terça-feira, 21 de setembro de 2004

EXPO Friend

Pequenos contos. São sempre pequenas contas no imenso cordão que é a vida. Hoje revi um amigo. Não, não um qualquer, um grande amigo. Tudo bem, tenho alguns, alguns vi nascerem, cresci com outros, mas esse eu encontrei no caminho. Como tudo que ela mudou na minha vida, dessa vez a música me fez conhecer e tocar com esse cara. Outras coisas nos fizeram separar. Mas uma vez por ano a cidade fica pequena e conseguimos nos encontramos. Nada melhor pra isto do que uma feira de música. Do pó ao pó, das cinzeiro ao cinzeiro. Foi com a namorada, que eu só conhecia de terem me dito. É, simpática. Bonita e tal. O caso é que andamos, vimos instrumentos, revistas, stands, cds, aquela galera... famosos etc. Pusemos o assunto em dia e rimos e lembramos que na vida ainda há coisas boas, como o Bob's. (Não sei quem leria isso mas espero que não importe.) Um riso e mais uma perspectiva triste da minha vida e mais um riso e... É, a minha é assim. "Anyway", ele diria. Grande garoto! Não mudou nada apesar de ter desromantizado a sua história amorosa anterior. Meu, aquilo era um modelo pra mim, minha esperança de vida... É, dinheiro só estraga as coisas (é mentira, mas a gente finge). O mundo dá voltas... Legal, ela agora. Simpática. É um ritual da sociedade, levar a namorada pra conhecer o "ex-"melhor amigo. Mas isso vai acabar e vamos nos ver mais vezes. Ele promete e, quer queira quer não, a gente dá certo musicando juntos. Vai assistir minha banda gravar, quer aprender, crescer na vida, mudar de ares. Fala que quer conhecer o Derek, rever o Fernandinho. Continua gente finíssima. Mais realista, pé-no-chão, mais parecido comigo. É um cara pra se ouvir e pra se falar. Genial às vezes. Me sinto até mais sábio perto dele. Fala bem, ele. Já era assim e o curso fez ele melhorar. A menina tem sorte, deve merecer. Ele podia ser mais modesto às vezes, mas eu também sou assim... Se eu conhecesse uma menina no cursinho que fosse assim...! Mas cursinho não dá... É foda... E a vida continua e amanhã já é segunda de novo e tem aula de matemática...

quinta-feira, 16 de setembro de 2004

Divagações sobre o Orkut

Engraçado como a nova mania da internet, o Orkut, deixou todos os blogs meio em stand-by. Ainda há pouco chegou mais um, só que um pouco melhorado, o Multiply.

Qualquer que seja o blog, é difícil ele não estar sendo afetado por essas febres de ligação de amigos. Engraçado esse fenômeno... O intuito dele seria aproximar as pessoas, certo? Só que há aí uma dubiedade. O site foi criado para aproximar as pessoas, mas faz com que as pessoas não queiram desgrudar dele. Ou seja, faz você ficar com a cara na tela do seu pc ao invés de te fazer ir conversar com seus amigos. A idéia de uma aproximação das pessoas, então, parece ser pura fachada. É divertido? É. Não estou negando isso, mas a sua intenção pode não ser boa.

E, como um pouquinho de paranóia nunca é demais, tudo isso pode estar sendo para atrair clientes para um novo produto, ou para coletar informações sobre as pessoas, como dados preferenciais, gostos, etc. Esta seria a pesquisa de campo perfeita para a criação e divulgação de qualquer produto. Essa idéia não é minha, claro. Foi da Super Interessante, revista em que saiu uma matéria sobre o Orkut, o iraquiano criador do site.

Ainda não sei exatamente onde quero chegar com isso. O importante é estar alerta para o tipo de dados que se fornece a esses sites, pois sua caixa de e-mails de repente pode começar a superlotar de propagandas ou virus e você não saber o porquê.
Olga
(Brasil - 141 min - 2004)

     Olga Benário teve uma história linda, um pouco super-dramatizada no filme, mas bastante emocionante e sofrida. Uma história política e de amor. Para o filme ser mais rentável, porém, a trama afetiva (o amor por Luis Carlos Prestes e depois pela filha) é que foi a mais explorada.

A história desta mulher por si só já emociona. Seus sofrimentos são tristemente bonitos: acreditar numa liberdade que vai contra o poder e a imposição do governo, acreditar que a prática dessa liberdade é possível e ser pega pelos nazistas. Entretanto, para causar maior comoção, Jayme Monjardim usa closes nos rostos que chegam a ser apelativos e acabam tirando um pouco do drama natural da história.

Camila Morgado está bem no papel principal. Osmar Prado como Getúlio Vargas está excelente. O que não ajuda é o roteiro, fraquíssimo. Diálogos fora do lugar, forçados, excessivamente didáticos, frases daquelas que uma pessoa na situação deles nunca diria na vida real. A direção deixa um pouquinho a desejar, especialmente nos ângulos de câmera, mas nada que comprometa o filme. Em contrapeso, o cenário e a pós-produção estão perfeitas. Dignas de qualquer "blockbuster" americano, bonito de se ver.

O filme Olga foge um pouco da temática social de violência alarmante com realismo irônico, gênero esse que tem se transformado na tradição do novo cinema brasileiro, mas a história do livro de Fernando Morais – no qual o filme se baseia – deve ser infinitamente superior à das telas.
(fui escrevendo durante o evento, mas como não tive tempo de postar...)

     

Chegou a hora da maior festa de confraternização deste planeta: os jogos olímpicos! A época em que homens e mulheres mostram seu melhor, competem quebrando barreiras e testando limites, os jogos da coroação eterna!

Nada é maior que esse espírito de união! Nem que seja só em espírito...

Não poderia ter mais sentido para um país que é formado de ilhas ter como símbolo de uma olimpíada nele realizada as ondas do mar. E nada mais lógico do que outros países cercados de água serem as grandes sensações, seja como a música-tema da islandesa mais falada do mundo, seja como o destaque da Austrália nos esportes, especialmente os aquáticos.

A abertura, que maravilha! A estátua se desfazendo em pedaços com os formatos das ilhas gregas! O deus grego voando, a história do país contada num tempo tão curto! A beleza de formas, cores e luzes! E o desfile das delegações da Comitê Olímpico Internacional, que tem mais nações do que a Organização das Nações Unidas, aparecendo na ordem alfabética grega! Até cabe uma pequena aula desse alfabeto interessante:

             

Fora a oportunidade única de ver em rede nacional esportes nada tradicionais para as emissoras brasileiras, como ginástica rítmica, saltos ornamentais, esgrima e judô.

E para quem assiste somente ao horário nobre da Globo, aparecem países antes desconhecidos como Mali, Burkina Faso, Sérvia & Montenegro, Bielorússia, Lituânia, Chipre e muitos outros. "Nem sabia que tem futebol no Iraque!", surpreende-se um senhor assistindo à derrota portuguesa para a equipe árabe.

A infraestrutura foi bem feita, às pressas como o brasileiro gosta, mas bem feita. Mas o melhor mesmo foi o site (http://www.athens2004.com). Muito bem pensado e muito completo. Todas as informações de todos os esportes. O único defeito foi a falta de um quadro de medalhas geral, classificado por país, não só por esporte.

O Brasil até levou ouros! Mas isso não importa tanto. O que importa é o espírito de equipe, o "fair play", a disputa por resultados pesoais, a superação de limites e a glória de poder participar de um evento tão grandioso como os Jogos Olímpicos!

Em Pequim, ou Beijing, aposto como tudo será melhorado. O site de Beijing2008 deverá ser arrasador! Assim, como a participação da China, claro.

Pra fechar o post, a letra da música-tema, com sua tradução (não literal) feita por mim. Eventuais reclamações, faça uma melhor e me mande. :P

Oceania
(Björk Godmundsdottir / Sjón Sigurdsson)

One breath away
from Mother Oceania
your nimble feet make prints
in my sand

You have done
good for yourselves
since you left my wet embrace
and crawled ashore

Every boy is a snake is a lily
every pearl is a lynx is a girl

Sweet like harmony
made into flesh
you dance by my side
children sublime

You show me continents
- I see the islands
you count the centuries
- I blink my eyes

Hawks and sparrows
race in my waters
stingrays are floating
across the sky

Little ones
- my sons and my daughters
your sweat is salty - I am why
I am why
I am why
your sweat is salty - I am why
I am why
I am why


Oceania
(Trad.: Raphael Aguirra)

A um instante distante
da Mãe Oceania
seus pés ligeiros deixam pegadas
em minha areia

Vocês fizeram
bem a si mesmos
quando deixaram meu úmido enlace
e nadaram à praia

Todo garoto é uma cobra é um lírio
Toda pérola é uma lince é uma garota

Doce como a harmonia
feita em carne
vocês dançam ao meu lado
crianças sublimes

Vocês me mostram continentes
- Eu vejo as ilhas
Vocês contam os séculos
- Eu pisco os olhos

Águias e pardais
correm em minhas águas
Arraias flutuam
céu afora

Pequeninos
- meus filhos e minhas filhas
seu suor é salgado - eu sou o porquê
eu sou o porquê
eu sou o porquê
seu suor é salgado - eu sou o porquê
eu sou o porquê
eu sou o porquê