terça-feira, 15 de junho de 2004

Feriadão!

Quarta

Como não quis esperar a saída dos meus pais, na quinta-feira de manhã, resolvi ir pra Itanhaém direto do trabalho, na quarta mesmo. Fomos eu e minha inseparável aventureira Natália.

De mala e cuia, pegamos o ônibus das 16h40 na rodoviária do Jabaquara. Fingimos ser um casal de um inglês e sua namorada brasileira ensinando português pra ele durante toda a viagem. Na baixada, fizemos umas comprinhas e fomos pegar o ônibus para o camping. O caminho do ônibus nos pareceu um pouco diferente da costumeira estradinha de terra batida. Ele havia pegado a pista, e nós o ônibus errado. O motorista nos deu a dica de onde descermos e ainda avisou amigavelmente:

- Da próxima vez, não pega esse não. Pega o Gaivota via Cibratel, não esse. Esse é via pista. O outro passa lá na frente... - Fingindo ser a primeira vez que ouvíamos isso, descemos e cruzamos a pista.

Andamos uma boas quadras no breu invernal das oito da noite de uma rua mal iluminada e completamente vazia, onde os únicos sons eram nossa a movimentação e os grilos. Cruzando a trilha do trem, a mochila da minha companheira ainda abriu o zíper e deixou cair algumas das nossas compras. Nossa sorte é que o trem é lendário e que nada foi perdido senão tempo.

Chegamos no camping. Ufa! Agora sim, tudo em paz. Paz? Nada! A Camping Star, nossa morada provisória, estava uma completa zona. Tudo sujo, fora de lugar, uma bagunça mesmo. Limpamos tudo (ou quase tudo), arrumamos tudo, fomos tomar banho (adoro aquele camping vazio!), cozinhamos, comemos e fomos dormir. Com exceção dos garfos emprestados da Cíntia e dos acessórios da barracona dos meus pais, todo o resto foi on our own. Orgulho é pouco!

Quinta

Friozinho light. Todos chegaram. O cara onde meus sogros deixaram muitos dos pertences deles tinha ido viajar. Ou seja, a barraca-mãe dos meus pais tinha dois satélites: a minha barraca e a dos meus sogros. Meus pais foram fazer compras enquanto eu e a Nati fomos andar na praia. Fome, voltamos e nada, esperamos e nada mesmo. Liguei e já tinham almoçado. Fiquei muito puto e fomos comer no Requint's, o eterno restaurante-sorveteria-point da galera do CCB.

Mais tarde juntou-se à galera reunida a Paula, que costumava acampar lá também, e fomos todos ao centro da cidade, dar uma volta na feirinha de coisinhas. Voltamos e nossos pais já estavam alegres dos vinhos e frios no QG das barracas.

Sexta

À tarde, churrasco com todo mundo, os Andrade, os Carvalho, os Avellar e os Cruz, mais a família do Carlinhos, que eu não sei o sobrenome. :P

Para a noite, os nossos pais iam num barzinho. Como achamos que era pra todos, fomos também. Chegamos lá e um cidadão com cara, jeito e hálito de bêbado executava canções horríveis de velhas num teclado Yamaha destruído. O lugar chamava Rancho Cowtry (isso mesmo, CoWtry). Um lugar onde as mulheres freqüentadoras tinham cara de prostituta em fim de carreira ou de pombas gordas e velhas que não conseguem mais voar. De comida, só frango a passarinho, fritas, polenta frita. Vinho quente e quentão. Ah, tinha pipoca on the house.

Como meu pai tinha reservado a mesa (para 20) e isso não deve ser muito comum naquele buraco, Paula, a dona, uma jovem com o corpo num formato idêntico ao das galinhas d'A Fuga das Galinhas, vinha perguntar se estava tudo em ordem. Numa dessa, a minha sogra (claro!) fez questão de dizer que no canto da mesa "tem uma banda toda". A dona se empolgou e convidou-nos a "prestigiar sua casa". Eu, o Le e o Junior (irmão mais velho da Elis e parceiro de violão nos luaus do camping) ficamos encabulados de início, mas pior que o Tiozão dos Teclados não podia ser. Aceitamos e momentos depois, no intervalo do Tiozão dos Teclados, entramos nós. Executei Jackie Tequila (o teclado ficava mudando por si só toda hora de instrumento!!) e toquei La Bella Luna. Cantamos os três e as famílias aplaudiram. Agradeci "a oportunidade que a Paula nos deu", meu irmão mandou "beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você" e saímos com classe do palco. Minha garota ficou orgulhosa e os pais também gostaram.

De lá, ensaiamos uma ida até o Aldeia Livre Bar, mais conhecido como "A". O povo foi todo desistindo no meio do caminho da mesa até o carro e fomos só eu, a Nati, o Junior e a Lívia. Assistimos uma banda que só sabia tocar Charlie Brown, Detonautas e CPM 22 nesta ordem. Encheu o saco. Quando saíram do palco rolou um intervalo com pop-black-r&b, que eu entendo como músicas-das-neguinhas-que-querem-dar-e-dos-negões-que-querem-comer. Aí sim, entrou uma banda melhor. Mas ninguém tinha mais pique. E voltamos pro camping.

Sábado

Outro churrasco marcou a tarde. Dessa vez na cantina abandonada pela saudosa e excelente cozinheira Dna. Eunice. Depois tentáramos tocar violão e cantar, mas fomos expulsos por uma trupe de "traileristas" que queriam pôr as bandeirinhas para a super festa junina tradicional do camping. (Tradicional desde 2003...)

Nos vestimos a caráter. Eu, de calça de moletom com o elástico da cintura no estômago e o da barra no joelho, com os cordões do gorro pra dentro da calça (parecendo suspensório), fiz uma junção das sobrancelhas e pintei um cavanhaque com lápis de olho da minha irmã. Quase todas as meninas fizeram sardas no rosto, algumas puseram saia e fizeram tranças. Isso tudo fora o sotaque e a sintaxe toda própria do povo do "interrriorrrr". Até rolou um micro teatro "A Irrrrrmã Prrrromisca!", com a Ro, eu, o Junior, a Nati e a Mila. Na verdade não foi teatro, foi mais um fato corriqueiro super potencializado pelos costumes do povo do mato que acabou virando uma encenação. Fiquei surpreso com a Nati que entrou no clima mesmo e não conseguíamos parar de falar com sotaque... Foi muito engraçado.... :DDD

Quentão, vinho quente, paçoca, milho, pipoca, pé-de-moleque, arroz doce, curau, bolos, cachorro quente, pavê, fogueira, batata doce, doces, doces, doces. Tudo feito pelos campistas. Ano passado foi tudo de improviso, em cima da hora. Esse ano o povo já foi preparado. Comemos muito e todos dançamos quadrilha e fizemos um trenzinho. Muito comédia ver os pais nessa farra também... :) Depois disso tudo rolou um forrozinho com cara de fim de festa.

Domingo

Eu e a Na deixamos tudo prontinho pra nossa barraca ser fechada. Foi rápido, até. Estamos começando a pegar prática em fazer tudo sozinhos.

A Nati voltou mais cedo que eu. É estranho estar no camping sem ela... Acho que, desde quando a gente "ficou", isso nunca tinha acontecido.

Ajudei meus pais a arrumar a barraca deles. Almoçamos na cidade e voltamos.

Arrumei algumas coisas e fiquei vendo tv por 3 horas. Ah, que saudade de fazer isso... Lembrei da amiga Rapha (saudades!!!!) pelos programas a que assisti: Scrubs, What I Like About You, Whose Line Is It Anyway?, Minha Casa, Sua Casa e Queer Eye For The Straight Guy, pelo qual eu me apaixonei.

Estou começando a achar que sou mesmo lésbica......

-.---.----..-.---.----..

Enfin, foi um final de semana maravilhoso. Andar no escuro frio, churrascar, dormir com a namorada toda noite, ganhar presente, dar presente, festejar, cantar e tocar num pulgueiro, ver televisão... Quer coisa melhor? Até o trabalho rende mais! Rende posts como este. :)

Tava com saudades de escrever bobagem... De escrever sobre o cotidiano (quase) sem qualquer pretensão a intelectualismo.

segunda-feira, 14 de junho de 2004

COM licença para dirigir

Da outra fui o primeiro do dia. Tentei sair o carro duas vezes e ele não andava. Na terceira, saquei que o freio de mão estava puxado e soltei. Só que soltei com o pé embaixo, e o carro saiu cantando pneus. No susto, tirei os dois pés dos pedais: o carro morreu. Pra finalizar, acho que parei longe demais da guia. Ou seja, foi um show. Pra quem queria rir, claro.

Dessa vez não. Desta vez, fui o décimo a fazer o teste. Assisti a oito reprovações. O cara na minha frente tinha carta de moto há mais de um ano e reprovou. Eu entrei completamente sem expectativa. "O que vier, que venha para bem". E fui muito bem. O instrutor era legal, até zoou meu nome "É, Rapael... Hehe... Quando você 'tiver pronto, podemos dar uma volta." E demos mesmo. Mas na hora da baliza o instrutor não começa a conversar com um cara que tava passando na calçada? "E agora?" Parei e fiquei lá, ué...

Foi quase cem por cento. Numa conversão para a direita o carro morreu. O cara até avisou, "o carro tá voltando, tá volt... - puf! - pode continuar...". Parada na subida, quase morreu por causa de um ônibus que vinha colado em mim. Na hora de encostar, como a curva de onde eu tinha acabado de sair era meio fechada, a seta não voltou ao lugar. Aí avisei o cara, "ó, a seta não voltou, mas eu vou desligar e ligar de novo porque eu vou parar", e ele respondeu: "muito bem". No final, escreveu o esperado "A" no papel e tudo certo. Sorri e nos despedimos com o "bom dia" de cada um.

Agora eu tenho cartaaaaaaaaa!!
Não que isso sirva pra muita coisa agora, mas um dia ainda vai. E fora que mais esta etapa ("mais de você em você mesmo") da minha vida já foi. Não preciso mais passar por isso.

I'm violently happy!
:DDDDDDDD

segunda-feira, 31 de maio de 2004

Ixi... é tanta coisa pra contar...

Nem comentei que eu vi o Dogville, do Von Trier há quase dois meses....
E nem o show da Relespública + Acústicos & Valvulados há duas semanas....
E nem do aniversário da Naná, mãe de Elis, Jr e Du, no Florestal, lá em São Bernardo anteontem....
E nem dos dez meses de namoro hoje.
:D

Tem sido tudo muito muito legal!!!!!
A vida é linda, não é?

O que não tem sido legal é a greve da USP, que começou dia 27 e sabe-se lá até quando vai. O importante disso é que agora até que tenho um pouco mais de tempo para estudar (que nerd - greve na facul significa estudo em casa), e um pouquinho de tempo para ficar na net - e postar.

Mas é isso.
"Logo mais tem mais".

quinta-feira, 20 de maio de 2004

Quotidiano

     – Senhores passageiros, deixei na mão de vocês duas coisinhas boas. A primeira é uma novidade: é a nova bala de morango com creme de leite; a segunda é a deliciosa qualidade da Frutella, que em outros lugares vocês vão pagar até vinte, trinta centavos cada, pessoal! Na minha mão, aqui comigo, sai por cinco centavos cada uma (...)
     Alguns compram da adolescente de voz muito alta e irritante, como é característico dos vendedores em ônibus.
     – Psiu, ei! – o murmura o cobrador a ela – Fala pra esse povo porco não jogar papel de bala aqui não, que nós estamos tomando multa por causa disso aí...
     – Pessoal, o nosso amigo cobrador pedir pra vocês, por favor, não jogar o papel das balas no chão do ônibus, que os caras andam multando eles. Então, vamos colaborar com ele: joga aí na rua, aqui dentro não.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

"The long and winding road"

Quantos sabores terá a espera? Tanto gelo e tanto frio. Não haverá calor interno que baste. Tremerás! Serás só mais um entre muitos. Esperarás. Tensionarás.

Serás o primeiro dentre os últimos. Só tu e a Providência, o julgo. Farás tudo certo, exceto aquela exceção. Só aquela. Bem debaixo do teu nariz, do teu corpo, da tua força. Lerás o mundo devagar. Quererás correr, estagnarás. Será ali, bem ali. Nos primeiros movimentos, no querer andar e não ir, no querer partir e não compreender. Não saberás como agir. Tudo ao seu redor será treva.

Antes, tu imaginava-te feliz à essa hora. E os que te esperarão não vão saber pelo teus olhos: será mentira. Você fingirá por pudor, por espírito de jogo, por compaixão.

Serás feliz, mentindo ser mais feliz, sem demonstrar felicidade?

Ao fim, não contente, você será feliz. Um pouco mais fraco, verdade, mas ainda feliz. Mais leve, mas ainda fraco. Distante, distante. Longe disso tudo, deixarás coisas importantes para trás e te prepararás com afinco mental para o que há de vir. Ainda há de vir. Cada vez mais fraco, cada vez mais superável, cada vez mais desimportante.

Ah, doce sabor da derrota!
Lembra que eu prometi?

Bio-química

Anéis benzênicos, aromáticos
Não têm aroma, só ressonam:
- Somos de carbono e hidrogênio.
As ligações é que impressionam.

São estudáveis, compreensíveis,
Sabem fazer seus conectivos,
Que dão o caminho, são estáveis:
Sai o que sobra, rodam os negativos.

Muito ácidos, só existem.
Não são vivos, os fenóis.
Mais que nós - sem arranjos,
Somos sós, puros nós.

domingo, 16 de maio de 2004

Coisas muito legais que se recebe por e-mail


Click na figura pra ver maior! (Porque deste tamanho fica muito feio)

Na boa, simplesmente GENIAL!
:D

Thanx, Nati!

quinta-feira, 6 de maio de 2004

Níver

dois patinhos na lagoa

Foi um dia maravilhoso. Tudo muito bem planejado de antemão, mas, como sempre, foram feitos ajustes de última hora.

Fui pra aula com a Nati, o que rendeu um poema. Só pra passar o tempo e porque a professora ficou empolgada com a idéia de ter um poema sobre a sua aula.

Da aula, fomos para um restaurante muito gostoso, onde eu nunca tinha ido. Tamathan. Escalope ao molho madeira. “Simplesmente um luxo!” Também provamos um delicioso Petit Gateau. Delicioso (ah, é... já disse que é delicioso?)!!!

Depois de descansar da comida, corremos (literalmente, de suar!) para o Cineclube DirecTV. O motivo: Kill Bill – Vol. 1. Muito bom, gostoso, intrigante, engraçado, espantoso, violentíssimo, e muito bem dirigido, inclusive nos exageros propositais.

À noite, depois de algum tempo de indecisão sobre o que fazer devido à falta de fome, mesmo assim, fomos para o Amigo, restaurante japonês na Avenida Liberdade. Lugar legal, de atendentes estranhos, comida não-ruim, e superfaturamento no refrigerante (três reais uma garrafa, daquelas de vidro!! Absurrrrrdo!!).

E três presentes!! Os dois mais legais não foram da minha família... Quanto a isso, ano passado foi mesmo uma exceção.

Espero que essa data se repita com a mesma alegria e possibilidade de grande comemoração por muitos e muitos anos!!

terça-feira, 27 de abril de 2004

Y mañana és mi cumpleaños! (Rapha, feel free to correct me ;)

:DDD

Nada de trampo, nada de aula (a não ser uma de Química Orgânica, que a Na não pode perder, assim, vou assistir com ela), cinema de qualidade, comida exótica e lugares diferentes!

A hell of a day!
:D


Mas falando um pouco mais sério, queria mesmo é que minha abuelita estivesse melhor, pra eu pelo menos poder almoçar com a minha mãe (que eu não vejo há quase uma semana, por estar cuidando da mãe dela)... :/

Espero que tudo esteja bem, pelo menos, pra podermos comemorar o dia delas.
     Away no banheiro

     Saía de uma interessante aula de Comunicação Oral. Tinha acabado de apresentar um texto acadêmico e me saíra muito bem. Enquanto buscava um banheiro no prédio da Filosofia, no caminho para meu ponto de ônibus, comemorava mentalmente minha apresentação. Pensava em contar meu êxito para minha namorada, enquanto passava pela porta do toalete indo em direção à uma cabine com porta aberta, livre. Duas cabines fechadas, espelho grande, várias pias. Era assim o banheiro da filosofia, de certo eu só não estava habituado. Encaminhei-me para a privada pensando na verba que a Reitoria da Universidade designava para a melhora dos banheiros da Filosofia enquanto os da Letras simplesmente iam apodrecendo. Abri o zíper e satisfiz minha necessidade. Viro-me, saio da cabine e, frações de segundos, meus olhos dão com as costas de uma blusa azul, alguém a se olhar no espelho, amarrando os cabelos castanhos compridos. Das costas, vendo lateralmente, a uma curva, na altura do peito: seios: uma garota: duas garotas: banheiro feminino. Desespero, timidez, olhar o chão, desculpas, desculpas, muitas desculpas e o rosto rubro. Saio apressado, sem lavar as mãos, mas pude ouvir o eco da frase em meio ao riso de uma menina à outra:
     – Bem que, quando eu entrei, falei: ‘Nossa, fazendo de porta aberta...’.

sábado, 24 de abril de 2004

O Sarau da Pri

Há uma semana (o lag pra escrever aqui anda meio alto, né?) fomos eu e a Nati ao Sarau da minha amiga Priscila.

CRUSP, uma roda só, desvairio.
Vinhos secos, grandes poetas, viola inteira
Provolone, cigarros, mary jane, tudo muito moderno.
Poesias próprias lidas por outros próprios, vinhos doces.

Gente que chegou e já foi logo.
Gente que ficou até bem depois.
O que? Quinze pessoas? Por aí.
Old-fashioned

Eu li poema da Nati
A Gi leu uns meus
A Pri, Alice Ruiz
A Pri, da própria.
Palmas!

É, não tem jeito.
Modernismo não é pra mim.

sábado, 17 de abril de 2004

São Paulo - SP / CCB de Serrinha - RJ

1º DIA - "Foi um rio que passou em minha vida"

Depois de uma semana cheia de planos, acordos, compras (supermercado em cima da hora, inclusive), checagens e (falta de) comunicação entre as 4 famílias, fomos para a estrada. Fomos os Andrades (com exceção da minha irmã), os Cruzes, os Carvalhos e os Avellares, famílias que se conheceram no CCB de Itanhaém.
Foram quatro horas de viagem, fora o almoço na estrada, em Roseira - SP. Claro que fizemos festa ao cruzarmos a fronteira SP/RJ, onde tinha uma placa muito legal (que mais tarde eu tento copiar e pôr aqui).
Subindo a estradinha pedregosa, íngreme e sem fim vimos que os arredores tinham mudado bastante desde a minha única ida até lá, há 9 anos. Casas, bares, estâncias, chácaras, pousadas etc. Nem parece o mesmo lugar. A civilização já dá indícios que chegou lá também.
Chegamos (Mãe, Pai, Nati e eu) à tardinha ao camping. Ao chegarmos, os outros três Carvalhos (família da Nati) já estavam lá. Como tinham chegado antes do almoço, armado a barraca deles (próximo de um riacho que corria ali perto - pra dar um clima gostoso pelo barulhinho da água correndo) e arrumado tudo, vieram ajudar a armar as nossas: uma para mim e a Na, uma para os meus pais e mais outra para o Leonardo, que chegou mais tarde, com os Cruzes.
Armamos as três barracas com certa rapidez e uma chuvinha fraca, mas insistente. Ao terminarmos, comemorando a empreitada, a chuva aumentou e também as poças de lama. O que parecia ser somente uma poça vimos se transformar no leito transbordado do riacho que corria atrás. A água cruzava a lona de baixo da barraca. Pânico, medo, choro, angústia, frustração e chuva, muita chuva. Tiramos tudo de dentro da barraca e jogamos no carro dee qualquer jeito. Muita coisa molhou. Resolvemos trocar a barraca de lugar, mas a chuva era muita. Salvamos o que deu, de resto só poderíamos, molhados, esperar a chuva diminuir, já que a barraca estava protegida pela lona de baixo, que já praticamente flutuava. Acalmados os ânimos e a chuva, levamos a dita cuja para um ponto mais alto, cada um segurando uma ponta da lona de baixo, que sustentava o iglu, ou uma ponta da lona de cima. No meio disso tudo é que chegou o carro da família dos Cruzes, que tiveram a sorte de armar quase sem chuva alguma. Todas as estacas batidas, é hora do riso, da comida, do banho e do merecido descanso, porque já era meia-noite.

2º DIA - "Saudosa maloca / maloca querida"

Dia de chuva quase todo o dia.
À noite, no pavilhão, com mesas e bancos de madeira com cara de piquenique, teve vinhos, queijos, sopa de capeletti da sogra e violão (com o povo - eu incluso - se esgoelando de cantar, principalmente nas músicas típicas paulistanas "Saudosa Maloca", "Trem das Onze" e "Tiro ao Álvaro"). Também teve um pouco de Detetive Reloaded.

3º DIA - "It's a beautiful day / Don't let him get away"

O tempo estava mais aberto. Só porque a gente até já tinha se acostumado à lama... Mesmo assim a galera não se animou em ir às cachoeiras/quedas d'água/piscinas naturais de dentro do camping e arredores.
Resolveram ir à Penedo, cidade próxima, de colonização finlandesa com casas, bugingangas e motivos escandinavos. Comi chocolate com pimenta, que eu não gostei apesar de gostar de cada um deles em separado. Enquanto isso a Nati se divertia com bichos de pelúcia de uma loja infantil em frente. É engraçado porque a cidade é uma vilazinha com duas ruas compridas paralelas e algumas transversais e só. Isso é Penedo - RJ.
Ao voltarmos jogamos Detetive, aquele de tabuleiro mesmo. Na primeira a Lívia ganhou; na segunda, surpresa, o Eduardo!
À noite um remake da noite anterior em menor escala, mas mais duradouro pras fofoqueiros de plantão, que ficaram no pavilhão observando atentamente as roupas, costumes e atitudes dos outros acampantes (em sua maioria cariocas).
Já aí fizemos alguns planos para o dia seguinte, dia de partir e, nisso, uma mini-contenda light com minha sogra, pra fechar a noite.

4º DIA - "Never say goodbye"

Por ironia, foi o melhor dia, que começou cedo pra desarmarmos as barracas e guardar tudo no carro.
Como abriu um sol legal, tomado o café, descemos para a cachoeira e a piscina de pedra. Simplesmente maravilhoso. Água muuuuuuuuuito gelada, escalada de pedras, cãimbra e medo na água, emoção e sauna pra fechar.
De almoço a famosa truta com alcaparras da cantina do CCB. E demos adeus ao camping maravilhoso.
Na volta, depois de descer os 15 íngremes quilômetros de estrada de pedras e pedregulhos, na Dutra, furamos o pneu. O estepe, claro, estava no fundo do porta-malas entupido de coisas. Paramos, trocamos, pusemos tudo de volta, tiramos tudo de novo na borracharia mais próxima pra podermos arrumar o furado e curtimos o calor desértico de Aparecida do Norte - SP.
Mais tarde, congestionamento e horas de viagem depois, resolvemos não pegar a Marginal, mas tentar um caminho alternativo. Resultado: nos perdemos nos arredores do bairro de Sacomã e quando menos esperávamos avistamos a entrada de São Caetano do Sul. Depois de rodar um pouco, achamos o retorno, Jabaquara e, mais um pouco, casa. Chegamos às 21h30. O que era para ser quatro, transformou-se em sete horas de viagem.


Tiramos bastante fotos (algumas ousadas), ficamos com alguns arranhões e cortes, roupas molhadas, bastante vinho, queijo e chocolate no corpo, um dia sem banho, um pneu a menos no carro, alguma água a menos no organismo (pela sauna) e um cansaço reconfortante junto da certeza de ter tido um feriado dos melhores possíveis e como há muito não me lembrava de ter tido.

sábado, 3 de abril de 2004

     Amarelo

     I

     Os Três Amigos acordaram e mataram aulas como num dia qualquer. Cada um vestiu sua bonita camisa colorida e bermuda. Como sempre, despediram-se de suas mães com um beijinho no rosto e foram encontrar os outros dois. Fazia tempos que não iam às aulas e matá-las já era cada vez mais desinteressante. As mães já quase não perguntavam da falta de caderno. O garoto de camisa vermelha resolveu renovar uma de suas práticas. Propôs aos amigos se divertirem de um jeito diferente:
     – Vamos engambelar alguém? Faz tempo que nós não fazemos isso.
     Os outros dois, um de azul o outro de amarelo, assentiram. Fazia tempos que não se divertiam intimidando as pessoas na rua e levando seus pertences. Passaram a discutir sobre o local:
     – Tem que ser um lugar sussa, sem gambé e sem muita gente, tá ligado? Mas tem que ser n'algum lugar onde todo mundo pergunta coisa pra todo mundo.
     – Tipo, onde? - perguntou o Azul, sempre com seus óculos escuros.
     – Poupatempo, esses bagulho?
     – Não, caralho! Poupatempo tem gambé pra caralho. Tem que ser sussa, tá ligado? - respondeu o Vermelho.
     – Tipo, n'alguma praça, assim?
     – É, tipo isso.
     – Ô, ali em baixo tem uma. Do lado do Detran.
     – E no Detran num tem os homens?
     – Tem nada! Orra, vamos lá!
     – Beleza. Vamos que essa camisa amarela aqui já tá desbotando, essa porra. Tô precisando uma nova... - disse o Amarelo, rindo e fazendo planos com o dinheiro que levariam.
     Durante o caminho, Vermelho pensou em definir o alvo para o assalto:
     – Não pode ser preto, que você tá ligado, né? Nós pega um preto depois desce a favela inteira atrás de nós, lá na escola, no cafofo... É foda.
     – Pode crê. Também não pode ser alemão. Vai que o cara é doido, meio nazista, sei lá. - redarguiu o Azul.
     – Não viaja, porra. Tô falando sério, caralho. Alemão pode. Tem nada a ver, não.
     – Então não pode é magrelão, nem alto, nem forte, que a gente pode tomar umas porradas ou o otário sai correndo, essas merda.
     E desceram a rua em direção à praça. Passaram por ela três vezes, nada. Num uma velha, nem madame, nem office-boy, nem um retardado. Foi quando avistaram, tentando atravessar a a avenida rumo à praça, um rapaz de quase 22 anos de idade (a mesma dos três), levemente obeso, com cara de desajeitado, barba por fazer, óculos escuros e ouvindo música num fone de ouvido. Se entreolharam e sorriram para si próprios, fechando o sorriso numa feição de ameaça, enquanto o rapaz se aproximava, carregando nas costas sua mochila surrada. O Vermelho pôs a mão no bolso, agitado. O Amarelo, de passos firmes, fazia sinal para o rapaz diminuir seu passo. Disseram coisas ao rapaz, que estava também de camisa amarela e não compreendera o sinal. Só então ele tirou o fone de ouvido e percebeu que estava sendo assaltado.
     – Passa o dinheiro e fica sussa. Na moral! - disse rápido o Amarelo.
     Todos falavam "vai" e "vamos logo". Sempre as mesmas frases em meio às ações num tempo que parece acelerado sempre. Levaram todo o dinheiro dele e as conduções de ônibus e metrô. Como acharam pouco, o Vermelho reagiu com raiva nos olhos:
     – Dá o discman, porra! Passa logo! Mochila no chão. Vamos!! Passa essa porra!
     – Amigo, eu só tenho doze reais - rspondeu o rapaz para o Amarelo, que verificara a carteira enquanto o Vermelho olhava a mochila. O Azul só olhava em volta, cuidando do movimento.
     Estavam para abandonar a vítima quando o Amarelo reparou na camisa amarela do assaltado. Nova, de bom tecido e limpa.
     – Tira a camisa, porra. Passa pra cá!
     – Que?
     O Azul e o Vermelho se surpreenderam.
     – Não, mano! Deixa o cara. Vai dar merda. O cara sem camisa chama a atenção. Vão pegar a gente.
     – Cala a boca! Vão nada! Tá calor. Anda, otário, tira logo!
     O rapaz obedece. Os três abandonam-no. Ameaçando-o caso chame a polícia. Em seguida, dão alguns passos e comemoram a vitória no delito, não sem repreender o Amarelo. Sentam-se embaixo de uma ponte da praça e ouvem o CD que o rapaz ouvia, tranqüilamente.

     II

     No Departamento de Polícia, o rapaz, sem camisa e sem dinheiro, fazia o Boletim de Ocorrência. Deu pormenorizadamente, como requerido, os detalhes do assalto e das características dos Três Amigos. Ao reler os dados e os momentos impressos nos papéis e na sua mente, ele ouve os comentários das atendentes do departamento, na imponente sala ao lado:
     – E não queria ser assaltado? Com esse jeito de pacífico, óculos escuros, escutando música e com roupa amarela, que chama a atenção...
     – Aí já é estar pedindo, né?
     O rapaz assina as vias da Ocorrência e pensando em como voltar pra casa depara-se com o cartaz na saída do D. P.: "Nós estamos aqui para resolver seu problema, não para sermos um".


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Tem coisas que só ficam boas em forma de conto.
Quase tudo é ou deve ser verdade. Aconteceu ontem. A camisa foi só questão de coincidência, por isso inventei que ele tinha levado. Anyway, fiquei com a camisa, mas sem o dinheiro, sem o discman e sem meu cd de mp3. Pelo menos eles deixaram todos os documentos e os cartões de banco.

Agora, qual é a coisa mais irônica quanto a tudo isso? Depois de ter escrito o conto no ônibus, ao passar para o pc, escutando músicas aleatórias, toca Proteção, da Plebe Rude.

Tsc, tsc, tsc.

God is a big joker sometimes.
"Fi, fa, fu, fun for me", he'd say.
Foto no KB

Eu e a Nati.



Como disse uma colega do trabalho: "só o Raphael mesmo pra numa festa de aniversário, com música, baralho, todo mundo bebendo ele fica lendo um livro e na capa tá escrito 'Djavan'".
That's me!
Não que eu não tenha bebido... :)

terça-feira, 30 de março de 2004

Ah, vocês viram que invadiram a casa da minha amiga Camila (que acontece de ser a namorada do meu irmão)???
Ufa! Faz tempo que não escrevo...
Mas ainda to vivo. Sumido, mas vivo. :)

No sábado para o domingo rolou o aniversário do KB, meu amigo do IAMSPE. Foi no sítio dos pais da namorada dele Camila. Foi muito bom! Gente desconhecida, mas muito simpáticas, campeonato de truco (eu e a minha parceira perdemos na semifinal), música alta, nada de pais, comida da boa, vinho, roda de violão com pessoas que cantam muito bem e dormir numa cama de casal com a Nati.

Tivemos que voltar rapidinho pra almoçar com o sogrão, já que domingo era niver dele. No mesmo domingão, além de dormir muito vi Piratas do Caribe, do Gore Verbinski (o mesmo de O Chamado), com Johnny Depp e Geoffrey Rush. Ao contrário de quase todas as opiniões que coletei, achei ele um filminho "bem-mais-ou-menos". Divertidinho e só. Uma sessão da tarde consistente. E só. Ah, os efeitos especiais são bons e o Johnny Depp está muito bem, mas de modo geral fiquei decepcionado.

domingo, 21 de março de 2004

Weekend

Ai, ai...
Esse final de semana era tudo que eu precisava: comecei minhas aulas de direção e ganhei um medo gigante de não passar na prova, coisa que até então não tinha temido apesar dos inúmeros comentários quase tentando me amedrontar...

Mas depois os pais foram embora de casa e fiquei com a Nati e a . Fogazzas, pizza e filme estranho na tv (Solaris, do Soderbergh). Corrida às 4 da manhã.

Domingão with no parents. And no sister too. :D
Fazia tempos que não imperava na casa. É maravilhoso! Digam o que quiserem, mas, pra mim, tem poucas coisas que me satisfazem mais. Nhoque e lasanha de almoço. TV, tocando (e ensinando) música com (e para) a Nati. Dormir muito, muita preguiça, descanço, descanço, descanço.

Perfeito.
:DDDD

sexta-feira, 19 de março de 2004

Arrumando a casa

Desde o começo desse ano estou pra pôr a imagem do aniversário da cidade, só hoje fui me prestar a fazer isso...

Aliás, estou pensando em mudar de template há algum tempo.
Só preciso de inspiração e tempo, muito tempo.

sábado, 13 de março de 2004

North-East-West-South

Ah, passei na prova teórica do Detran!!
Estou a um passo (ou seria uma acelerada?) de ter a minha carta!!!
Agora faltam “só” quinze aulas de direção e mais a prova prática... *suspiro*
Bom, pelo menos já to mais pra lá (com carta) do que pra cá (sem carta).
:)
LH Show

Então, fui ao show. E foi bom, muito bom. Pulei, cantei, berrei, aplaudi, vibrei, tudo. Só não gritei "lindo"... :) Embora tivesse "alguém" louca pra fazer isso pro Bruno (tecladista).

Mas foi um show bem legal. Curti muito. Eles tocaram quase todas as músicas do Ventura, terceiro e mais recente CD; algumas (umas cinco) do Bloco do Eu Sozinho (segundo álbum); e duas (Quem Sabe e Tenha Dó), do Los Hermanos, o álbum de estréia.

Tinha uma banda de abertura: a bandinha do Circo Garcia, que tocou por pouco mais de quinze minutos. Tocaram o quê? Músicas de carnaval, oras bolas (!?). Ah, tocaram também Anna Júlia, o megahit da banda que eles nunca tocam em shows (melhor assim). A galera toca cantando a plenos pulmões uma música em estilo de marchinha de carnaval... Genial.

O som estava bom, não muito bom, nem regular, mas bom. Os metais estavam um pouco estridentes demais. Os pratos também; mas as guitarras, as vozes, o teclado, o resto da bateria e as palmas (feitas pelos caras dos metais) estavam bem equalizadas.

Os pontos altos do show foram:
     - O fundo do palco, que era uma pintura maravilhosa da Baía da Guanabara. O mais surpreendente era que as luzes que incidiam sobre a tela gigante dava diferentes sombreamentos sobre a paisagem.
     - As luzes sobre a tela, que iam alternando dia, entardecer, noite, amanhecer e luar (sim, duas luzes brancas incididas no alto da tela davam MESMO a impressão de que era uma lua cheia no céu). Em outras palavras, os dias iam passando durante o show.
     - Durante a iluminação com luzes mais escuras (azul no céu e verde escuro na água, para criar o clima de noite), atrás era jogada uma luz branca contra a tela, e alguns furinhos na própria faziam parecer que eram as luzes das casas na paisagem original do Rio de Janeiro (simplesmente genial!).
     - Durante a Todo Carnaval Tem Seu Fim, serpentinas e confetes (previamente distribuídos) foram jogados para o alto pela própria platéia. Todos saíram com pelo menos um confete grudado em si.
     - A brincadeira com as palmas do pessoal dos metais (trompete, sax e trombone) durante a Último Romance (vale ouvir no cd, mas ao vivo é muito engraçado!).

Foi um show muito divertido e gostoso de se ouvir. Principalmente quando se é fã da banda.
;D

Foi meu terceiro show deles e o melhor dos três.
Texto de autoria de uma certa espectadora, escrevendo especialmente para o MusicoMind:


Sexta feira. Foi um dia cheio.
Primeiro comprar ingressos para o show dos Los Hermanos. Depois ir à Fnac para um showzinho dos próprios. Três horas na fila, de pé (sabe aqueles seguranças chatos que têm o dom de chegar bem na hora em que você acabou de sentar no chão e mandam você levantar, então...).
Enfim, os caras tocaram, num lugar minúsculo, um "palco" que na verdade era o próprio chão, e sentados. Sorte nossa (ou não), que assistimos ao showzinho debaixo de uma escada, sentados no chão sujo e semi-molhado da chuva do dia. Vimos a banda de lado, por uma porta de vidro. (Ai meu pescoço!)
Eles são muito simpáticos e divertidos. O Bruno Medina é uma figura, faz barulhos estranhos e tortos no teclado nas horas mais "nada a ver", apesar de raramente dar um sorriso.
Tinha um cara na nossa frente que ficava pulando sentado, parecia que era filho do Amarante, que é outra figura.
Durou só meia hora, mas valeu. Um aperitivo para o verdadeiro show de sábado.

domingo, 7 de março de 2004

Dia das mulheres

Não costumo gostar da "mercadologia propagandológica" que circunda algumas datas e nos impõe a comprar coisas para dar de presente, mas algumas vezes a propaganda até ajuda. É o caso, pra mim, do Dia Internacional da Mulher, quando, se não fosse pela mídia bombardear-nos com "compre isso", ou "financie aquilo em tantas vezes", eu provavelmente não lembraria da data, mesmo sendo a respeito destas figuras pelas quais tenho tanta admiração.


Mulheres, parabéns pelo seu dia!!!!


Beijo muito especial para para minha mãe, pra minha irmã, e pra minha Nati.

sábado, 6 de março de 2004

Ontem teve show do Los Hermanos na Fnac, que eu (matei aula, mas...) fui; conto melhor depois.

E hoje tem
Peixe Grande

Filme muito foda, feito pelo Tim Burton, o mesmo de Beetlejuice (Os Fantasmas Se Divertem), Sleepy Hollow (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça), os dois primeiros Batmans, Edward Mãos de Tesoura.

Suas características são filmes leves, divertidos, com muitas sacadas engraçadas, mas ao mesmo tempo de uma melancolia quase que gerada pela própria graça. É como se um adulto se pusesse a pensar como criança e começasse a filmar desenhos animados com atores de verdade. Só que esses desenhos falam muito sobre a condição humana, apesar de não raro conterem situações convencionalizadas como impossíveis para a vida diária.

Big Fish é exatamente assim. E por isso o espectador sai da sala do cinema com uma sensação de plenitude, de que a vida é muito mais do que só isso que nós somos, é como se alguém tivesse acabado de te contar algo que você nunca havia se dado conta, embora sempre soubesse.

Lindo, lindo, lindo.

terça-feira, 2 de março de 2004

Back to classes

E voltaram as minhas aulas, e com elas a velha rotina cansativa, mas querida.

Saída do IAMSPE, às 14h15.
Chegada na USP, às 15h30.
Aulas, só às 19h30 (não compensa voltar pra casa).
Saída da aula, às 22h40.
Casa, às 23h30.
Dormir por volta da meia-noite, pra acordar às 6h00.

*suspiro*

Muita coisa nova...
Primeiro que a faculdade agora não é mais de brincadeira (embora ano passado eu tivesse que ficar com boas notas pra poder escolher a habilitação de Inglês, o que eu consegui). Antes eram só quatro matérias, agora sete, sendo quatro de Português (Fonética e Fonologia do Português, Língua Latina, Literat. Brasileira, Literat. Portuguesa) e três de Inglês (Comunic. Oral, Comunic. Escrita e Introdução à Prosa). Desta vez também não tem nenhuma “janela” (vulgo “aula vaga”).
Outra que agora eu vou ter aula com a Giovana, uma querida e amalucadamente loira amiga com quem eu não tive aulas no último semestre. Muito mais legal é que agora já me sinto mais seguro e empolgado em ir à faculdade. Já conheço mais gente, já me dou bem com alguns; já dá pra dizer até que tenho uma panelinha... o que é um tanto raro pra mim já que tenho dificuldade de iniciar relações com as pessoas... É... Tava na hora, né? Segundo ano, pô...
Mais uma foram as surpresas da aula de Comunicação Oral de segunda-feira: TUDO é em inglês. A aula é inteirinha em inglês, possíveis perguntas são em inglês, e claro que respostas em inglês. Muito simpática a professora. Muito exigente também. O programa é só de textos acadêmicos, que vamos apresentar oralmente. Dá até um frio na espinha...

Lembro quão feliz eu fiquei, do alto dos meus 16, 17 anos, quando pela primeira vez tinha conseguido assistir a um seriado (acho que era Dawson's Creek) sem ler a legenda... Bons tempos...

Ai, ai... Passar a saber algo que não se sabe é sempre um processo difícil.
Mas é pra isso que eu tô lá...

É isso aí.
Me encontro bem atarefado, mas animado.