Neo-hippies
02 Neurônio
(fonte: Folhateen)
>>Jô Hallack >>Nina Lemos >>Raq Affonso
02neuronio@uol.com.br / http://02neuronio.blog.com.br/
QUANDO ÉRAMOS teens, a frase "odeio hippie" era um de nossos mantras preferidos. Só que o tempo passa e a gente troca de mantra. Hoje, é "odiamos neoliberais". E, mais do que isso, começamos a perceber que aquilo que os hippies pregavam era bem legal. Por isso resolvemos sair do armário. E com orgulho assumimos, somos neo-hippies. Significa que:
Queremos ficar em paz
Sim, sabemos que todo mundo tem um lado agressivo. Mas tentamos cuidar do nosso lado tacando a cabeça na parede sozinhas em casa se necessário. Não achamos nada bacana ser agressivo com os outros. E, cada dia mais, desprezamos as pessoas que gritam: seja um chefe, um professor de química ou um pretê.
Até somos a favor do amor livre
Ficar com um amigo pode ser legal, bem mais bacana do que beijar um babaca, ou um careta, como os nossos amigos hippies diriam. Só que somos neo-hippies -e não hippies- por isso achamos que tudo no mundo tem limite. E que essa coisa de ficar com outras pessoas e "contar para o companheiro", como era moda nos anos 70, é uma roubada fenomenal.
Quase moramos em comunidades alternativas
Sim, alguns dos nossos exs são bem vindos em nossas casas, inclusive com suas atuais namoradas. Se o ex fica amigo, acabamos achando que ele é meio parte da nossa família, que, é claro, é formada pelos nossos amigos.
Achamos ridículo querer ganhar muito dinheiro
Na sua escola deve ter um monte dessas pessoas. Elas querem vencer na vida a qualquer custo. Provavelmente vão conseguir. Só que esse vencer na vida é bem relativo. Vocês acham mesmo que ser um vencedor é trabalhar 14 horas por dia e passar por cima dos outros só para se dar bem na firma? Aliás, achamos uma babaquice tremenda dividir o mundo em losers e winners.
Gostamos de nos sentir "on the road"
Muito bacana pegar uma mochila e sair por aí. E não estamos falando de pacotes turísticos para a Disney. Pegar carona hoje é perigoso. Mas sonhamos com longas viagens de trem. E achamos que um mês de felicidade por causa de férias na Europa é muito pouco.
Voltamos a gostar dos Beatles e do Caetano
Calma. Ainda acreditamos no faça você mesmo e que três acordes bastam para tudo. Por isso, assumimos que ainda odiamos rock progressivo e guitarristas virtuoses.
As meninas estão com tudo! Exceção à última parte, em que:
Três acordes não bastam para tudo. Irgh!
Rock progressivo é bem legal, as well as guitarristas virtuoses.
E, sim, eu leio "Folhateen".
terça-feira, 27 de maio de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
Poema Play
"A dança das canetas: uma vida anotada"
Tremíamos "feito vara verde",
como nossos pais.
Os números já tinham dançado
sua dança louca
nas falhas planilhas e bloquinho
para formar o grande bloco de notas
que ainda não temos...
Pós almoços homéricos,
de Itiriki à Ogawa,
o segredo é conter-se.
Ficaram pra trás
a falsa valsa e
a farsa da máscara neutra:
pura sensação extravasada pela caneta,
um tango apaixonado no papel das Notas.
Os olhares cúmplices...
Nós, em dois, em um nome
depois de tomarmos tantas notas,
a sublimação de escrever-nos tantas vezes virou
o champanhe
do contrato selado,
gelado,
visto que sem Li (ou Sueli).
Mas a Glória nos chama ao longe
de longos anos...
Era como se fosse a nossa primeira vez
E, de fato:
(memória)
nervoso feliz
(memória)
instigado querendo
impulso
e o sorriso
(sorriso)
duradouro
(e certo)
"Play"
Simples assim.
O significante significativo!
O grito ficou preso na pressa
já que 7min nos separam
do Ipiranga,
reproduzido nos livros de história
direto para nossa História.
Os parabéns das finanças humanas
nos olhos e nos SMSs.
Assim como quem brinca,
lendo A Regra do Jogo,
crescemos.
Ao fim de uma semana,
como toda boa idéia,
é bom escrever e gravar
pra sempre:
Eu e o folder entrando na casa paterna
O beijo para o trabalho feliz
Os parabéns "splash and go"
A mensagem celular
A chamada ao longe
Às palmas escrituradas
As fotos e o poema
"A dança das canetas",
com suas notas, que,
oxalá, se Deus quiser e a Deusa permitir,
vão virar música para dançarmos
juntos...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Wonderful tonight
(Eric Clapton)
It's late in the evening; she's wondering what clothes to wear.
She puts on her make-up and brushes her short pink hair.
And then she asks me, "Do I look all right?"
And I say, "Yes, you look wonderful tonight."
We go to a party and everyone turns to see
This beautiful lady that's walking around with me.
And then she asks me, "Do you feel all right?"
And I say, "Yes, I feel wonderful tonight."
I feel wonderful because I see
The love light in your eyes.
And the wonder of it all
Is that you just don't realize how much I love you.
It's time to go home now and I've got an aching head,
So I give her the car keys and she helps me to bed.
And then I tell her, as I turn out the light,
I say, "My darling, you were wonderful tonight.
Oh my darling, you were wonderful tonight."
Mesmo que não tenha sido perfeito, é assim que quero me lembrar da noite de ontem.
Faço aqui uma pequena homenagem a uma amiga que recentemente passou na USP. Depois de dois anos de Etapa, a gente acaba ficando bem mais próximo dos alunos.
Há mais ou menos um ano, marcamos - eu, a Fe, a Na e a própria Tathy - de ir beber no Tchê, perto da SJ. Foi bem legal e emocionante a noite que registrei em versos.
Cervejada com amigas
Esperei-as no metrô
Fernandinha e a Tathy
"A Natasha vem depois"
São Joaquim, o que é o Tchê?!
Profundezas de um boteco
Apagado, tenebroso,
Só sinucas e cervejas
Sem sequer u'a musiquinha...
Na partida tomei pau,
Chega a Na e traz notícias.
Às chamadas celulares,
choros, risos e abraços...
e conversas...
e cervejas...
e partidas...
e lembranças...
Todo mundo abre a vida
E ninguém é mais criança.
Deu vontade de crescer.
Descobertas bastante chocantes
Antes nunca imaginadas
Saindo de todos os lados
Pra gente dar risada
E se sentir mais próximo
E ser mais
Amigo
E adulto
Sem perigo
Mesmo com garotas
Com tacos e bolas
Amizade "sem cheia de dedos"
Com histórias e conselhos.
Super divertidos!
"I love you all forever and ever".
(Raphael Aguirra)
=)
Parabéns, srta. "5º lugar em Artes Plásticas"!!!
sábado, 19 de janeiro de 2008
terça-feira, 30 de outubro de 2007
É aquele papo, filme vai, filme vem... 31ª Mostra e tal... Tarantino foda, El orfanato foda, uns mais ou menos, outros menos... Mas, depois de tanto tempo no mudo, resolvi falar...
Nome próprio
Pois é. De novo, to apaixonado... Não fiz uma música porque ela não saiu. Virou texto. Esse. Às vezes é preciso fazer as coisas virarem textos.
Minha paixão antiga tava linda hoje. Não olhei tanto pra criatura. Olhei mais pra criadora: Clarah. O tal do Nome próprio nem é tão bom.. É meio cansativo, repetitivo e deixa as pessoas "chapadas" na tela, "tudo no mesmo plano", diria meu professor de Literatura e Cinema. Conflitos sociais não aparecem. Não explicitamente. O mote é o indivíduo, e nem por isso o filme tem uma perspectiva egocêntrica. (Ou tem e sou eu que não vejo porque me identifico demais?) Crítica às favas, me peguei pensando; e não é isso que um filme tem que fazer?
O que de fato me chamou a atenção é que esse filme me fez sentir. Me fez sentir o que eu senti quando li o Máquina de Pinball, da mesma Clarah Averbuck, a "Brasileira!Preta". Senti uma imensidão vazia, que é cheia de vida; "um meio de transporte pra quem tem coração cheio".
Fico aqui tentanto definir uma coisa meio indefinível. Sou fã da Clarah. Tenho o livro autografado: um pedaço de papel rabiscado com um nome. So what? Não, isso não é ser fã. Eu sempre soube e ela me ensinou a me ensinar de novo. Sou fã da VIDA dela, da vida desregrada, sem amanhã, sem ontem, só hoje. – É um Cazuza não-burguês e sem AIDS... e mulher... É, não tem nada a ver. – Sou fã porque minha vida não é assim, minha vida é de "Oi, tudo bem? Dúvida? Sim, Gramática, Literatura, Redação. Olha, tenta refazer e traz a nova junto da antiga pra gente comparar... De nada... Bons estudos... Volte sempre...". E o pior é que às vezes eu gosto, mas reconheço que pode ser estupidificante se a gente não conseguir pôr o que somos de verdade, de carne e osso e alma, no trabalho. Acho que gosto dela porque ela faz o que gosta, minto, faz o que ama. Sou fã disso, da postura, dela.
Esse é o mundo em que vivemos. Do tal do dinamismo, modernidade e esse caralho. Nos faz ter ídolos que são o que não somos. Mesmo que se fodam por não terem dinheiro, não terem bem onde dormir, são fodas mesmo assim. Têm amigos, mesmo que esses os traiam depois, têm amor pelas coisas, pelas pessoas, pela vida. Intensamente hoje. Eu a vi e me vi na tela. "Não as duas que ele teve, mas só a que eles não têm". Apaixono por todas elas: Clarah, Camila e Leandra. Lindas. Paula também. E todos que se metem nos seus caminhos. Sinto falta de amar as coisas; de me ler nos livros, de me ouvir nas músicas. Por isso escrevo eu mesmo, quando me falta o eu no que vivo. E me sinto mais inteligente - e até capaz de escrever coisas inteligentes - depois de sentir a presença dela(s). Mas, ao mesmo tempo, não.
No fundo, acabo que sou como o nerdzinho metido a entedido de cultura que cresceu regado à superficialidade de tudo-à-mão e de filme pornô, mas que não sabe tratar direito uma mulher e paga um pau pra uma mina que tem uma vida que nunca vai ser a dele porque nerdzinhos metidos a entendidos de cultura só podem ter vidas regradas e dependentes do dinheiro, sem nunca saber o que é amor, quando muito só sexo.
Quem acreditaria que esse sou eu?
Escrevi isso, já é algum avanço. (Talvez não.) Nem fiquei excitado (conforme o padrão de estímulo-reação do gênero masculino) ao ver o corpo da Leandra/Camila. Isso é mais avanço. Mas só isso não é aquilo.
Eu? Só queria um pouco de vida. Ou de paixão, que dá no mesmo.
Enquanto não, sigo à busca de um Nome Próprio, algo meu, seja Compositor, Cineasta, Escritor, Amigo, Fuck Bud, Poeta, Namorado, Plantonista de Português ou Raphael. Só não pode ser Clarah, Camila ou Leandra. Esses já têm Pessoas. E me apaixono, pelas três e por tudo, sem nunca amar.
Talvez esse seja o erro.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Björk vai se apresentar no Tim Festival deste ano
Ok, agora fodeu.
Ainda mais no mês da Mostra?
É, fodeu.
E o sonho de ver show dos meus cinco favoritos está se concretizando, mas ainda falta o Radiohead.
Se bem que com a volta do Police e do Genesis...
Bom, meio caminho andado.
Björk, aqui vem ela!
quinta-feira, 28 de junho de 2007
"Pedro pedreiro, penseiro, esperando o trem..."
Desconheço quem seja, mas o texto fala por ele.
"Deu no Le Temps de sexta-feira: Eugenio Fernandez passou os últimos oito anos no fundo do poço, ou melhor, do buraco, escavando o túnel do Lötschberg, o terceiro maior do mundo. Foi o ápice da carreira do mineiro espanhol, que, nos 36 anos em que morou na Suíça, passou 34 debaixo da terra. Ele e sua equipe suportaram as condições desgastantes da obra graças à solidariedade e ao orgulho do trabalho bem feito. No fim, foi despedido. Nem pôde participar da festa de inauguração, pois nenhum dos trabalhadores foi convidado.
Lembra o "Pedreiro Valdemar", do samba composto por Wilson Batista e Roberto Martins, sucesso na voz do cantor Blecaute no carnaval de 1949:
Você conhece o pedreiro Valdemar?/ Não conhece/ Mas eu vou lhe apresentar/ De madrugada toma o trem da Circular/ Faz tanta casa e não tem casa pra morar.// Leva a marmita embrulhada no jornal/ Se tem almoço, nem sempre tem jantar/ O Valdemar, que é mestre no ofício,/ Constrói um edifício e depois não pode entrar.
Parece que, nem aí nem aqui, nem ontem nem hoje, nem Eugenio nem Valdemar estão perto de ver a luz no fim do túnel.
José Ignácio"
segunda-feira, 28 de maio de 2007
"A televisão me deixou burro, muito burro demais"
E-mail escrito por uma amiga, sobre a greve da USP.
Peço que repassem artigo em defesa das reivindicações estudantis, escrito pelo professor da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), cadeira de Latim, escreveu para a Folha, porém, foi vetado.
Ele explica, baseado na documentação oficial, quais foram os motivos pelos quais USP, UNESP e UNICAMP entraram recentemente em greve.
Creio que, ao contrário do que tem feito a mídia, este seja um relato bastante informativo a respeito da crise das universidades paulistas.
O artigo, convém ressaltar, foi vetado para publicação por parte de Uirá Machado, Coordenador de Artigos e Eventos Folha de S.Paulo
Att.,
Camile Tesche
Autonomia, Justiça, Ocupação e Certa Imprensa
Paulo Martins
Professor Doutor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP, Vice-coordenador da Pós-graduação em Letras Clássicas.
De acordo com dados oficiais e oficiosos, a Universidade de São Paulo responde por grande parte da pesquisa produzida no país (26.748 artigos publicados no Brasil e no exterior) e, seguramente, é ela também responsável por oferecer o melhor ensino de graduação ( 48.530 alunos) e de pós-graduação (25.007 alunos), alimentando, pois, o "famigerado mercado" com profissionais competentes. Além disso, poder-se-ia pensar em sua atuação junto à população como extensão de suas atividades que, muita vez, são essenciais principalmente aos cidadãos carentes de nosso "rico estado". Um bom exemplo: o atendimento feito no Hospital Universitário em 2006 a 255.597 pacientes em regime de urgência e 160.565 pacientes, no ambulatório[1] [1].
A quem, então, se deve a qualidade de ensino, pesquisa e extensão que leva, por exemplo, a Universidade de São Paulo a ser ranqueada pelo Institute of Higher Education da Universidade de Shangai (Academic Ranking of World Universities - 2006) como a melhor Universidade da América Latina ou a figurar entre as cento e cinqüenta melhores do mundo, ou ainda, de acordo com a Webometrics Ranking of World Universites como a primeira entre os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China)? A resposta é vasta, pois passa pela qualificação dos professores (dos 5.222, 96,3% têm titulação de doutor), pelas bibliotecas (39 com 6.907.777 volumes), pelos 47.866 alunos com acesso a microcomputadores. Mas pode ser resumida em uma só palavra "autonomia".
Essa, de acordo com o Dicionário Houaiss, entre outras possibilidades, é: "capacidade de se autogovernar; direito reconhecido a um país de se dirigir segundo suas próprias leis; soberania; faculdade que possui determinada instituição de traçar as normas de sua conduta, sem que sinta imposições restritivas de ordem estranha; direito de se administrar livremente; liberdade, independência moral ou intelectual. " Pois bem, a Constituição Brasileira, em seu artigo 207 (com acréscimos da Emenda Constitucional no. 11), estende o preceito às Instituições de Ensino Superior, propondo:
"As universidades gozam de autonomia didático-cientí fica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão."
Tal aplicação também ocorre na Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 254:
"A autonomia da universidade será exercida, respeitando, nos termos do seu estatuto, a necessária democratização do ensino e a responsabilidade pública da instituição, observados os seguintes princípios:
I - utilização dos recursos de forma a ampliar o atendimento à demanda social, tanto mediante cursos regulares, quanto atividades de extensão;
II - representação e participação de todos os segmentos da comunidade interna nos órgãos decisórios e na escolha de dirigentes, na forma de seus estatutos."
Foi, justamente, aplicando o conceito à administração didático-cientí fica e à gestão financeira, orçamentária e patrimonial que, a partir de 1988, a população brasileira observou um aumento significativo dos indicadores de produtividade das universidades ainda que restrições severas devam ser feitas à avaliação do desempenho universitário, tendo por base única e exclusiva os dados estatísticos, dada a diversidade e universalidade das atividades acadêmicas, que não podem e não devem ser avaliadas da mesma maneira sempre. Mesmo assim, vale ressaltar que a partir da promulgação da Constituição até 2006, por exemplo, a produção científica da UNICAMP aumentou 602% e o número de vagas de graduação e pós-graduação nas três Universidades sofreu um aumento inquestionável.
Por sua vez, 2007 assiste a uma agressão séria à justiça, princípio moral em nome do qual o direito deve ser respeitado, e ao Estado de Direito, dentro das Universidades Estaduais Paulistas, isto é, assiste a uma transgressão velada da Carta Magna do país e do estado. Sob o pretexto da transparência administrativa, o governo José Serra solapa, a uma só penada e ao arrepio da lei maior, uma conquista da comunidade acadêmica ao publicar "seus" decretos 51.535/07 (que dá nova redação ao artigo 42 do Decreto nº 51.461, de 1º de janeiro de 2007, que organiza a Secretaria de Ensino Superior.), 51.460/07 (que dispõe sobre as alterações de denominação e transferências que especifica, define a organização básica da Administração Direta e suas entidades vinculadas), 51.461/07 (que organiza a Secretaria de Ensino Superior), 51.636/07 (que firma normas para a execução orçamentária e financeira do exercício de 2007) e 51.660/07 (que institui a Comissão de Política Salarial).
Assim, esses decretos, sob o falso e mentiroso resguardo da autonomia, impedem a contratação de funcionários e professores; dispõem do patrimônio das Universidades; vinculam a dotação orçamentária a necessidades práticas e imediatas do mercado e não permitem a livre negociação salarial. Exemplo, propriamente dito, pode ser facilmente aferido num rápido exame de um dos artigos do decreto 51.471/07:
"Artigo 1º - Ficam vedadas a admissão ou contratação de pessoal no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta, incluindo as autarquias, inclusive as de regime especial, as fundações instituídas ou mantidas pelo Estado e associedades de economia mista.
(...)
§ 2º - O Governador do Estado poderá, excepcionalmente, autorizar a realização de concursos, bem como a admissão ou contratação de pessoal, mediante fundamentada justificação dos órgãos e das entidades referidas no "caput" deste artigo e aprovada:"
Vale dizer que as Universidades Estaduais Paulistas são Autarquias de Regime Especial e, portanto, como se pode observar, apenas o Senhor todo poderoso governador do Estado de São Paulo pode efetivamente contratar professores e funcionários para as Universidades. Bem, se essas não podem contratar quando bem lhe aprouver, então sua autonomia inexiste. Esta é apenas uma confirmação do quanto se mente quando se governa. Assim, o repúdio a tais decretos, acrescido de outras reivindicações não menos justas, associado a certa inabilidade política da dirigente máxima da USP, a reitora Professora Suely Vilela, provocaram a crise em que vive hoje a Universidade, que foi coroada com a ocupação das dependências da Reitoria da USP.
Ainda quanto aos decretos, eles soariam muito naturais, esperados e desejados se a sociedade, real proprietária e beneficiária das Universidades estaduais, de alguma forma, encontrasse nelas irregularidades que maculassem a probidade administrativa, ou ainda, não visse nelas um pólo de excelência que servisse de modelo para a educação fundamental e básica, esta sim mais do que vilipendiada pela administração direta de sucessivos governos estaduais, entre os quais aqueles a que se filiam os atuais mandatários do governo. Assim não satisfeitos de serem co-responsáveis com o fim da educação básica e fundamental de qualidade em nosso estado, lançam suas mãos nefastas e nefandas também sobre as Universidades.
Contudo, com desfaçatez e dissimulação, o governador José Serra e seu secretário José Aristodemo Pinotti, afora os asseclas e epígonos sem postos no governo (não sei como) de certa imprensa, mormente, "blogueiros" e articulistas de certa revista semanal, que, de passagem, prima por ser um veículo de pensamento único, disfarçada e dissimulada no pluralismo, no respeito às instituições e ao "Estado de Direito" teimam em transferir a responsabilidade da crise que hoje se vê na USP, UNESP e UNICAMP para aqueles que reagiram à agressão dos decretos e à falta de boa vontade dos dirigentes universitários. A mídia (de modo geral - há exceções) e Governo acusam os alunos de "invasores", desordeiros, baderneiros etc. Não escapam também às suas acusações professores e trabalhadores da Universidade de São Paulo. Seriam estes os manipuladores daqueles, massa acéfala, que, supostamente, incitada, tomou com violência as dependências da reitoria em nome de uma posição partidária ou, como preferem, "em nome de um programa comum da esquerda retrógrada", ou melhor, da "neo-esquerda" que abarcaria - vejam só - o PT, o PSTU, o PSOL e o PCdoB, como se esta unidade já não estivesse inviabilizada desde muito tempo. Afinal os bandidos "remelentos" e "mafaldinhas" ("que merecem ser entregues aos papais e mamães pela PM"), como um desses jornalistas se refere aos alunos da Universidade, estão tentando desestabilizar o governo por puro rancor eleitoral em nível estadual. Ridículo!
Se justiça há a partir da conformidade dos fatos com o direito, violência existe, sim, por parte de um terrorismo de Estado, travestido de respeito ao cidadão, encarnado atualmente pela política do ensino superior do Estado de São Paulo. Mais do que isso, o desejo do governo não é transparência, é, sim, ter poder decisório sobre os 9,57% da arrecadação de ICMS que em 2006 significou em valores absolutos 5,2 bilhões de reais.
O mínimo esperado do governo e da reitoria diante da crise universitária por eles criada é respeito real e concreto àqueles que trabalham e estudam nas Universidades Estaduais. Assim, ouvir a comunidade acadêmica, discutir realmente com ela, recebê-la de fato e, vez por outra, atendê-la em suas reivindicações, longe de demonstrar fraqueza - há que se pensar nisto, haja vista a possibilidade da retirada dos manifestantes pela força policial - são características dos verdadeiros homens de Estado e de efetivos administradores de universidades públicas. É uma pena, entretanto, que atualmente não encontremos nem estadistas no palácio dos Bandeirantes, tampouco bons administradores à frente da maior Universidade do país. Quanto a certos jornalistas, bem, diante deles me calo, afinal para que servem se apenas sabem servir ao poder constituído.. .
[1][1] Todos os dados numéricos foram extraídos do Anuário Estatístico USP - 2006.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
It's only rock 'n' roll but I like it
A greve desse ano tem gerado muita discussão, tanto pró quanto contra.
E quem é da FFLCH, de verdade, sabe da importância de se manifestar buscando seus direitos.
Os alunos decidiram aderir à greve - embora nem todos respeitem o posicionamento tomado em conjunto na assembléia dos centros acadêmicos (com direito, claro, à votação dos alunos). Diante disto, alguns professores sabem como proceder, outros não. Mas mesmo os que não sabem reconhecem a importância da decisão tomada nos órgãos que lhes (e nos) são representativos.
Como exemplo, eis a resposta de uma professora do Inglês a um e-mail de uma amiga sobre haver ou não aula.
Beth e demais alunos,
sim, estou sabendo da decisão dos estudantes de ontem à noite. Só não sabia dos piquetes. Isso provavelmente muda a situação anterior. Minha posição é a seguinte: a minha categoria, em assembléia da ADUSP na última terça, decidiu, por enquanto, apenas aprovar um indicativo de greve, mas sem data ainda definida. Vamos ter nova assembléia dia 23, para decidirmos se entramos em greve, o que eu, particularmente, acho e espero que aconteça. Assim, não estando em greve, tenho a obrigação e a responsabilidade de comparecer ao trabalho, por mais desconfortável que seja a situação de dar aulas, considerando-se que os estudantes e funcionários já estão em greve. Contudo, apóio a decisão dos estudantes, mesmo no que se refere aos piquetes. Pelo que vocês me relatam hoje, é de se prever que os piquetes continuarão amanhã e que, muito provavelmente, a atividade que conseguiremos realizar será de discussão da situação e de esclarecimentos, conforme o desejo dos estudantes em greve, relatado na mensagem da Juliana Chaves Souza, abaixo. Estarei lá, no prédio, amanhã, nos meus horários de aula, para o que for possível fazer - provavelmente as discussões desejadas pelos estudantes. Claro que, mesmo na improvável situação de levantamento dos piquetes e calmaria e conseqüente possibilidade de termos aula, não darei falta para ninguém, mesmo porque os estudantes decidiram entrar em greve e têm direito a não querer ter aulas. Mas, realisticamente, acho que vamos estar lá amanhã para discussões, apenas.
Até,
Marisa Grigoletto
Isso é ter postura.
Maiores informações: ADUSP.org.br
quarta-feira, 16 de maio de 2007
terça-feira, 8 de maio de 2007
Skol Beats '07
Eu já havia ido ao do ano passado, com o empurra-empurra do Prodigy, com direito a pessoas passando mal e dormir na grama gelada pra curtir um nascer do sol ao som de psytrance.
Neste ano, os caras inventaram dois dias de festa, com preço bem maior (R$140 cada dia, R$200 pelos dois dias), num lugar em frente ao Anhembi. Fui só no show de sábado, pois na sexta não tinha ninguém que eu quisesse ver.
Desta vez me preparei musicalmente, baixei sets, ouvi à exaustão. Escolhi a programação, tudo certinho. Chegando lá, o que me decepcionou logo de cara foi a única alternativa alcoólica ser a cerveja homônima à festa (argh!). Fora isso, a vitamina C ajudou a agüentar o pique (quem é que se droga com vitamina C??).
Depois daquela rodada básica inicial para reconhecer o terreno, sem dúvida o que me chamou mais a atenção não foi um DJ em especial, mas o sistema de som, especialmente do Palco Live. Cara, o que era aquilo?? Acabava deixando até o DJ mais patético com um som bem legal. Fazia valer o ingresso.
Como o MC não calava a boca um segundo durante o drum and bass do D-Bridge, resolvemos dar uma voltinha pelo evento, conhecer um pouco mais o que estava rolando. Praça de alimentação com pizza, temaki, sanduíche de mortadela, yakissoba, Black Dog (do mal)... Máquina de pegar bichinhos (do limão da Pepsi Twist), tenda Chill Out da H2OH! (super cousy), bar, banheiro, etc.
Atrações
Eu esperava abrir a nossa festa com o Propulse. E esperava um atraso já desde o começo. O atraso da festa não veio e não bateu com o meu: quando chegamos, o Propulse já havia saído. Ok. Um suspiro... Nem doeu tanto. O que eu queria mesmo ver era o Crystal Method, a Miss Kittin, o Murphy e o Marky.
Veio o Marky primeiro, meia-noite. Bem legal, dançável mesmo, um pouquinho cansativo (também, depois de duas horas...). Mas o som da sua tenda, sem dúvida, era o mais fraco, infelizmente. Foi um set "bom". Só "bom".
Roda aqui, roda ali, bebe um pouco e veio o Crystal Method.
Meu Deus! O que foi aquilo?? Tudo bem que eles não fizeram Live PA (como prometia a mídia), só trabalharam com discos mesmo, mas eles conseguiram misturar seu estilo Big Beat em músicas que eu jurava não rolar naquela noite, como "Killin' The Name" (do extinto Rage Against The Machine), que agitou um bocado, ou até em "Smack My Bitch Up", do Prodigy.
Faço minhas as palavras de Fábio Mergulhão:
"E eles vieram, breakbeat, um daqueles que toca em todo lugar hoje em dia. Mas foram pro techno, no hip hop, pros hits deles, um no final era vinheta da MTV (...). Acabou, espacial, break que não é "breakbeat" porque atrás tem uma moto ácida subindo e voltando em vai-e-vem e que faz ser Crystal Method - semelhanças óbvias com o óbvio Chemical Bros.
Será que eu gostei? O telão psy de ótima definição, as câmeras mostrando o trabalho dos DJs, o sistema de som cujos "graves ardiam na espinha e na nuca" (como li no rraurl.com) já faziam valer – ainda mais – o ingresso. Crystal Method não deixou pra mais ninguém.
Eu estava enlouquecido e quase sem forças, em plenas 4 e meia da madrugada. Chegou a hora da comida (yakissoba, delicioso), do banheiro, do descanso. Quase perdendo o pique, fomos à tenda The End para ver a "musa do electro", Miss Kittin.
A francesa chegou com um som baixo, pouco empolgante, às 6h. Com o dia nascendo e a pouca energia, as batidas eletrônicas foram deixando de ser empolgantes. O set da dita musa só confirmaram uma opinião que eu tinha a respeito do Laurent Garnier: francês não sabe fazer música eletrônica. Miss Kittin tinha um set chato, com muitas intervenções da sua voz aguda e chatinha, às vezes perdendo o tempo ao abaixar o volume e voltar para a música. Enfim, foi a decepção da noite. Fiquei realmente triste não só porque ela não tocou mais de uma música que eu conhecesse, mas porque o que ela tocou de fato não era bom. "Ela foi afetada pelo horário" se ouviam os comentários da galera, que tentava se sacudir meio sem ânimo. Aos poucos a tenda foi se esvaziando, e junto com os dissidentes, eu também saímos.
O descanso para esperar o Murphy debaixo de um solzinho irritante fez o sono e o cansaço serem superiores à vontade de ver um dos caras mais aguardados. Só a Vitamina C não foi suficiente para me manter desperto, especialmente depois de um dia de trabalho. Fomos embora (para tentar dormir um pouco no carro) antes do show do Murphy, uma pena.
Conclusão
Para o ano que vem:
- Beber antes de entrar, preferencialmente Tequila, coisas energéticas, e tal;
- Ouvir mais pelo estilo dos caras do que pelas músicas dos discos deles (já sabendo que quase ninguém toca músicas famosas de seus discos);
- E, definitivamente, não trabalhar no dia.
Balanço:
Vale a pena, mas tem que estar mais preparado para as mais de doze horas. E, sim, foi melhor do que ter se abarrotado em meio a multidões, correndo o risco de tomar borrachada da polícia ao assistir a um show que eu gosto da Virada Cultural.
É isso.
Por hora, "Voltando ao Rock Progressivo Mode: On".
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Letta fro "Under The Iron Show" 2 the man with "Crystal Ball"
Faaaala, mister!
Cara, te escrevo no meio da empolgação. Acabei de sair do show do Keane. Cara, cara... No words. Acho que só perdeu mesmo para o do Rush. A produção de palco, as luzes!!! Só três caras no palco e passam um puuuuta ânimo!!!
O tecladista tem, tipo, umas 5 bandejas de teclado. O vocalista toca (piano ou violão folk) em uma ou outra música. Mas eles são muito bons. Aparentemente, nada em playback. E os três cantam.
O cenário foi demais! Tinha um painel com (supostamente) uma pintura com vários ferros ("Under The Iron Sea"), além de objetos de palco que remetiam a coisas metálicas. Algumas luzes ficavam no topo de uns mastros altos. Outras ficavam em canhão no chão do palco. Agora, o mais louco foi uns painéis brancos, uns oito, espalhados, que mostravam projeções variadas, da própria banda tocando ao vivo, de imagens abstratas, de outras mais como se fosse num clipe.
Eles abriram com a "Under The Iron Sea", o que eu acertei, e emendaram com a animada "Put It Behind You". Antes de "A Bad Dream", eles falaram que a música havia sido feita com base num poema de um autor irlandês. Eles projetaram imagens de guerra enquanto legendas iam traduzindo o poema. Super tocante.
Tocaram uns 50min. Saíram e voltaram com "Crystal Ball", o hit do momento. Rolaram umas três músicas no bis, e fecharam com "Bedshaped" (que é umas das minhas favoritas). Além de agradecerem, algumas frases mais saíram em português. Fizeram a parte burocrática de agradar à platéia. Dedicaram ao Brasil a "We Might As Well Be Strangers", pertinente. Agora, pôr uma bandeira do Brasil sobre o piano e o baterista usar a camiseta do instituto do Senna, isso foi foda. =)
O palco tinha uma extensão que ia até o meio da pista, que não estava lotada, mas animada. Nesse meio da pista tinha 2 pianos colocados e parte da bateria. Eles tocaram duas músicas ali ("Try Again" e "Hamburg Song"), bem pertinho da galera. FO-DA.
Sem dúvida o show de luzes impressionou mais que todos os outros shows já o fizeram.
Anyway, já falei muito. Espero que você esteja junto da próxima vez que eles vierem ao Brasil, o que eles juraram fazer (e de fato deu pra ver que eles curtiram mesmo). Rolaram umas "sejogadas" do vocalista no meio da galera. Foi bem da hora, mano. Faltou você por lá.
Mas nos veremos em breve.
E continuo te devendo um e-mail decente sobre a "Sete Semanas".
Um grande abraço
do amigo
Rapha - ph
=)
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Roger Waters - The Dark Side of the Moon
Até nem falei do show.
"O" show.
Ela falou.
Falou o que eu diria, o que eu não consegui sentir, mas queria.
Não consegui sentir tanto, fiquei anestesiado, acho que foi isso.
Mas uma música. Uma única música quebrou meu êxtase: "Us and Them".
Chuifs...
Anyway...
Leiam: Roger Waters - The Dark side of the Moon - O Show
A melhor crítica objetivo-emotiva que eu jamais conseguiria redigir.
E tenho dito.
Porque agora tô em outro... ritmo.
segunda-feira, 26 de março de 2007
O paradoxo do moderno (uma dissertação pessoal)
Foi uma semana incomum. Analisando agora, depois de tudo, parece que os eventos todos gritavam algo de errado, que a vida não está certa. Não, talvez não a minha mas o nosso modo de viver, dito moderno. Assim, a minha trajetória com seus erros podem ser só um fragmento no todo, errado, que tem sido a sociedade moderna contemporânea.
No sábado passado, fomos em busca de uma peça de teatro de conteúdo sexual que fosse não exatamente excitante, mas incitante. Assistimos a A casa dos budas ditosos, com Fernanda Torres. Já havíamos ouvido falar bem da peça e que gostaríamos. Gostamos, de fato. Mas da forma como as situações e opiniões foram postas era mais cômico que excitante - ou incitante, a pseudo-real intenção da peça. Saímos contentes do teatro, mas não conseguimos o que queríamos. E esse foi só o começo.
Na quarta à noite, a segunda metade da aula da Licenciatura foi abandonada para assistir ao polêmico A filosofia na alcova, baseado na obra de Sade. Foi polêmico além do suportável. O explícito saía do recôndito da mente para ser encenado ali, ao vivo, aos olhos das mentes de todos. Foi, de certa forma cômico, e bastante inverossímil pelo exagero. Chocados - e chocado também por ter ficado assim -, saímos mais uma vez insatisfeitos, de certa forma até com alguma repulsa, com o querer não alcançado.
Nesse fragmento que é minha vida, dois episódios ainda contribuem para vermos o que pode estar errado: um sonho de banda de que não posso participar por causa da faculdade (que parece não ter fim); e um grosso estúpido que ficou putinho por ter sua consulta médica atrasada (mesmo tendo sido atendido antes de todos que já estavam esperando e antes do que deveria, exatamente, por ter sido sem educação). Já aí percebo o colapso dos valores da sociedade.
Vivemos a vida moderna que nos foi prometida como resultado de um progresso, mas que só nos faz eternamente insatisfeitos. A acomodação atrapalha a conquistar os feitos de que precisamos para nos tornarmos contentes com a nossa situação. Mas a busca, que se torna a eliminação da acomodação, muitas vezes não nos faz encontrar o que queremos, ou ainda pior, nos faz encontrar o que não queremos. Tudo isso faz parecer que a saída é a estagnação, já que o que se quer não se alcança. Se pararmos para perceber quanto já deixamos de fazer o que queríamos para terminar fazendo o que achávamos ter querido, veremos a extensa capacidade (advinda da insatisfação) para nos mobilizarmos em prol do que realmente nos foi prometido: o feliz progresso.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Veja bem, meu bem
(Letra: Marcelo Camelo / Música: Los Hermanos)
Veja bem, meu bem, sinto te informar
que arranjei alguém pra me confortar.
E este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você nestes braços tais.
Veja bem, amor. Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.
Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.
E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.
Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém chamado saudade.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Poliano
O'Malleys fazia dez anos. Não tinha programa até então. Balada numa terça? Por que não? Sem pagar entrada? Cerveja mais barata que o habitual ("normal" para o resto dos bares)? No site dizia que teria tábua de frios e tinha até uma banda! Iria até sozinho, mas a Nati topou e fombora.
No caminho descobri que talvez dois antagonistas poderiam estar lá também. Tudo bem, tinha música, eu me distrairia, não seria problema.
A banda tinha um baterista que não tinha caixa nem bumbo, mas um caixote(!). Quase quarenta por cento das músicas eu não conhecia. E eram pop rock!! Populares? Não pra mim. E claro que o Dose Tripla (o trio) tinha que tocar músicas desconhecidas no exato instante em que um dos antagonistas, o menos periculoso, sentara-se à mesa. Murphy é sempre um bom amigo em horas difíceis. Tudo bem, pelo menos Ele não pôs a outra possibilidade na minha frente.
Entre idas e voltas do rapaz, a conversa com ele durou pouco. Meu cérebro havia habilmente inventado a comida gratuita, mas conseguimos pegar uma fatia do pequeno bolo, daqueles que pede por uma cerveja pra acompanhar, claro.
Fora tudo isso, o que contou mesmo no final das contas foi ver que certas coisas não mudam nunca. E que a companhia de uma das amigas mais companheiras continua sempre agradabilíssima.
Batatas fritas com vários molhos, alguns - vários - drinks (diferentes entre eles), bolo de chocolate, músicas e risadas.
Uma noite deliciosa, é assim que quero (e vou) me lembrar dela.
...
Até eu semiacordar hoje com metade do mundo rodando e a outra metade dormindo, ao som delicioso do serrote elétrico do pedreiro cortando sei lá o quê... (ele bem que podia estar cortando os próprios ossos ali, não?) Ah, claro, era o recorte do piso (e dos meus neurônios) na reforma da casa, às dez e meia da madrugada. Iupi.
E claro que, ao me olhar o espelho e ver a cara revirada, o que mais me incomodou foi o pânceps...
Me vesti e fui pra academia.
A pior coisa que se pode fazer de ressaca é ir malhar. A pior. Ter que cumprimentar todo mundo quando quer mandar à merda, ouvir o instrutor falando "vamo lá, não pára, força!", beber água que nem um camelo... Eu que adoooooro calor, suei que nem um... porco (?) por causa do allcool. Não foi uma decisão esperta.
Pelo menos a ressaca passa mais rápido... E o dia, mais leve.
Mas a noite foi divertida. É assim que vou me lembrar dela.
Nossa língua brasileira
O Museu da Língua Portuguesa me deixou extasiado!!
Os painéis com as correções do Grande Sertão: Veredas feitas pelo próprio Guimarães Rosa é foda demais!!!
E as instalações!! E as telas de tevê e poemas e uma representação de Diadorim no espelho dentro do banheiro unissex? E a tecnologia? As projeções de imagens enquanto gente famosa lê os poemas, no chão, no teto? A gente atravessando a tela de cinema??
Fantástico.
Digno de Alemanha, pelo que ouvi.
Lindo, lindo, lindo.
Vão lá!
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
"Sorria, você está na Bahia" ou "Diário-guia de uma semana na Bahia"
Antes de mais nada, este é um post-diário. Mais pra ficar na minha memória wébica do que para informar da viagem ao leitor. Embora algumas coisas bem legais e engraçadas tenham acontecido, este post é mais para mim mesmo num dia futuro.
Ah, e "sorria, você está na Bahia" é dito por todo mundo em todos os lugares em todos os velocidades possíveis. O baiano adora sua terra; até a chama de "Terra da Felicidade". É um lugar onde o que importa mesmo é ser feliz.
Enjoy.
Sábado
Só fui acreditar que tava em Salvador quando vi das janelas do avião as inúmeras luzinhas surgindo e beirando o oceano. Já do avião comecei a entrar no clima e cultura local conversando com uma menina de 20 anos que saía de SP para ir visitar a mãe em Antas, na Bahia (a 8h de ônibus da capital baiana). Aline contou toda a história da sua vida e família durante as 2h de vôo (sem atrasos).
O agente de viagem, Wellington, é bastante engraçado e carismático. E haja paciência para agüentar a velharada! Há muitos idosos - quase todos professores, já que minha mãe marcara a viagem pelo SINPEEM.
No avião, da Varig, hot dog e quindim; ao descer, à meia-noite local (onde não há horário de verão), 25°C e a despedida da companheira de viagem, a simpática Aline.
Check-in no hotel, 4 estrelas e se preparar para uma semana bem... "arretada".
Domingo
Café da manhã de hotel e espera pelo ônibus, em ritmo baiano, até a Praia do Flamengo. Mais de meia hora rodando na cidade (marcada pela verticalização - com sobrados de até quatro andares estreitos - mas ainda com clima de interior). Parece mesmo uma cidade grande de capital, com ares de interior. Muitos prédios e viadutos! Salvador é tão grande e populosa que tem até metrô, em construção há anos.
O ar quente das correntes oceânicas está em toda cidade. Por isso, em todos os ambientes fechados há ar condicionado... (Mas nos ônibus de linha - que custam R$1,70 - não há!).
Na praia, abarrotada de carros, foi difícil o ônibus conseguir parar para as 23 pessoas do grupo descerem. A Praia do Flamengo é linda! Ondas fortes, água esmeralda, com alguns corais cheios de algas, areia fina e fofa, lotada de quiosques, mesas com guarda-sóis na areia e gente, gente, gente!! As gentes preferem mesmo a água, bastante refrescante, deliciosa! A mais de todas as praias até agora (só perde em beleza para a Prainha Branca).
Ainda não quis arriscar muito na comida. pedi só um peixinho com a famosa pimenta baiana - é FORTE - empata com os japaleños da comida mexicana!!
Voltamos para o hotel, às 16h (local), para descansar um pouco - as ondas da praia cansam - antes do jantar (fora do hotel) e da noite dançante, com Beto Jamaica (!). No final, nem fomos porque os idosos, cansados, fizeram-nos desanimar. Mas nós, o grupinho dos mais animados (uns 6) queríamos fazer uma coisa qualquer, dar uma rodada mesmo que pertinho. Rodamos a pé por perto do hotel à procura de um tal Twist Pub, em que teria um piano bar. Esse bar, conforme o guia online indicava, ficaria no mesmo quarterão da nossa hospedagem; então seria fácil, mesmo não conhecendo a cidade. Achamos uma "coisa de coisar", como descreveu, sem jeito, o rapaz pobre sentado à frente da casa toda apagada... Quase entramos por engano no prostíbulo à procura do tal piano bar. Às onze horas a pé pela parte pobre de um bairro bom de Salvador, encontramos um tempo bem agradável e os lugares - dos decentes - quase todos fechados. Entre as reclamações de uma idosa gorda que se pôs a andar conosco, achamos uma pastelaria de esquina para beber uma latinha de cerveja. Que balada! Tsc, tsc...
Voltando ao hotel nos deparamos com uma praça semi-abandonada e só ouvi os gritos: uma reboada de ratos corriam de volta para suas tocas ao ouvir os gritos das mulheres com medo deles. Uma aventura!
De volta ao hotel, o pequeno grupo, já mais animado pela experiência com os roedores-monstros, ainda pediu caipirinhas no lobby que tinha um bom bar... e um... piano! Era no próprio hotel o lugar a que eu tentara guiar-nos! O pub com piano! Depois dessa fui zoado até quase o fim da viagem...
Segunda
Dia cheio. City tour com um baiano bem conhecedor.Pelourinho (com almoço n'O Coliseu e servete no Cubana - ambos altamente recomendáveis, visitas ao Farol da Barra (o divisor de águas entre a Baía de Todos os Santos e o Oceano Atrlântico); o Dique do Tororó (da canção infantil); Elevador Lacerda (como assim ele NÃO É PANORÂMICO???), que liga a cidade alta ($) à cidade baixa (dos trabalhadores); e especialmente a Igreja de São Francisco, que eu - que detesto igrejas - fiquei abismado de como pode ser tão bonito e fútil, já que podiam usar todo aquele ouro em prol do povo.
Presenciamos um mini-ensaio de bateria de um grupo de jovens, além de tentarmos comprar, sem sucesso, ingressos para o ensaio do Olodum, que seria na noite seguinte. Mais à noite, tentando de novo sem sucesso comprar os ingressos andamos no Pelô à noite e é lindo! Vimos um grupo apresentando sua coreografia e batuque à Olodum além de, sob o comando do nosso líder doido Wellington pusemos 5 no banco de trás de um táxi Gol antigo!! Minha mãe jogada no colo dos outros quatro foi hilário!!
Terça
Esse foi o dia em que mais senti "culpa" de estar no lugar do meu pai: uma praia lindíssima, pagodaxé na escuna (na ida E na volta - aaaargh!), comida típica num restaurante ótimo e o tão esperado show do Olodum - para o qual conseguimos ingressos em cima da hora!! Enfim, tudo que meu pai iria adorar.
Novos membros entraram para a dita "família" da viagem. Entre eles um padre e uma italiana. (Eu sei, parece começo de piada... "Um padre, uma italiana e um blogueiro estavam numa escursão em Salvador. Aí...")
Ônibus até o pier, um amontoado de gente tentando se organizar até a entrada na escuna. Sob sol escaldante totalizamos 97 numa embarcação com guia, cameraman e barman, apesar de pobrezinha. O sambaxé animou o povo, bonito (sim, porque povo bonito, ali, só turinta mesmo - exceto as crianças baianas, que são bonitinhas).
Uma hora e meia de barco até a Ilha dos Frades. Demais!!!! Praia curta, de água bastante salgada e límpida, sem ondas: a melhor praia da minha vida!!!!!! (Embora, em beleza - e só em beleza - a Prainha Branca seja melhor). Duas horas lá (só!?!?!?) e rumamos por mais meia hora de barco até a famos Ilha de Itaparica, "a maior ilha dentro de uma baía no Brasil", e famosa só por isso - a única coisa que fizemos lá foi comer... Fiquei com a impressão de que não tinha mais nada lá (o que não é verdade, já que na ilha há 3 municípios!)
Voltamos com o pô do sol e o pagodão quando muitos tentavam dormir... (Deus abeçõe Os Paralamas pelas boas músicas e a Sony pelos bons aparelhos eletrônicos!). Ao chegar, correr para o banho no hotel e de volta para o ônibus. Andar e abrir caminho pelo Pelô para poder pegar o ingresso para o Olodum - agora sim! - e comer no Senac/Sesc de Salvador - comida típica baiana mundialmente reconhecida e premiada!... Umas coisas tão estranhas que muitas nem dá vontade de comer ("Xixim de galinha" não parece me sugerir coisas boas já do título). Depois de um bom quindim, o batuque repicante e bem pomposo do Olodum. Demais!! Agora posso dizer que fui à Bahia.
As italianas piradas, a moçada enlouquecida, tentativas de coreografia impedidas, por um espaço tão pequeno. Abarrotadas, as pessoas dançavam sob as luzes de balada ao som dos quinze integrantes (só?? só!), entre eles a famosa (?!) Margareth Menezes. Mas o show mesmo são dos 2 negões (com pingentes multicor nos cabelos) e suas coreografias extasiantes! Demais mesmo!! Amei!!
Na volta, escoltar o povo de volta ao hotel (pois é... o Wellington - guia - furou conosco e a responsa de guiar as dez pessoas que foram pelo Pelourinho a caminho dos táxis no centro foi deste que escreve. Claro que eu adorei porque eu curto mesmo dar uma de guia. Exausto, banho e cama, que amanhã é dia de tour pelo Recôncavo Baiano.
Como fizemos coisa num mesmo dia!
Quarta
Apesar de termos rodado muito, não fizemos tanta coisa. De manhã fomos a Santo Amaro da Purificação, a mais ou menos 60km de Salvador. A Purificação do nome não era espiritual não! Era da cachaça mais pura que tinha lá.... Gostei disso.... Hhehehe..
Lá, conhecemos a igreja (mais uma) e a praça central. Pessoas quiseram conhecer a Dna. Canô (mãe de Caetano e Maria Bethânia) quando era só para passarmos. Eu, cansado e com sono, não estava com muito saco. Deixa a velha de 99 anos em paz!! Depois de mais 80km pela estrada ouvindo o guia especializado e vendo as bonitas planícies até chegarmos a Cachoeira e sua vizinha, São Félix, onde conhecemos a linha de montagem dos charutos Dannemann - a mais importante do país, cujo produto até o Fidel dissera ser equivalente aos de Cuba - onde havia uma exposição de arte contemporânea e um projeto de reflorestamento. Lá, ainda vimos a ponte de fero trazida de Londres sobre o Rio Paraguassu, a bonita vista de um morro - o melhor para tirar fotos - e mais a primeira isso e a maior aquilo...
Almoço na Pousada do Convento: um peixe maravilhoso! Passar no mercado de lá para comprar castanhas para o meu pai (niver dele hoje e ele devia estar aqui...).
Ônibus de volta: meu sono vs. empolgação alheia; karaokê no microfone do ônibus vs. Kraftwerk no mp3 player... Que ódio!!
Mas passou. E chegamos e eu consegui Internet e o hotel tava tocando jazzy songs (e "Lady Madonnaaaaaa"!!!). Noite, piscina, contar minha vida para o Bruno - o guia-mirim, alegria da "família" -, banho, jantar e uma recusa de um show do Terra Samba (porque uma noite com axé já é mais que suficiente para um semestre... ou um ano...).
Quinta
Passamos pela linda orla da Grande Salvador vimos as praias e as histórias de Amaralina (do negro escravo e da partida de Alina), Praia dos Namorados (antiga fábrica de gente da cidade), Plakafor (por causa de um outdoor da Ford) , Praia dos Artistas (a praia mais "feliz"), Lagoa do Abaeté (do "homem forte" e da sensual índia apaixonada que o arrastou pra dentro) - de areias brancas e águas negras - vimos a casa de Caetano e a de Bethania...
Já em Camaçari, no bairro de Arembepe, vimos uma aldeia hippie à beira da Praia de Arembepe - A MAIS LINDA EVER DA MINHA VIDA!!!!!! Absolutamente deserta, areia fofa grossa, águas quentes em um mar raso, pisando em pedras escorregadias, como num recife de corais, peixinhos pequenos visíveis pela água transparente; coqueiros ao longo de toda a praia - de sumir numa curva à direitaaté um pequeno pier à esquerda, lá longe. *suspiro* Um Paraíso!!!
De lá, a Praia do Forte e o Projeto Tamar (tão bonitinhas as tartarugas marinhas!), lugar que rendeu umas boas fotos.
Depois de rodar, a Praia de Guarajuba, maravilhosa, em que almocei pestiscos e um acarajé (pesaaaaaaaaaado esse "hamburguer de baiano").
Na volta do ônibus, houve um shoe de piadas dos próprios viajantes e o melhor foi o Frei Edson (um frei de verdade!) contando piadas religiosas!! =) Já à noite, depois de uma viagem como de SP ao Guarujá, voltamos ao hotel para muita farra na piscina (eu, Bruninho, Van, Edson Malinha, Rafael - o Agressivo -, e o Frei Edson)... Demos caldo até no Frei!! Super forte e brincalhão ele!
Jantamos uma ótima comida com alguns pratos típicos (carne de sol na brasa - uma delícia!) no premiado A Porteira.
E chega! Nem consegui escrever na mesma noite, de tantas peripécias!
Sexta
Dia de compras. Duas horas (e meia, contando os desencontros) no Mercado Modelo, o Mercadão de Salvador. Camiseta para um, brinco para a outra, aquela tia, a avó, e volta, e vai, e desce, e sobe e a pimenta!!, que merece um capítulo próprio.
A pimenta
– Boa tarde! Moço, me vê "aquela" pimenta? A "pimenta baiana".
– A boa?
– De levantar até o santo!
– É essa daqui, com um tempero especial, toda trabalhada. É bem saborosa. Essa é R$10 o vidro. Quer provar um bocadinho?
– Ai, não! – sofreu minha mãe, interferindo na minha compra.
– Tome, prove num camarão! Até eu vou comer também.
Molhou o crustáceo no vidro e me deu. Antes de provar, tremi:
– Tem água aí, qualquer coisa?
Ele sorriu e afirmou. Comi. Era boazinha, mas longe da que eu provara no primeiro dia, na praia. Até esperei. Ardidinha, mas nada excitante. Reclamei. Por quem ele me tomava?
– Não é essa não, rapaz.
O dono da banca interveio na venda do atendente:
– Olhe, prove essa aqui – disse molhando um camarão num líquido vinho de um frasco fino e pequeno.
Mordi com gosto... Era boazinha... Esquentava com o decorrer do tempo... Pegava firme na língua... no céu da boca... nos lábios... Ai... na garganta... Olhei para minha mãe já quase chorando... Ai! O ar parecia não refrescar. Olhei para o vendedor:
– Tem água?
Tomei. Geladinha. Virei para o dono:
– Deus abençoe a água! É dessa mesmo!
– Pega pra ele o extrato. Essa é sete reais.
– Veja dois - disse eu, quase tossindo.
Ele embalava os dois vidros. Paguei, quase vermelho, quase chorando. Saí da loja agradecendo o atendimento:
– Valeu! Boas vendas! E ó... Quando um gringo vier pedir a pimenta, mostra a de dez reais primeiro. Essa daí o cara não agüenta.
Acabei com a água em um minuto e meio e não bastou. Ao fechar os olhos, apoiara a mão neles. De repente, TODO o meu rosto ardia e eu não consegui nem responder às perguntas de minha mãe sobre qual o melhor pano de prato...
Depois de passar o ardor na boca, o rosto todo ficou latejando até mais de 40 minutos.
Dois vidros é pimenta até o próximo retorno à terra do axé!
Ainda nesse mesmo dia teve o episódio da Reza da Baiana...
Reza da baiana
Toda vestida como no carnaval, uma baiana me pegou pela mão e me ofereceu uma reza. Falou que não era nada, era de graça. Aceitei. Me benzeu, mão pra lá, palavra pra cá e reza daqui e reza de lá, numa cadência quase difíil de decifrar. "Pegue essas pedrinhas", ela disse. Peguei. "Feche bem a mão". O fiz. "Já é casado? Qual o nome da tua pessoa especial?" Eu disse. "Filho, você e ela vão ser muito felizes e ela vai te dar dois lindos bebês. Agora pense bastante nela" e continuou a reza. "Guarde as duas pedrinhas que, com elas, vocês dois vão estar protegidos". Ao final, ela pediu uma ajuda. Eu neguei. "De cá, nem olhe a nota, pegue uma do bolsa e de cá pra baiana". Olhei para minha mãe. Ambos sabíamos que eu estava só com notas de vinte no bolso. "Não pode ser do dinheiro dela não. Tem que ser do seu." Hummmm.... Deixa eu pensar... "Dê cá, não vou pegar, é só pra abeçoar o dinheiro. Sou velha e sou de boa família, não vou sair correndo com seu dinheiro, moço". Tirei a nota de vinte e deixei bem fechada na mão.
– Abra a mão, moço. É pra abençoar.
– Pode abençoar assim fechada.
– Vamos, moço. Não estrague a reza.
– Eu não vou te dar. Não vou.
Ela se revoltou!
– Ah, então, dê cá minha reza de volta!!
Entreguei-lhe bravo:
– Toma! Pode guardar.
– Isso... Que povinho mais dif...
E saiu reclamando, me deixando puto e minha mãe abismada.
Depois disso tudo, voltamos ao hotel. Como já eram umas 15h, sem almoçar, não estávamos com vontade de aproveitar a tarde livre que tínhamos. Resolvemos eu e minha mãe ir caminhar até uma lanchonete próxima. Claro que eu fiz questão de, depois de taaaanta comida típica, provar um McDonalds, só pra ver se tinha o mesmo gosto. Como previsto, não tinha. Era com um pouco menos de gosto, assim como a Coca-cola. Exatamente como eu suspeitava, já que no Rio Grande do Sul ela era mais forte.
Aí, piscina até à noitinha, jantar no hotel e ir dormir, porque o vôo saía quatro e meia da manhã.
Um cochilo e já ligaram no quarto para sairmos. No aeroporto ainda deu tempo de comprar um DVD do Olodum de presente de aniversário para o meu pai.
A volta foi tranqüila. Do avião, como o dia estava nascendo, deu pra ver grande parte da costa brasileira na volta até São Paulo.Muito lindas as praias vistas de cima. Me senti no Google Earth. As nuvens de algodão taparam pedaços da vista lá pela metade. Já aqui na cidade, vimos o Parque do Ibirapuera, a Bandeirantes, bem legal!!
Adorei voltar a andar de avião. E amei a viagem. As praias fizeram valer a pena. E a gente sempre acaba conhecendo gentes e gentes.
Uma experiência divertida, que talvez o meu pai não tivesse gostado tanto exatamente pelo grupo.
Sorte minha.
domingo, 28 de janeiro de 2007
Coincidência?
Estava ouvindo música, "Faroeste Caboclo", na rádio. Começando a preparar um post mentalmente, abro um browser cantando...
Não monto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança, isso eu não faço não.
E nem protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão.
Isso é ouvido no EXATO instante em que o browser que eu havia aberto carrega a página inicial do UOL:
"Imita a vida", não é o que dizem? Às vezes, assustadoramente.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Conto de fada sem fraldas
Como sempre verdade dura, como a própria verdade.
Sem firulas estéticas, a alma em prosa com o "eu" tão lírico.
Essa é minha amiga.
Shine on, Sparkling Diamond!
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Barroca!
E depois de toda essa arrumação ainda fomos à quadra de ensaio da Barroca Zona Sul, a escola de samba. Pois é...
Bom, sempre foi um sonho desde de criança desfilar na bateria de uma escola de samba. Claro que eu não penso baixo e queria a Mocidade, lá do Rio. Mas nunca foi uma coisa assim, concreta. Até que...
Até que minha mãe um belo dia chega dizendo: "Quer sair numa escola de samba?" O quê? Eu? Eu nem gosto de samba! Claro que eu tinha me esquecido do meu sonho infantil. "Vai todo mundo". Ótimo, mais motivo pra eu não ir! "A Roseane, o Bernardo [namorado dela], Leonardo, a Maria Clara [a namorada do meu irmão], seu pai, sua tia...". Meu irmão? Fiquei até curioso pra ver aquilo. Iria, sim. Só cinqüenta reais! Eu que sempre achei que era muito mais caro! Ensaios domingos e sextas. E fui.
Na quadra, com as coreografias da nossa ala, com a idéia da cana-de-açúcar e de termos bombas de gasolina e de álcool na fantasia, me empolguei. Tá, o samba é péssimo e até meu cachorro fazia um melhor, mas tá valendo. Pensei em convidar alguém especial. E ela topou! Nem acreditei. Ela que não tem nada a ver com samba, sendo tão European-like! Motivo a mais pra garantir a diversão!
E temos ido todos os domingos para a Barroca Zona Sul, que por infortúnio da natureza acontece de ser verde e rosa... Mas que, em compensação, é bem pertinho de onde deve ser ;)
Eis a letra do samba:
Enredo: Cana-de-Açúcar: O Doce Sabor do Prazer
(Ala de Compositores: Naio Denay/Loirinho / Mussa , Marcinho Zona Sul / Léllo Garoto / Ramos / Kuka; Intérprete: Agnaldo Amaral)
VAI CONQUISTAR VOCÊ
É EMOÇÃO A VERDE ROSA VEM AÍ
Refrão VEM PROVAR AMOR
UM DOCE SABOR VAI TE SEDUZIR
NO SOLO DA NOVA GUINÉ
A CANA BROTOU
VEM DO FETICHE DO AMOR SUA DOÇURA
SEU CULTIVO NO OCIDENTE PROSPEROU (VIROU)
OURO BRANCO NA EUROPA
A NOBREZA SE ENCANTOU
E APORTOU NO NOSSO BRASIL
NESTE CLIMA TROPICAL
FLORESCEU NESTE CHÃO
RIQUEZA DE UM PAÍS EM FORMAÇÃO
E O NEGRO FOI LABUTAR
O ENGENHO SÓ FEZ CRESCER
TODO O SEU VALOR
A MOENDA GIROU ( GIROU , GIROU )
E TEM AÇÚCAR PRA VOCÊ
DA BORRA DO SUMO NASCEU A CACHAÇA
ARDENTE MAGIA PRO NOSSO VIVER
A CANA ESTÁ NA OBRA DE ARTISTAS GENIAIS
NA DOCE CULINÁRIA COM RECEITAS DIVINAIS
GERA ÁLCOOL , E SEU BAGAÇO GERA ENERGIA
BRINQUEDO E PAPEL A TRANSFORMAÇÃO
O MUNDO EM EVOLUÇÃO
E VEM A BARROCA A MINHA PAIXÃO
PRA BALANÇAR TEU CORAÇÃO
O novo e o velho (ou "O velho e o moço")
Ontem comecei a desfazer algo que me incomodava há muito tempo: arrumar meu quarto. Não, falando assim parece frescura, bobagem de adolescência tardia, mas não. Eu realmente tirei todas aquelas coisas que por quase dez anos eu vinha simplesmente amontoando no fundo do guarda-roupas e resolvi fazer tanto uma triagem como um reagrupamento.
Poesia antiga, músicas de quando eu estava aprendento a tocar, foto de ex-namorada, agendas velhas com informações bem típicas daquela época da minha vida, enfim, uma infinitude de papéis e coisas de banco e cartas e hollerits e presentes e revistas masculinas e tudo o mais. Resolvi botar tudo pra fora e ver o que tinha ali. Foi uma tarde toda pra isso. E começou com um fato simples: a falta de espaço na escrivaninha para colocar os livros meus e do meu irmão.
Uma vez que não usávamos mais a escrivaninha para seu devido fim - escrever -, ela virou mesa-depósito dos nossos livros, que, empilhados, formavam torres já bem grandes e arriscadas... O resto aconteceu bem rápido: mãe compra estantes, não há espaço, tira-se a escrivaninha, esvazia a escrivaninha e vê o que vai e o que fica em outro lugar. Pronto. Estava instalado o caos de objetos-papéis-músicas-lembranças.
"Eu hoje joguei tanta coisa fora / Hoje vi o meu passado passar por mim / Cartas e fotografias, gente que foi embora / A casa fica bem melhor assim..."
E fica mesmo. Agora estamos reorganizando o quarto todo, já que com as estantes, o mural teve que sair dali... E de moção em moção, a beliche vai ser desfeita, só que sobra pouco espaço, então teremos q tirar as caixas acústicas do chão, talvez comprar outras, ou um home theater de pequeno porte, ou quem sabe...
É, antes arrumar o quarto era algo tão pueril. Pegar os cadernos jogados, arrumar a mochila para as aulas do dia seguinte, juntar todos os brinquedos; arrumar as coisas para o cursinho, arrumar os livros de teclado, organizar os fichários, esconder as revistas, os vídeos; comprar caixinhas para os cds, organizar os dvds, achar lugar para a guitarra, o violão, o teclado, e decidir o que fazer com o Banco Imobiliário Junior, o Detetive e a Batalha Naval com a chegada do módulo do Home Theater.
É, tempos modernos.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
As últimas e novas
Desde a virada do ano algumas coisas diferentes andam acontecendo. A maioria boas coisas.
Sim, eu vou para a Bahia. Não, eu não pretendo ficar ouvindo axé o dia inteiro, (viu, Natália?) :P Vou passar uma semana lá com minha mãe, numa viagem que praticamente caiu no meu colo (já que meu pai, que era pra ir, não pôde). Para realizar tal empreitada, sob calor fervente, pegamos o vôo da Varig neste sábado à noite para voltar no outro sábado, também pela Varig, de madrugada. Nice! Bem o que eu estava precisando (se bem que podia ser outra cidade...).
Outra coisa boa, aliás, fenomenal, foi que eu consegui instalar, devidamente, uma placa midi no meu pc. Agora posso fazer minhas músicas eletrônicas diretamente do meu piano digital, no meu amiguinho Reason, o já famoso... Let's rock! Ou melhor, "let's dance"!
Outra coisa muito boa é que voltei a me exercitar. A academia anda me deixando mais animado, disposto e razoavelmente feliz. Uma adrenalina a mais sempre faz bem!
E mais uma coisa boa: estou conseguindo arrumar meu quarto, depois de quase um ano sem fazer isso... Tava um caos, mas, aos poucos, está ficando mais apresentável.
Fiz um blog beeeem bonitinho para a viagem da querida Alê (http://cartasdaeuropa.blogpost.com). O mapa do trajeto foi a parte mais desafiadora, mas eu consegui. O fundo com folha de caderno também me deixou bastante satisfeito.
Mas sempre há ponto ruins, para balancear... A saudade causada pela distância, sem dúvida, é o mais forte. Agora, a recente descoberta da possível perda do meu cheque de férias... :(((((((((( chuif... (mas ele há de aparecer... até São Longuinho já foi solicitado!)
Logo atualizo a barrinha ali do lado e ponho gente (e bandas) que deveriam estar lá.
"Não se incomoda com a bagunça da casa... Aos poucos a gente vai arrumando ela..."