticas e imediatas do mercado e não permitem a livre negociação salarial. Exemplo, propriamente dito, pode ser facilmente aferido num rápido exame de um dos artigos do decreto 51.471/07:



"Artigo 1º - Ficam vedadas a admissão ou contratação de pessoal no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta, incluindo as autarquias, inclusive as de regime especial, as fundações instituídas ou mantidas pelo Estado e associedades de economia mista.

(...)

§ 2º - O Governador do Estado poderá, excepcionalmente, autorizar a realização de concursos, bem como a admissão ou contratação de pessoal, mediante fundamentada justificação dos órgãos e das entidades referidas no "caput" deste artigo e aprovada:"



Vale dizer que as Universidades Estaduais Paulistas são Autarquias de Regime Especial e, portanto, como se pode observar, apenas o Senhor todo poderoso governador do Estado de São Paulo pode efetivamente contratar professores e funcionários para as Universidades. Bem, se essas não podem contratar quando bem lhe aprouver, então sua autonomia inexiste. Esta é apenas uma confirmação do quanto se mente quando se governa. Assim, o repúdio a tais decretos, acrescido de outras reivindicações não menos justas, associado a certa inabilidade política da dirigente máxima da USP, a reitora Professora Suely Vilela, provocaram a crise em que vive hoje a Universidade, que foi coroada com a ocupação das dependências da Reitoria da USP.

Ainda quanto aos decretos, eles soariam muito naturais, esperados e desejados se a sociedade, real proprietária e beneficiária das Universidades estaduais, de alguma forma, encontrasse nelas irregularidades que maculassem a probidade administrativa, ou ainda, não visse nelas um pólo de excelência que servisse de modelo para a educação fundamental e básica, esta sim mais do que vilipendiada pela administração direta de sucessivos governos estaduais, entre os quais aqueles a que se filiam os atuais mandatários do governo. Assim não satisfeitos de serem co-responsáveis com o fim da educação básica e fundamental de qualidade em nosso estado, lançam suas mãos nefastas e nefandas também sobre as Universidades.

Contudo, com desfaçatez e dissimulação, o governador José Serra e seu secretário José Aristodemo Pinotti, afora os asseclas e epígonos sem postos no governo (não sei como) de certa imprensa, mormente, "blogueiros" e articulistas de certa revista semanal, que, de passagem, prima por ser um veículo de pensamento único, disfarçada e dissimulada no pluralismo, no respeito às instituições e ao "Estado de Direito" teimam em transferir a responsabilidade da crise que hoje se vê na USP, UNESP e UNICAMP para aqueles que reagiram à agressão dos decretos e à falta de boa vontade dos dirigentes universitários. A mídia (de modo geral - há exceções) e Governo acusam os alunos de "invasores", desordeiros, baderneiros etc. Não escapam também às suas acusações professores e trabalhadores da Universidade de São Paulo. Seriam estes os manipuladores daqueles, massa acéfala, que, supostamente, incitada, tomou com violência as dependências da reitoria em nome de uma posição partidária ou, como preferem, "em nome de um programa comum da esquerda retrógrada", ou melhor, da "neo-esquerda" que abarcaria - vejam só - o PT, o PSTU, o PSOL e o PCdoB, como se esta unidade já não estivesse inviabilizada desde muito tempo. Afinal os bandidos "remelentos" e "mafaldinhas" ("que merecem ser entregues aos papais e mamães pela PM"), como um desses jornalistas se refere aos alunos da Universidade, estão tentando desestabilizar o governo por puro rancor eleitoral em nível estadual. Ridículo!

Se justiça há a partir da conformidade dos fatos com o direito, violência existe, sim, por parte de um terrorismo de Estado, travestido de respeito ao cidadão, encarnado atualmente pela política do ensino superior do Estado de São Paulo. Mais do que isso, o desejo do governo não é transparência, é, sim, ter poder decisório sobre os 9,57% da arrecadação de ICMS que em 2006 significou em valores absolutos 5,2 bilhões de reais.

O mínimo esperado do governo e da reitoria diante da crise universitária por eles criada é respeito real e concreto àqueles que trabalham e estudam nas Universidades Estaduais. Assim, ouvir a comunidade acadêmica, discutir realmente com ela, recebê-la de fato e, vez por outra, atendê-la em suas reivindicações, longe de demonstrar fraqueza - há que se pensar nisto, haja vista a possibilidade da retirada dos manifestantes pela força policial - são características dos verdadeiros homens de Estado e de efetivos administradores de universidades públicas. É uma pena, entretanto, que atualmente não encontremos nem estadistas no palácio dos Bandeirantes, tampouco bons administradores à frente da maior Universidade do país. Quanto a certos jornalistas, bem, diante deles me calo, afinal para que servem se apenas sabem servir ao poder constituído.. .




[1][1] Todos os dados numéricos foram extraídos do Anuário Estatístico USP - 2006.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

It's only rock 'n' roll but I like it

A greve desse ano tem gerado muita discussão, tanto pró quanto contra.

E quem é da FFLCH, de verdade, sabe da importância de se manifestar buscando seus direitos.

Os alunos decidiram aderir à greve - embora nem todos respeitem o posicionamento tomado em conjunto na assembléia dos centros acadêmicos (com direito, claro, à votação dos alunos). Diante disto, alguns professores sabem como proceder, outros não. Mas mesmo os que não sabem reconhecem a importância da decisão tomada nos órgãos que lhes (e nos) são representativos.

Como exemplo, eis a resposta de uma professora do Inglês a um e-mail de uma amiga sobre haver ou não aula.


Beth e demais alunos,

sim, estou sabendo da decisão dos estudantes de ontem à noite. Só não sabia dos piquetes. Isso provavelmente muda a situação anterior. Minha posição é a seguinte: a minha categoria, em assembléia da ADUSP na última terça, decidiu, por enquanto, apenas aprovar um indicativo de greve, mas sem data ainda definida. Vamos ter nova assembléia dia 23, para decidirmos se entramos em greve, o que eu, particularmente, acho e espero que aconteça. Assim, não estando em greve, tenho a obrigação e a responsabilidade de comparecer ao trabalho, por mais desconfortável que seja a situação de dar aulas, considerando-se que os estudantes e funcionários já estão em greve. Contudo, apóio a decisão dos estudantes, mesmo no que se refere aos piquetes. Pelo que vocês me relatam hoje, é de se prever que os piquetes continuarão amanhã e que, muito provavelmente, a atividade que conseguiremos realizar será de discussão da situação e de esclarecimentos, conforme o desejo dos estudantes em greve, relatado na mensagem da Juliana Chaves Souza, abaixo. Estarei lá, no prédio, amanhã, nos meus horários de aula, para o que for possível fazer - provavelmente as discussões desejadas pelos estudantes. Claro que, mesmo na improvável situação de levantamento dos piquetes e calmaria e conseqüente possibilidade de termos aula, não darei falta para ninguém, mesmo porque os estudantes decidiram entrar em greve e têm direito a não querer ter aulas. Mas, realisticamente, acho que vamos estar lá amanhã para discussões, apenas.

Até,
Marisa Grigoletto


Isso é ter postura.

Maiores informações: ADUSP.org.br

quarta-feira, 16 de maio de 2007

as "Atlantic"

It's a sad, sad world
without you in it
(...)
It's a sad, sad world
without you around


But I can't get no
satisfaction...
Oh, no, no, no!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Skol Beats '07

Eu já havia ido ao do ano passado, com o empurra-empurra do Prodigy, com direito a pessoas passando mal e dormir na grama gelada pra curtir um nascer do sol ao som de psytrance.

Neste ano, os caras inventaram dois dias de festa, com preço bem maior (R$140 cada dia, R$200 pelos dois dias), num lugar em frente ao Anhembi. Fui só no show de sábado, pois na sexta não tinha ninguém que eu quisesse ver.

Desta vez me preparei musicalmente, baixei sets, ouvi à exaustão. Escolhi a programação, tudo certinho. Chegando lá, o que me decepcionou logo de cara foi a única alternativa alcoólica ser a cerveja homônima à festa (argh!). Fora isso, a vitamina C ajudou a agüentar o pique (quem é que se droga com vitamina C??).

Depois daquela rodada básica inicial para reconhecer o terreno, sem dúvida o que me chamou mais a atenção não foi um DJ em especial, mas o sistema de som, especialmente do Palco Live. Cara, o que era aquilo?? Acabava deixando até o DJ mais patético com um som bem legal. Fazia valer o ingresso.

Como o MC não calava a boca um segundo durante o drum and bass do D-Bridge, resolvemos dar uma voltinha pelo evento, conhecer um pouco mais o que estava rolando. Praça de alimentação com pizza, temaki, sanduíche de mortadela, yakissoba, Black Dog (do mal)... Máquina de pegar bichinhos (do limão da Pepsi Twist), tenda Chill Out da H2OH! (super cousy), bar, banheiro, etc.

Atrações

Eu esperava abrir a nossa festa com o Propulse. E esperava um atraso já desde o começo. O atraso da festa não veio e não bateu com o meu: quando chegamos, o Propulse já havia saído. Ok. Um suspiro... Nem doeu tanto. O que eu queria mesmo ver era o Crystal Method, a Miss Kittin, o Murphy e o Marky.

Veio o Marky primeiro, meia-noite. Bem legal, dançável mesmo, um pouquinho cansativo (também, depois de duas horas...). Mas o som da sua tenda, sem dúvida, era o mais fraco, infelizmente. Foi um set "bom". Só "bom".

Roda aqui, roda ali, bebe um pouco e veio o Crystal Method.

Meu Deus! O que foi aquilo?? Tudo bem que eles não fizeram Live PA (como prometia a mídia), só trabalharam com discos mesmo, mas eles conseguiram misturar seu estilo Big Beat em músicas que eu jurava não rolar naquela noite, como "Killin' The Name" (do extinto Rage Against The Machine), que agitou um bocado, ou até em "Smack My Bitch Up", do Prodigy.

Faço minhas as palavras de Fábio Mergulhão:

"E eles vieram, breakbeat, um daqueles que toca em todo lugar hoje em dia. Mas foram pro techno, no hip hop, pros hits deles, um no final era vinheta da MTV (...). Acabou, espacial, break que não é "breakbeat" porque atrás tem uma moto ácida subindo e voltando em vai-e-vem e que faz ser Crystal Method - semelhanças óbvias com o óbvio Chemical Bros.

Será que eu gostei? O telão psy de ótima definição, as câmeras mostrando o trabalho dos DJs, o sistema de som cujos "graves ardiam na espinha e na nuca" (como li no rraurl.com) já faziam valer – ainda mais – o ingresso. Crystal Method não deixou pra mais ninguém.

Eu estava enlouquecido e quase sem forças, em plenas 4 e meia da madrugada. Chegou a hora da comida (yakissoba, delicioso), do banheiro, do descanso. Quase perdendo o pique, fomos à tenda The End para ver a "musa do electro", Miss Kittin.

A francesa chegou com um som baixo, pouco empolgante, às 6h. Com o dia nascendo e a pouca energia, as batidas eletrônicas foram deixando de ser empolgantes. O set da dita musa só confirmaram uma opinião que eu tinha a respeito do Laurent Garnier: francês não sabe fazer música eletrônica. Miss Kittin tinha um set chato, com muitas intervenções da sua voz aguda e chatinha, às vezes perdendo o tempo ao abaixar o volume e voltar para a música. Enfim, foi a decepção da noite. Fiquei realmente triste não só porque ela não tocou mais de uma música que eu conhecesse, mas porque o que ela tocou de fato não era bom. "Ela foi afetada pelo horário" se ouviam os comentários da galera, que tentava se sacudir meio sem ânimo. Aos poucos a tenda foi se esvaziando, e junto com os dissidentes, eu também saímos.

O descanso para esperar o Murphy debaixo de um solzinho irritante fez o sono e o cansaço serem superiores à vontade de ver um dos caras mais aguardados. Só a Vitamina C não foi suficiente para me manter desperto, especialmente depois de um dia de trabalho. Fomos embora (para tentar dormir um pouco no carro) antes do show do Murphy, uma pena.

Conclusão

Para o ano que vem:
- Beber antes de entrar, preferencialmente Tequila, coisas energéticas, e tal;
- Ouvir mais pelo estilo dos caras do que pelas músicas dos discos deles (já sabendo que quase ninguém toca músicas famosas de seus discos);
- E, definitivamente, não trabalhar no dia.

Balanço:
Vale a pena, mas tem que estar mais preparado para as mais de doze horas. E, sim, foi melhor do que ter se abarrotado em meio a multidões, correndo o risco de tomar borrachada da polícia ao assistir a um show que eu gosto da Virada Cultural.

É isso.

Por hora, "Voltando ao Rock Progressivo Mode: On".

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Letta fro "Under The Iron Show" 2 the man with "Crystal Ball"

Faaaala, mister!

Cara, te escrevo no meio da empolgação. Acabei de sair do show do Keane. Cara, cara... No words. Acho que só perdeu mesmo para o do Rush. A produção de palco, as luzes!!! Só três caras no palco e passam um puuuuta ânimo!!!

O tecladista tem, tipo, umas 5 bandejas de teclado. O vocalista toca (piano ou violão folk) em uma ou outra música. Mas eles são muito bons. Aparentemente, nada em playback. E os três cantam.

O cenário foi demais! Tinha um painel com (supostamente) uma pintura com vários ferros ("Under The Iron Sea"), além de objetos de palco que remetiam a coisas metálicas. Algumas luzes ficavam no topo de uns mastros altos. Outras ficavam em canhão no chão do palco. Agora, o mais louco foi uns painéis brancos, uns oito, espalhados, que mostravam projeções variadas, da própria banda tocando ao vivo, de imagens abstratas, de outras mais como se fosse num clipe.

Eles abriram com a "Under The Iron Sea", o que eu acertei, e emendaram com a animada "Put It Behind You". Antes de "A Bad Dream", eles falaram que a música havia sido feita com base num poema de um autor irlandês. Eles projetaram imagens de guerra enquanto legendas iam traduzindo o poema. Super tocante.

Tocaram uns 50min. Saíram e voltaram com "Crystal Ball", o hit do momento. Rolaram umas três músicas no bis, e fecharam com "Bedshaped" (que é umas das minhas favoritas). Além de agradecerem, algumas frases mais saíram em português. Fizeram a parte burocrática de agradar à platéia. Dedicaram ao Brasil a "We Might As Well Be Strangers", pertinente. Agora, pôr uma bandeira do Brasil sobre o piano e o baterista usar a camiseta do instituto do Senna, isso foi foda. =)

O palco tinha uma extensão que ia até o meio da pista, que não estava lotada, mas animada. Nesse meio da pista tinha 2 pianos colocados e parte da bateria. Eles tocaram duas músicas ali ("Try Again" e "Hamburg Song"), bem pertinho da galera. FO-DA.

Sem dúvida o show de luzes impressionou mais que todos os outros shows já o fizeram.

Anyway, já falei muito. Espero que você esteja junto da próxima vez que eles vierem ao Brasil, o que eles juraram fazer (e de fato deu pra ver que eles curtiram mesmo). Rolaram umas "sejogadas" do vocalista no meio da galera. Foi bem da hora, mano. Faltou você por lá.

Mas nos veremos em breve.

E continuo te devendo um e-mail decente sobre a "Sete Semanas".

Um grande abraço

do amigo

Rapha - ph
=)

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Roger Waters - The Dark Side of the Moon

Até nem falei do show.
"O" show.

Ela falou.
Falou o que eu diria, o que eu não consegui sentir, mas queria.
Não consegui sentir tanto, fiquei anestesiado, acho que foi isso.
Mas uma música. Uma única música quebrou meu êxtase: "Us and Them".
Chuifs...
Anyway...

Leiam: Roger Waters - The Dark side of the Moon - O Show
A melhor crítica objetivo-emotiva que eu jamais conseguiria redigir.
E tenho dito.

Porque agora tô em outro... ritmo.

segunda-feira, 26 de março de 2007

O paradoxo do moderno (uma dissertação pessoal)

Foi uma semana incomum. Analisando agora, depois de tudo, parece que os eventos todos gritavam algo de errado, que a vida não está certa. Não, talvez não a minha mas o nosso modo de viver, dito moderno. Assim, a minha trajetória com seus erros podem ser só um fragmento no todo, errado, que tem sido a sociedade moderna contemporânea.

No sábado passado, fomos em busca de uma peça de teatro de conteúdo sexual que fosse não exatamente excitante, mas incitante. Assistimos a A casa dos budas ditosos, com Fernanda Torres. Já havíamos ouvido falar bem da peça e que gostaríamos. Gostamos, de fato. Mas da forma como as situações e opiniões foram postas era mais cômico que excitante - ou incitante, a pseudo-real intenção da peça. Saímos contentes do teatro, mas não conseguimos o que queríamos. E esse foi só o começo.

Na quarta à noite, a segunda metade da aula da Licenciatura foi abandonada para assistir ao polêmico A filosofia na alcova, baseado na obra de Sade. Foi polêmico além do suportável. O explícito saía do recôndito da mente para ser encenado ali, ao vivo, aos olhos das mentes de todos. Foi, de certa forma cômico, e bastante inverossímil pelo exagero. Chocados - e chocado também por ter ficado assim -, saímos mais uma vez insatisfeitos, de certa forma até com alguma repulsa, com o querer não alcançado.

Nesse fragmento que é minha vida, dois episódios ainda contribuem para vermos o que pode estar errado: um sonho de banda de que não posso participar por causa da faculdade (que parece não ter fim); e um grosso estúpido que ficou putinho por ter sua consulta médica atrasada (mesmo tendo sido atendido antes de todos que já estavam esperando e antes do que deveria, exatamente, por ter sido sem educação). Já aí percebo o colapso dos valores da sociedade.

Vivemos a vida moderna que nos foi prometida como resultado de um progresso, mas que só nos faz eternamente insatisfeitos. A acomodação atrapalha a conquistar os feitos de que precisamos para nos tornarmos contentes com a nossa situação. Mas a busca, que se torna a eliminação da acomodação, muitas vezes não nos faz encontrar o que queremos, ou ainda pior, nos faz encontrar o que não queremos. Tudo isso faz parecer que a saída é a estagnação, já que o que se quer não se alcança. Se pararmos para perceber quanto já deixamos de fazer o que queríamos para terminar fazendo o que achávamos ter querido, veremos a extensa capacidade (advinda da insatisfação) para nos mobilizarmos em prol do que realmente nos foi prometido: o feliz progresso.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Veja bem, meu bem

(Letra: Marcelo Camelo / Música: Los Hermanos)

Veja bem, meu bem, sinto te informar
que arranjei alguém pra me confortar.
E este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você nestes braços tais.

Veja bem, amor. Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.
E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém chamado saudade.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Da série "Coisas guardadas em momentos errados e achadas em momentos certos"

Clique

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Poliano

O'Malleys fazia dez anos. Não tinha programa até então. Balada numa terça? Por que não? Sem pagar entrada? Cerveja mais barata que o habitual ("normal" para o resto dos bares)? No site dizia que teria tábua de frios e tinha até uma banda! Iria até sozinho, mas a Nati topou e fombora.

No caminho descobri que talvez dois antagonistas poderiam estar lá também. Tudo bem, tinha música, eu me distrairia, não seria problema.

A banda tinha um baterista que não tinha caixa nem bumbo, mas um caixote(!). Quase quarenta por cento das músicas eu não conhecia. E eram pop rock!! Populares? Não pra mim. E claro que o Dose Tripla (o trio) tinha que tocar músicas desconhecidas no exato instante em que um dos antagonistas, o menos periculoso, sentara-se à mesa. Murphy é sempre um bom amigo em horas difíceis. Tudo bem, pelo menos Ele não pôs a outra possibilidade na minha frente.

Entre idas e voltas do rapaz, a conversa com ele durou pouco. Meu cérebro havia habilmente inventado a comida gratuita, mas conseguimos pegar uma fatia do pequeno bolo, daqueles que pede por uma cerveja pra acompanhar, claro.

Fora tudo isso, o que contou mesmo no final das contas foi ver que certas coisas não mudam nunca. E que a companhia de uma das amigas mais companheiras continua sempre agradabilíssima.

Batatas fritas com vários molhos, alguns - vários - drinks (diferentes entre eles), bolo de chocolate, músicas e risadas.

Uma noite deliciosa, é assim que quero (e vou) me lembrar dela.

...

Até eu semiacordar hoje com metade do mundo rodando e a outra metade dormindo, ao som delicioso do serrote elétrico do pedreiro cortando sei lá o quê... (ele bem que podia estar cortando os próprios ossos ali, não?) Ah, claro, era o recorte do piso (e dos meus neurônios) na reforma da casa, às dez e meia da madrugada. Iupi.

E claro que, ao me olhar o espelho e ver a cara revirada, o que mais me incomodou foi o pânceps...

Me vesti e fui pra academia.

A pior coisa que se pode fazer de ressaca é ir malhar. A pior. Ter que cumprimentar todo mundo quando quer mandar à merda, ouvir o instrutor falando "vamo lá, não pára, força!", beber água que nem um camelo... Eu que adoooooro calor, suei que nem um... porco (?) por causa do allcool. Não foi uma decisão esperta.

Pelo menos a ressaca passa mais rápido... E o dia, mais leve.

Mas a noite foi divertida. É assim que vou me lembrar dela.

Nossa língua brasileira

O Museu da Língua Portuguesa me deixou extasiado!!
Os painéis com as correções do Grande Sertão: Veredas feitas pelo próprio Guimarães Rosa é foda demais!!!

E as instalações!! E as telas de tevê e poemas e uma representação de Diadorim no espelho dentro do banheiro unissex? E a tecnologia? As projeções de imagens enquanto gente famosa lê os poemas, no chão, no teto? A gente atravessando a tela de cinema??
Fantástico.
Digno de Alemanha, pelo que ouvi.
Lindo, lindo, lindo.

Vão !

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

"Sorria, você está na Bahia" ou "Diário-guia de uma semana na Bahia"

Antes de mais nada, este é um post-diário. Mais pra ficar na minha memória wébica do que para informar da viagem ao leitor. Embora algumas coisas bem legais e engraçadas tenham acontecido, este post é mais para mim mesmo num dia futuro.

Ah, e "sorria, você está na Bahia" é dito por todo mundo em todos os lugares em todos os velocidades possíveis. O baiano adora sua terra; até a chama de "Terra da Felicidade". É um lugar onde o que importa mesmo é ser feliz.

Enjoy.

Sábado

Só fui acreditar que tava em Salvador quando vi das janelas do avião as inúmeras luzinhas surgindo e beirando o oceano. Já do avião comecei a entrar no clima e cultura local conversando com uma menina de 20 anos que saía de SP para ir visitar a mãe em Antas, na Bahia (a 8h de ônibus da capital baiana). Aline contou toda a história da sua vida e família durante as 2h de vôo (sem atrasos).

O agente de viagem, Wellington, é bastante engraçado e carismático. E haja paciência para agüentar a velharada! Há muitos idosos - quase todos professores, já que minha mãe marcara a viagem pelo SINPEEM.

No avião, da Varig, hot dog e quindim; ao descer, à meia-noite local (onde não há horário de verão), 25°C e a despedida da companheira de viagem, a simpática Aline.

Check-in no hotel, 4 estrelas e se preparar para uma semana bem... "arretada".

Domingo

Café da manhã de hotel e espera pelo ônibus, em ritmo baiano, até a Praia do Flamengo. Mais de meia hora rodando na cidade (marcada pela verticalização - com sobrados de até quatro andares estreitos - mas ainda com clima de interior). Parece mesmo uma cidade grande de capital, com ares de interior. Muitos prédios e viadutos! Salvador é tão grande e populosa que tem até metrô, em construção há anos.

O ar quente das correntes oceânicas está em toda cidade. Por isso, em todos os ambientes fechados há ar condicionado... (Mas nos ônibus de linha - que custam R$1,70 - não há!).

Na praia, abarrotada de carros, foi difícil o ônibus conseguir parar para as 23 pessoas do grupo descerem. A Praia do Flamengo é linda! Ondas fortes, água esmeralda, com alguns corais cheios de algas, areia fina e fofa, lotada de quiosques, mesas com guarda-sóis na areia e gente, gente, gente!! As gentes preferem mesmo a água, bastante refrescante, deliciosa! A mais de todas as praias até agora (só perde em beleza para a Prainha Branca).

Ainda não quis arriscar muito na comida. pedi só um peixinho com a famosa pimenta baiana - é FORTE - empata com os japaleños da comida mexicana!!

Voltamos para o hotel, às 16h (local), para descansar um pouco - as ondas da praia cansam - antes do jantar (fora do hotel) e da noite dançante, com Beto Jamaica (!). No final, nem fomos porque os idosos, cansados, fizeram-nos desanimar. Mas nós, o grupinho dos mais animados (uns 6) queríamos fazer uma coisa qualquer, dar uma rodada mesmo que pertinho. Rodamos a pé por perto do hotel à procura de um tal Twist Pub, em que teria um piano bar. Esse bar, conforme o guia online indicava, ficaria no mesmo quarterão da nossa hospedagem; então seria fácil, mesmo não conhecendo a cidade. Achamos uma "coisa de coisar", como descreveu, sem jeito, o rapaz pobre sentado à frente da casa toda apagada... Quase entramos por engano no prostíbulo à procura do tal piano bar. Às onze horas a pé pela parte pobre de um bairro bom de Salvador, encontramos um tempo bem agradável e os lugares - dos decentes - quase todos fechados. Entre as reclamações de uma idosa gorda que se pôs a andar conosco, achamos uma pastelaria de esquina para beber uma latinha de cerveja. Que balada! Tsc, tsc...

Voltando ao hotel nos deparamos com uma praça semi-abandonada e só ouvi os gritos: uma reboada de ratos corriam de volta para suas tocas ao ouvir os gritos das mulheres com medo deles. Uma aventura!

De volta ao hotel, o pequeno grupo, já mais animado pela experiência com os roedores-monstros, ainda pediu caipirinhas no lobby que tinha um bom bar... e um... piano! Era no próprio hotel o lugar a que eu tentara guiar-nos! O pub com piano! Depois dessa fui zoado até quase o fim da viagem...

Segunda

Dia cheio. City tour com um baiano bem conhecedor.Pelourinho (com almoço n'O Coliseu e servete no Cubana - ambos altamente recomendáveis, visitas ao Farol da Barra (o divisor de águas entre a Baía de Todos os Santos e o Oceano Atrlântico); o Dique do Tororó (da canção infantil); Elevador Lacerda (como assim ele NÃO É PANORÂMICO???), que liga a cidade alta ($) à cidade baixa (dos trabalhadores); e especialmente a Igreja de São Francisco, que eu - que detesto igrejas - fiquei abismado de como pode ser tão bonito e fútil, já que podiam usar todo aquele ouro em prol do povo.

Presenciamos um mini-ensaio de bateria de um grupo de jovens, além de tentarmos comprar, sem sucesso, ingressos para o ensaio do Olodum, que seria na noite seguinte. Mais à noite, tentando de novo sem sucesso comprar os ingressos andamos no Pelô à noite e é lindo! Vimos um grupo apresentando sua coreografia e batuque à Olodum além de, sob o comando do nosso líder doido Wellington pusemos 5 no banco de trás de um táxi Gol antigo!! Minha mãe jogada no colo dos outros quatro foi hilário!!

Terça

Esse foi o dia em que mais senti "culpa" de estar no lugar do meu pai: uma praia lindíssima, pagodaxé na escuna (na ida E na volta - aaaargh!), comida típica num restaurante ótimo e o tão esperado show do Olodum - para o qual conseguimos ingressos em cima da hora!! Enfim, tudo que meu pai iria adorar.

Novos membros entraram para a dita "família" da viagem. Entre eles um padre e uma italiana. (Eu sei, parece começo de piada... "Um padre, uma italiana e um blogueiro estavam numa escursão em Salvador. Aí...")

Ônibus até o pier, um amontoado de gente tentando se organizar até a entrada na escuna. Sob sol escaldante totalizamos 97 numa embarcação com guia, cameraman e barman, apesar de pobrezinha. O sambaxé animou o povo, bonito (sim, porque povo bonito, ali, só turinta mesmo - exceto as crianças baianas, que são bonitinhas).

Uma hora e meia de barco até a Ilha dos Frades. Demais!!!! Praia curta, de água bastante salgada e límpida, sem ondas: a melhor praia da minha vida!!!!!! (Embora, em beleza - e só em beleza - a Prainha Branca seja melhor). Duas horas lá (só!?!?!?) e rumamos por mais meia hora de barco até a famos Ilha de Itaparica, "a maior ilha dentro de uma baía no Brasil", e famosa só por isso - a única coisa que fizemos lá foi comer... Fiquei com a impressão de que não tinha mais nada lá (o que não é verdade, já que na ilha há 3 municípios!)

Voltamos com o pô do sol e o pagodão quando muitos tentavam dormir... (Deus abeçõe Os Paralamas pelas boas músicas e a Sony pelos bons aparelhos eletrônicos!). Ao chegar, correr para o banho no hotel e de volta para o ônibus. Andar e abrir caminho pelo Pelô para poder pegar o ingresso para o Olodum - agora sim! - e comer no Senac/Sesc de Salvador - comida típica baiana mundialmente reconhecida e premiada!... Umas coisas tão estranhas que muitas nem dá vontade de comer ("Xixim de galinha" não parece me sugerir coisas boas já do título). Depois de um bom quindim, o batuque repicante e bem pomposo do Olodum. Demais!! Agora posso dizer que fui à Bahia.

As italianas piradas, a moçada enlouquecida, tentativas de coreografia impedidas, por um espaço tão pequeno. Abarrotadas, as pessoas dançavam sob as luzes de balada ao som dos quinze integrantes (só?? só!), entre eles a famosa (?!) Margareth Menezes. Mas o show mesmo são dos 2 negões (com pingentes multicor nos cabelos) e suas coreografias extasiantes! Demais mesmo!! Amei!!

Na volta, escoltar o povo de volta ao hotel (pois é... o Wellington - guia - furou conosco e a responsa de guiar as dez pessoas que foram pelo Pelourinho a caminho dos táxis no centro foi deste que escreve. Claro que eu adorei porque eu curto mesmo dar uma de guia. Exausto, banho e cama, que amanhã é dia de tour pelo Recôncavo Baiano.

Como fizemos coisa num mesmo dia!

Quarta

Apesar de termos rodado muito, não fizemos tanta coisa. De manhã fomos a Santo Amaro da Purificação, a mais ou menos 60km de Salvador. A Purificação do nome não era espiritual não! Era da cachaça mais pura que tinha lá.... Gostei disso.... Hhehehe..

Lá, conhecemos a igreja (mais uma) e a praça central. Pessoas quiseram conhecer a Dna. Canô (mãe de Caetano e Maria Bethânia) quando era só para passarmos. Eu, cansado e com sono, não estava com muito saco. Deixa a velha de 99 anos em paz!! Depois de mais 80km pela estrada ouvindo o guia especializado e vendo as bonitas planícies até chegarmos a Cachoeira e sua vizinha, São Félix, onde conhecemos a linha de montagem dos charutos Dannemann - a mais importante do país, cujo produto até o Fidel dissera ser equivalente aos de Cuba - onde havia uma exposição de arte contemporânea e um projeto de reflorestamento. Lá, ainda vimos a ponte de fero trazida de Londres sobre o Rio Paraguassu, a bonita vista de um morro - o melhor para tirar fotos - e mais a primeira isso e a maior aquilo...

Almoço na Pousada do Convento: um peixe maravilhoso! Passar no mercado de lá para comprar castanhas para o meu pai (niver dele hoje e ele devia estar aqui...).

Ônibus de volta: meu sono vs. empolgação alheia; karaokê no microfone do ônibus vs. Kraftwerk no mp3 player... Que ódio!!

Mas passou. E chegamos e eu consegui Internet e o hotel tava tocando jazzy songs (e "Lady Madonnaaaaaa"!!!). Noite, piscina, contar minha vida para o Bruno - o guia-mirim, alegria da "família" -, banho, jantar e uma recusa de um show do Terra Samba (porque uma noite com axé já é mais que suficiente para um semestre... ou um ano...).


Quinta

Passamos pela linda orla da Grande Salvador vimos as praias e as histórias de Amaralina (do negro escravo e da partida de Alina), Praia dos Namorados (antiga fábrica de gente da cidade), Plakafor (por causa de um outdoor da Ford) , Praia dos Artistas (a praia mais "feliz"), Lagoa do Abaeté (do "homem forte" e da sensual índia apaixonada que o arrastou pra dentro) - de areias brancas e águas negras - vimos a casa de Caetano e a de Bethania...

Já em Camaçari, no bairro de Arembepe, vimos uma aldeia hippie à beira da Praia de Arembepe - A MAIS LINDA EVER DA MINHA VIDA!!!!!! Absolutamente deserta, areia fofa grossa, águas quentes em um mar raso, pisando em pedras escorregadias, como num recife de corais, peixinhos pequenos visíveis pela água transparente; coqueiros ao longo de toda a praia - de sumir numa curva à direitaaté um pequeno pier à esquerda, lá longe. *suspiro* Um Paraíso!!!

De lá, a Praia do Forte e o Projeto Tamar (tão bonitinhas as tartarugas marinhas!), lugar que rendeu umas boas fotos.

Depois de rodar, a Praia de Guarajuba, maravilhosa, em que almocei pestiscos e um acarajé (pesaaaaaaaaaado esse "hamburguer de baiano").

Na volta do ônibus, houve um shoe de piadas dos próprios viajantes e o melhor foi o Frei Edson (um frei de verdade!) contando piadas religiosas!! =) Já à noite, depois de uma viagem como de SP ao Guarujá, voltamos ao hotel para muita farra na piscina (eu, Bruninho, Van, Edson Malinha, Rafael - o Agressivo -, e o Frei Edson)... Demos caldo até no Frei!! Super forte e brincalhão ele!

Jantamos uma ótima comida com alguns pratos típicos (carne de sol na brasa - uma delícia!) no premiado A Porteira.

E chega! Nem consegui escrever na mesma noite, de tantas peripécias!

Sexta

Dia de compras. Duas horas (e meia, contando os desencontros) no Mercado Modelo, o Mercadão de Salvador. Camiseta para um, brinco para a outra, aquela tia, a avó, e volta, e vai, e desce, e sobe e a pimenta!!, que merece um capítulo próprio.

A pimenta

– Boa tarde! Moço, me vê "aquela" pimenta? A "pimenta baiana".
– A boa?
– De levantar até o santo!
– É essa daqui, com um tempero especial, toda trabalhada. É bem saborosa. Essa é R$10 o vidro. Quer provar um bocadinho?
– Ai, não! – sofreu minha mãe, interferindo na minha compra.
– Tome, prove num camarão! Até eu vou comer também.
Molhou o crustáceo no vidro e me deu. Antes de provar, tremi:
– Tem água aí, qualquer coisa?
Ele sorriu e afirmou. Comi. Era boazinha, mas longe da que eu provara no primeiro dia, na praia. Até esperei. Ardidinha, mas nada excitante. Reclamei. Por quem ele me tomava?
– Não é essa não, rapaz.
O dono da banca interveio na venda do atendente:
– Olhe, prove essa aqui – disse molhando um camarão num líquido vinho de um frasco fino e pequeno.
Mordi com gosto... Era boazinha... Esquentava com o decorrer do tempo... Pegava firme na língua... no céu da boca... nos lábios... Ai... na garganta... Olhei para minha mãe já quase chorando... Ai! O ar parecia não refrescar. Olhei para o vendedor:
– Tem água?
Tomei. Geladinha. Virei para o dono:
– Deus abençoe a água! É dessa mesmo!
– Pega pra ele o extrato. Essa é sete reais.
– Veja dois - disse eu, quase tossindo.
Ele embalava os dois vidros. Paguei, quase vermelho, quase chorando. Saí da loja agradecendo o atendimento:
– Valeu! Boas vendas! E ó... Quando um gringo vier pedir a pimenta, mostra a de dez reais primeiro. Essa daí o cara não agüenta.
Acabei com a água em um minuto e meio e não bastou. Ao fechar os olhos, apoiara a mão neles. De repente, TODO o meu rosto ardia e eu não consegui nem responder às perguntas de minha mãe sobre qual o melhor pano de prato...
Depois de passar o ardor na boca, o rosto todo ficou latejando até mais de 40 minutos.
Dois vidros é pimenta até o próximo retorno à terra do axé!

Ainda nesse mesmo dia teve o episódio da Reza da Baiana...

Reza da baiana

Toda vestida como no carnaval, uma baiana me pegou pela mão e me ofereceu uma reza. Falou que não era nada, era de graça. Aceitei. Me benzeu, mão pra lá, palavra pra cá e reza daqui e reza de lá, numa cadência quase difíil de decifrar. "Pegue essas pedrinhas", ela disse. Peguei. "Feche bem a mão". O fiz. "Já é casado? Qual o nome da tua pessoa especial?" Eu disse. "Filho, você e ela vão ser muito felizes e ela vai te dar dois lindos bebês. Agora pense bastante nela" e continuou a reza. "Guarde as duas pedrinhas que, com elas, vocês dois vão estar protegidos". Ao final, ela pediu uma ajuda. Eu neguei. "De cá, nem olhe a nota, pegue uma do bolsa e de cá pra baiana". Olhei para minha mãe. Ambos sabíamos que eu estava só com notas de vinte no bolso. "Não pode ser do dinheiro dela não. Tem que ser do seu." Hummmm.... Deixa eu pensar... "Dê cá, não vou pegar, é só pra abeçoar o dinheiro. Sou velha e sou de boa família, não vou sair correndo com seu dinheiro, moço". Tirei a nota de vinte e deixei bem fechada na mão.
– Abra a mão, moço. É pra abençoar.
– Pode abençoar assim fechada.
– Vamos, moço. Não estrague a reza.
– Eu não vou te dar. Não vou.
Ela se revoltou!
– Ah, então, dê cá minha reza de volta!!
Entreguei-lhe bravo:
– Toma! Pode guardar.
– Isso... Que povinho mais dif...
E saiu reclamando, me deixando puto e minha mãe abismada.

Depois disso tudo, voltamos ao hotel. Como já eram umas 15h, sem almoçar, não estávamos com vontade de aproveitar a tarde livre que tínhamos. Resolvemos eu e minha mãe ir caminhar até uma lanchonete próxima. Claro que eu fiz questão de, depois de taaaanta comida típica, provar um McDonalds, só pra ver se tinha o mesmo gosto. Como previsto, não tinha. Era com um pouco menos de gosto, assim como a Coca-cola. Exatamente como eu suspeitava, já que no Rio Grande do Sul ela era mais forte.

Aí, piscina até à noitinha, jantar no hotel e ir dormir, porque o vôo saía quatro e meia da manhã.

Um cochilo e já ligaram no quarto para sairmos. No aeroporto ainda deu tempo de comprar um DVD do Olodum de presente de aniversário para o meu pai.

A volta foi tranqüila. Do avião, como o dia estava nascendo, deu pra ver grande parte da costa brasileira na volta até São Paulo.Muito lindas as praias vistas de cima. Me senti no Google Earth. As nuvens de algodão taparam pedaços da vista lá pela metade. Já aqui na cidade, vimos o Parque do Ibirapuera, a Bandeirantes, bem legal!!

Adorei voltar a andar de avião. E amei a viagem. As praias fizeram valer a pena. E a gente sempre acaba conhecendo gentes e gentes.
Uma experiência divertida, que talvez o meu pai não tivesse gostado tanto exatamente pelo grupo.
Sorte minha.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Coincidência?

Estava ouvindo música, "Faroeste Caboclo", na rádio. Começando a preparar um post mentalmente, abro um browser cantando...


Não monto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança, isso eu não faço não.
E nem protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão.


Isso é ouvido no EXATO instante em que o browser que eu havia aberto carrega a página inicial do UOL:



"Imita a vida", não é o que dizem? Às vezes, assustadoramente.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Conto de fada sem fraldas

Como sempre verdade dura, como a própria verdade.

Sem firulas estéticas, a alma em prosa com o "eu" tão lírico.

Essa é minha amiga.

Shine on, Sparkling Diamond!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Barroca!

E depois de toda essa arrumação ainda fomos à quadra de ensaio da Barroca Zona Sul, a escola de samba. Pois é...

Bom, sempre foi um sonho desde de criança desfilar na bateria de uma escola de samba. Claro que eu não penso baixo e queria a Mocidade, lá do Rio. Mas nunca foi uma coisa assim, concreta. Até que...

Até que minha mãe um belo dia chega dizendo: "Quer sair numa escola de samba?" O quê? Eu? Eu nem gosto de samba! Claro que eu tinha me esquecido do meu sonho infantil. "Vai todo mundo". Ótimo, mais motivo pra eu não ir! "A Roseane, o Bernardo [namorado dela], Leonardo, a Maria Clara [a namorada do meu irmão], seu pai, sua tia...". Meu irmão? Fiquei até curioso pra ver aquilo. Iria, sim. Só cinqüenta reais! Eu que sempre achei que era muito mais caro! Ensaios domingos e sextas. E fui.

Na quadra, com as coreografias da nossa ala, com a idéia da cana-de-açúcar e de termos bombas de gasolina e de álcool na fantasia, me empolguei. Tá, o samba é péssimo e até meu cachorro fazia um melhor, mas tá valendo. Pensei em convidar alguém especial. E ela topou! Nem acreditei. Ela que não tem nada a ver com samba, sendo tão European-like! Motivo a mais pra garantir a diversão!

E temos ido todos os domingos para a Barroca Zona Sul, que por infortúnio da natureza acontece de ser verde e rosa... Mas que, em compensação, é bem pertinho de onde deve ser ;)

Eis a letra do samba:

Enredo: Cana-de-Açúcar: O Doce Sabor do Prazer

(Ala de Compositores: Naio Denay/Loirinho / Mussa , Marcinho Zona Sul / Léllo Garoto / Ramos / Kuka; Intérprete: Agnaldo Amaral)

VAI CONQUISTAR VOCÊ
É EMOÇÃO A VERDE ROSA VEM AÍ
Refrão VEM PROVAR AMOR
UM DOCE SABOR VAI TE SEDUZIR

NO SOLO DA NOVA GUINÉ
A CANA BROTOU
VEM DO FETICHE DO AMOR SUA DOÇURA
SEU CULTIVO NO OCIDENTE PROSPEROU (VIROU)
OURO BRANCO NA EUROPA
A NOBREZA SE ENCANTOU
E APORTOU NO NOSSO BRASIL
NESTE CLIMA TROPICAL
FLORESCEU NESTE CHÃO
RIQUEZA DE UM PAÍS EM FORMAÇÃO

E O NEGRO FOI LABUTAR
O ENGENHO SÓ FEZ CRESCER
TODO O SEU VALOR
A MOENDA GIROU ( GIROU , GIROU )
E TEM AÇÚCAR PRA VOCÊ

DA BORRA DO SUMO NASCEU A CACHAÇA
ARDENTE MAGIA PRO NOSSO VIVER
A CANA ESTÁ NA OBRA DE ARTISTAS GENIAIS
NA DOCE CULINÁRIA COM RECEITAS DIVINAIS
GERA ÁLCOOL , E SEU BAGAÇO GERA ENERGIA
BRINQUEDO E PAPEL A TRANSFORMAÇÃO
O MUNDO EM EVOLUÇÃO
E VEM A BARROCA A MINHA PAIXÃO
PRA BALANÇAR TEU CORAÇÃO

O novo e o velho (ou "O velho e o moço")

Ontem comecei a desfazer algo que me incomodava há muito tempo: arrumar meu quarto. Não, falando assim parece frescura, bobagem de adolescência tardia, mas não. Eu realmente tirei todas aquelas coisas que por quase dez anos eu vinha simplesmente amontoando no fundo do guarda-roupas e resolvi fazer tanto uma triagem como um reagrupamento.

Poesia antiga, músicas de quando eu estava aprendento a tocar, foto de ex-namorada, agendas velhas com informações bem típicas daquela época da minha vida, enfim, uma infinitude de papéis e coisas de banco e cartas e hollerits e presentes e revistas masculinas e tudo o mais. Resolvi botar tudo pra fora e ver o que tinha ali. Foi uma tarde toda pra isso. E começou com um fato simples: a falta de espaço na escrivaninha para colocar os livros meus e do meu irmão.

Uma vez que não usávamos mais a escrivaninha para seu devido fim - escrever -, ela virou mesa-depósito dos nossos livros, que, empilhados, formavam torres já bem grandes e arriscadas... O resto aconteceu bem rápido: mãe compra estantes, não há espaço, tira-se a escrivaninha, esvazia a escrivaninha e vê o que vai e o que fica em outro lugar. Pronto. Estava instalado o caos de objetos-papéis-músicas-lembranças.

"Eu hoje joguei tanta coisa fora / Hoje vi o meu passado passar por mim / Cartas e fotografias, gente que foi embora / A casa fica bem melhor assim..."

E fica mesmo. Agora estamos reorganizando o quarto todo, já que com as estantes, o mural teve que sair dali... E de moção em moção, a beliche vai ser desfeita, só que sobra pouco espaço, então teremos q tirar as caixas acústicas do chão, talvez comprar outras, ou um home theater de pequeno porte, ou quem sabe...

É, antes arrumar o quarto era algo tão pueril. Pegar os cadernos jogados, arrumar a mochila para as aulas do dia seguinte, juntar todos os brinquedos; arrumar as coisas para o cursinho, arrumar os livros de teclado, organizar os fichários, esconder as revistas, os vídeos; comprar caixinhas para os cds, organizar os dvds, achar lugar para a guitarra, o violão, o teclado, e decidir o que fazer com o Banco Imobiliário Junior, o Detetive e a Batalha Naval com a chegada do módulo do Home Theater.

É, tempos modernos.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

As últimas e novas

Desde a virada do ano algumas coisas diferentes andam acontecendo. A maioria boas coisas.

Sim, eu vou para a Bahia. Não, eu não pretendo ficar ouvindo axé o dia inteiro, (viu, Natália?) :P Vou passar uma semana lá com minha mãe, numa viagem que praticamente caiu no meu colo (já que meu pai, que era pra ir, não pôde). Para realizar tal empreitada, sob calor fervente, pegamos o vôo da Varig neste sábado à noite para voltar no outro sábado, também pela Varig, de madrugada. Nice! Bem o que eu estava precisando (se bem que podia ser outra cidade...).

Outra coisa boa, aliás, fenomenal, foi que eu consegui instalar, devidamente, uma placa midi no meu pc. Agora posso fazer minhas músicas eletrônicas diretamente do meu piano digital, no meu amiguinho Reason, o já famoso... Let's rock! Ou melhor, "let's dance"!

Outra coisa muito boa é que voltei a me exercitar. A academia anda me deixando mais animado, disposto e razoavelmente feliz. Uma adrenalina a mais sempre faz bem!

E mais uma coisa boa: estou conseguindo arrumar meu quarto, depois de quase um ano sem fazer isso... Tava um caos, mas, aos poucos, está ficando mais apresentável.

Fiz um blog beeeem bonitinho para a viagem da querida Alê (http://cartasdaeuropa.blogpost.com). O mapa do trajeto foi a parte mais desafiadora, mas eu consegui. O fundo com folha de caderno também me deixou bastante satisfeito.

Mas sempre há ponto ruins, para balancear... A saudade causada pela distância, sem dúvida, é o mais forte. Agora, a recente descoberta da possível perda do meu cheque de férias... :(((((((((( chuif... (mas ele há de aparecer... até São Longuinho já foi solicitado!)

Logo atualizo a barrinha ali do lado e ponho gente (e bandas) que deveriam estar lá.


"Não se incomoda com a bagunça da casa... Aos poucos a gente vai arrumando ela..."

domingo, 31 de dezembro de 2006

New Year's Eve

Ok. I'm drunk. Drunk like a dog, they would say. "They talk a lot, don't they?"

Entre referências que não sei de onde saíram e posts lidos e relidos saem coisas assim. Tudo bem, I'm down. "Down, down, down." But since people who would care about it don't read this, I'm giving a shit.

Peixe, sinto saudades suas. Mesmo. MESMO. A ponto de voltar a chorar, o que eu não fazia desde... músicas e filmes. Sim, eu voltei a chorar de saudades por uma pessoa. Achei que eu era incapaz de fazê-lo novamente, mas eis-me aqui.

"It seems like I'm drowning... Drowning in a river of tears". Afogando sim, porque meu Peixe não está aqui pra me salvar... E fico assim, num canto escuro de filme noir, sem aparecer nem fazer sentido, num canto, sem fala, em preto e branco, "numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê".

E o que se vê? Não muito. Depois de um bom Almodóvar, um Yakisoba de ceia e a segunda garrafa de champanhe... Depois de ter conversado com pessoas no MSN que me fazem bem quando eu preciso e vice-versa, e apesar de você não gostar exatamente disso, EU SINTO SUA FALTA, PEIXE!

Não tem graça fazer música se você não vai ouvir. Não tem graça fazer o blog se não posso olhar para os seus olhinhos brilhando, sua curiosidade inquieta, sua genialidade de quem aprende rápido e que vê que aquilo é interessante sem precisar falar que é.

Adoro as nossas discussões. Nunca achei uma pessoa tão inteligente para discutir!!! Sem se omitir e sem aprovar que eu estou certo sempre. Adoro você.

Você que está longe, a quem não posso ver agora, que me faz ter vontade de ficar sozinho só pra me lembrar de você com mais clareza...

FELIZ ANO NOVO, PEIXE!

Saiba que não é da minha natureza (de taurino) esperar, mas eu quero romper essa barreira. Quero ser seu até em pensamento, como tenho sido, como quero ser sempre...

Só, com o blog e com o Boby, fico aqui. De e-mail em e-mail, de música em música, de mensagem em mensagem e de ligação em ligação...

te espero.

te espero porque te amo e acho que, mais do que tudo, você é uma mulher tão digna, tão capaz, tão merecedora, que você merece todo o meu esforço e respeito.

Que fevereiro leve o tempo que levar... porque eu quero que você aproveite e porque, depois, EU quero estar com VOCÊ. E só.

Ah, e feliz ano novo para todos!!

Que o novo ano seja repleto de paz, tranqüilidade e realizações positivas!

Um abraço e beijos que agora já deve estar passando o desenho do Charlie Brown...

Fitting

Às vezes, algumas coisas que escrevemos parece que foram feitas para serem publicadas em outra época. Na tradicional arrumação-de-fim-de-ano-da-escrivaninha acabei encontrando algo que tinha feito durante o período de férias de julho.

     Sujeito sujeito

     Era um sujeito sujeito a qualquer uma. Até que o fizeram objeto, sem adjunto, nem ligação.
     Todos seus subordinados ficaram mal empregados. Seus sentidos transitaram! Era um sujeito, não objeto! E merecia respeito: todos tinham que concordam com ele! Pensou e achou a solução. É isso! Ser mau e não concordar com mais nada: todas as ações ficariam incoerentes! Teriam de se subordinar à força! Nada mais de agente da passiva!
     Mas aquela uma imperava e, transitando, concordou com ele. Ela se definiu a ele direta denotativamente e, ao mesmo tempo, se declarou sem concessões:
     – Sua existência coordena minhas orações!
     Ficou atônito... Até o tum-tum baixar e fazer-se conformativo. Aceitou-lha.
     Tempos e circunstâncias depois, concordaram em conjuntar-se. De objeto, ele passou a sujeito, e que agora é só sujeito à sua amada, Regência Regina.
     O Sujeito e a Regência voltaram aos seus lugares e hoje são felizes assim: compostos.


Rodrigo, colega de trabalho, lendo a minha idéia, acabou escrevendo isso. Técnico, mas também interessante. Aviso: para completa compreensão é necessário conhecimento de classes gramaticais. :P

O sujeito dominava a todos.
Nem todos eram dominados pelo sujeito.
Alguns se revoltavam contra o sujeito.
Tem gente que nem mais dá bola pra ele.
Pobre sujeito.


Coisa de gente que, enquanto os alunos estão de férias, fica bolando questões para os simulados de Português... Entre um café e outro, surgem idéias assim, que na hora parecem pura diversão, mas que, olhadas em outro contexto, fazem bastante sentido.

domingo, 24 de dezembro de 2006

A volta que é ida

Depois de meses no escuro...


Um celular.

– Meus créditos tão acabando e já vamos...

– Eu te ligo!

Mas eu não tinha crédito. Tinha um cartão para colocar crédito, o que esquecera de fazer havia tempos. A Mayra, também no carro comigo, me ajudou pondo os créditos no meu celular enquanto eu dirigia. Tentei de novo: telefone fora de alcance. E de novo, nada. Concordei com a co-piloto temporária: foi "broxante".

Tudo bem... Te espero.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

     Americanatípica

     Frio típico de São Paulo e um feriado atípico.
     Beatles a 4 vozes, curtir a estrada e a copilotânsia de chegar. Tentar esquecer o ponto de chegada para se concentrar na jornada, típico. Repleto na estrada, da vida...
     Casa da vó faz entender que algumas coisas na vida passam e que outras valem a pena. E que vida vale a pena? "A maior felicidade do mundo é ver vocês felizes". Atípicos sentimentos e atípicas situações.
     Parque Ecológico para ver os pingüins, que não estavam lá. O que era presente era a felicidade. Rindo, senti-me tendo família, belonging. Uma vez mais, com amigos. E chorei.
     E me abri e me expus e batuquei, nervoso, e pensei. E quis saber: onde estava a Vivian para ver o Melman? Por que fui a tantos lugares e não fui conhecer o Rio da Rapha? E por que...? Por que sempre fomos distantes uns dos outros?
     O típico seria eu escrever agora sobre o abaixo-assinado de um chimpanzé que não vi e outros recortes, outras peculiaridades sem importância e que não acrescentam em nada, mas não hoje.
     Hoje o dia foi atípico... e pensei em tudo. Tudo que há de certo e de errado, não nos outros, mas em mim. Atípico.
     Positionings...? Regras... e limites...? Prós... e contras...? Attachment... e dettachment...?
     *suspiro*
     O que eu valorizo?




     Se você pudesse mudar uma coisa em sua vida, o que você mudaria?

Arcano 20 - O julgamento (quando eu achar a carta, eu ponho :P)

"TAROLOGIA: nos tarôs clássicos e modernos, [a carta] revela que um anjo, símbolo entre os planos espiritual e material, está tocando uma trombeta, símbolo da anunciação divina; ele se concentra nas nuvens, símbolo da porta celestial. Os seres humanos retratados estão nus, sem máscaras ou ilusões, e rezando, o que simboliza a resignação, a espera, o resultado, a expectativa do novo, da ordem superior e inquestionável. A lápide, símbolo da expiação - mentira ou verdade, ignorância ou nobreza -, está aberta e exposta para que todos vejam e analisem a realização, a obra e os caminhos futuros; observar e aceitar as opções oferecidas pela vida é uma sabedoria adquirida e não uma cultura social imposta. Este arcano sugere o renascimento, uma nova vida, um futuro diferente, progresso e desenvolvimento. Nada nem ninguém será como antes: surpresas, revelação, mudanças (grifo meu)(Para um melhor entendimento da potencialidade deste arcano, pesquise as seguintes palavras: transcendência, novidade, carma, destino, espírito, espiritualidade.

TAROMANCIA:
1) Material - novidade, supresa, renovação, oportunidades (originadas pelo destino).
2) Mental - meticulosidade, crítica, intelectualidade, análise do novo.
3) Sentimental - novas emoções, vontade, expectativa, afeto.
4) Espiritual - fé, compreensão, vivência, iluminação.

*Advertência para os quatro planos: aceitar a mudança e a nova vida, ela é bem melhor.
*Em casa de conselho, perdoar, transcender e buscar a paz interior."


(Fonte: NAIFF, Nei. Curso completo de tarô. Nova Era. Rio de Janeiro: 2004.)

quinta-feira, 24 de agosto de 2006


As I am

"To those who understand,
I extend my hand
To the doubtful I demand,
take me as I am
Not under your command,
I know where I stand
I won't change to fit your plan,
take me as I am"

As I am

Só uma banda com dois taurinos poderia escrever um refrão tão cabeça-dura.

É assim que somos.
Mas isso às vezes machuca as pessoas...

Mas pra uns realmente dá vontade de gritar esse refrão.

Ou isso:

"I wanna feel your body breaking
Wanna feel your body breaking
and shaking
and left in the cold
I want to heal your conscience making
a change o fix this dying soul
this dying soul"

(This Dying Soul)

E tem que ser muito cabeça-dura pra, mesmo sabendo que machuca, continuar fazendo. Passando pela ignorância, isto pode beirar a idiotice em casos extremos. Usar isso como um refrão na vida pode fazer com que a credibilidade seja abalada com todos ao redor. Eu sei porque às vezes também sou assim. Mas saber que...

"Birds always grow silent before the night descends
Cause nature has a funny way of breaking what does not bend"
(Innocence Maintained)

... é um passo para tentar se melhor. Para si e para os outros.

(A repetição daqueles refrões só podia ser coisa de taurinos. E uma pérola dessas, no meio da música, sem ficar martelando, só podia ser coisa de pisciana... Ah, Miss Kilcher...)

By the way, já pensou no formato que um frágil graveto fica quando se quebra sem romper?