Memórias do subsolo
"O impossível quer dizer um muro de pedra? Mas que muro de pedra? Bem, naturalmente as leis da natureza, as conclusões das ciências naturais, a matemática. Quando vos demonstram, por exemplo, que descendeis do macaco, não adianta fazer careta, tendes que aceita a coisa como ela é. (...) Porque dois e dois são quatro, é matemática. E experimentai retrucar.
'Não é possível', vão gritar-vos, 'não podereis rebelar-vos: isto significa que dois e dois são quatro! A natureza não vos pede licença; ela não tem nada a ver com os vossos desejos nem com o fato de que as suas leis vos agradem ou não. Deveis aceitá-la tal como ela é e, conseqüentemente, também todos os seus resultados. Um muro é realmente um muro... etc. etc.' Meu Deus, que tenho eu com as leis da natureza e com a aritmética, se por algum motivo, não me agradam essas leis e o dois e dois são quatro? Está claro que não romperei esse muro com a testa, se realmente não tiver forças para fazê-lo, mas não me conformarei com ele unicamente pelo fato de ter pela frente um muro de pedra e terem sido insuficientes as minhas forças."
(Fiódor Dostoiévski)
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
Ain't no sunshine
Ain't no sunshine when she's gone.
It's not warm when she's away.
Ain't no sunshine when she's gone
And she's always gone too long anytime she goes away.
Wonder this time where she's gone,
Wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home anytime she goes away.
And I know, I know, I know, I know, I know,
I know, I know, I know, I know, I know, I know, I know,
I know, I know, I know, I know, I know, I know,
I know, I know, I know, I know, I know, I know, I know, I know
Hey, I ought to leave the young thing alone,
But ain't no sunshine when she's gone, only darkness everyday.
Ain't no sunshine when she's gone,
And this house just ain't no home anytime she goes away.
Anytime she goes away.
Anytime she goes away.
Anytime she goes away.
Anytime she goes away.
And as for me... I still live in Notting Hill.
=/
Ain't no sunshine
Uma das nossas vozes se foi.
(E no período mais crítico.)
Não há teses
como "não há vagas".
Aprendi muito contigo lá, foste minha mestra. Aqui fora, além de mestra (com os meus "tá certo isso?"), continuarás sendo minha "amiga e companheira no infinito de nós dois".
Sentiremos tua falta, Ale.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Um dia eu quis essa vida
Última pergunta da entrevista do Bráulio Mantovani, roteirista de Cidade de Deus e do recente Última parada: 174, ao UOL.
Que conselhos daria para alguém que quisesse se iniciar na atividade de roteirista? O que diz a quem lhe pergunta isso?
Meus conselhos são: 1) tenha certeza de sua vocação, 2) desenvolva as habilidades básicas do roteirista (pensar e escrever com imagens sem usar termos técnicos; dominar os princípios da dramaturgia); 3) estude os roteiros dos mestres, 4) reescreva, 5) reescreva novamente, 6) reescreva sempre.
Um dia eu quis essa vida. Hoje, não sei mais o que quero.
sábado, 2 de agosto de 2008
Informe importante
Três garotas estão enganando vários motoristas parados nos semáforos da zona Sul em S.Paulo. A primeira, uma garota linda, com um busto avantajado e um top reduzido (com os peitos quase de fora), oferece-se para lavar o pára-brisa do carro. O detalhe é que ela já vem com o top todo molhado e grudado ao corpo. A segunda aproveita a distração momentânea da vítima, enfia a mão dentro da calça do motorista, começa a masturbá-lo e num lance que demonstra muita prática e habilidade, se projeta dentro da cabine e começa a fazer sexo oral. Ai fica totalmente aberto o caminho para que a terceira aproveite para roubar tudo o que estiver nos bancos do passageiro ou até mesmo no porta-luvas do carro.
CUIDADO! Elas são perigosas e estão bem organizadas. Eu já fui roubado 22 vezes na última semana, 5 vezes ontem, 6 vezes na terça-feira e 7 vezes na segunda-feira. Hoje ainda não consegui descobrir onde elas estão agindo. Se souber de algo, me avise pois elas sumiram...
Sim, este blog perdeu o respeito.
Mas continuamos em busca de sua função.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Parabéns, queridos!!!
Quero dar os parabéns para os membros do meu "Fab-4", pelas "graças alcançadas":
Li, as fotos ficaram lindas!! Tenho certeza que seu trabalho foi genial. Agora é esperar a première!
Ro, agora é aguardar a banca! Congrats, meu dear!! Maintenant, bon voyage!!
Lê, agora é despistar a profª de Infantil e se concentrar na última prova. Ajudo-te se necessário!!
Ra, parabéns por ter tirado 10 em POEB e em Didática!! E nove na "tese de livre-docência em educação", ou o Relatório de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa I (vulgo MELP I).
Beijos e abraços a todos.
Momento reclamação e anúncios de shows
Pô, não gostei da KissFM anunciar o show do Joe Satriani daquele jeito.
"Após 20 anos de lançamento de sua obra-prima Surfing with the alien, Joe Satriani retorna ao Brasil com uma novidade ainda mais explosiva (...)"
Cacete, eu sei que eu tô velho. Não preciso que a rádio me lembre disso a cada 20 minutos...
hunf...
Apesar de eu gostar muito do Satriani, o show deve ser meio malinha, com seus 500 solos intermináveis - motivo que faz os fãs quererem ir. É aí que descubro que não sou tão fã assim. E é melhor guardar para o Rush - de novo no Morumbi, ainda sem data - e para o da Madonna, na segunda quinzena de dezembro, também no Morumbi. E não curto o termo "eclético", prefiro "versátil".
PS: Como é bom estar de férias e poder postar alguma coisa!! YEY!!
terça-feira, 17 de junho de 2008
Narciso literário
Ajudando uma amiga num trabalho de faculdade, respondi umas perguntas relacionadas à educação de literatura. Gostei tanto do assunto e das minhas respostas que resolvi publicá-las no meu momento narciso.
1)Como você idealiza sua função como professor de literatura?
Idealizo como um ser que é capaz de fazer com que alunos que não sabem e não gostem do assunto não somente aprendam, mas sintam-se motivados a ler e conhecer mais da literatura, ao menos do país em que vivemos.
2)Como vc concebe a elaboração de um currículo ideal para o aprendizado de
literatura, tendo em vista os conhecimentos adquiridos durante o período de
sua formação acadêmica?
Com base nos conhecimentos da universidade, penso num currículo ideal composto primeiro pela importância dos movimentos na criação literária, ao invés de ir estudando-os cronologicamente. Claro que também é necessário adequar o conteúdo ao grau de compreensão do aluno. Mas acredito que o correto seria começar brevemente pelo Trovadorismo, depois dar ênfase ao Romantismo (influenciado diretamente por aquele), ênfase no Realismo, brevemente pelo Parnasianismo, Simbolismo e Pre-Modernismo. A maior ênfase seria dada no Modernismo, já com alunos mais velhos, para que esses percebam que a literatura vai além do papel e pode ser uma atitude. Acho importante que a cada movimento literário seja situado para o aluno em que período que se está, para que ele possa ter a visão do todo dos movimentos.
3) Pensando na diversidade cultural existente no mundo de hoje, como conciliar
o estudo de literatura com as diversas visões culturais presentes na sala de
aula?
É necessário mostrar para o aluno que não existe uma só "cultura literária", mas muitas. Não existe uma central, ou dominante. Como diria uma frase célebre pintada na Praça do Relógio da USP, "no universo da cultura, o centro está em toda parte". A diversidade cultural é necessária e deve ser mostrada e valorizada para o aluno. Claro que se deve informá-lo que existe uma certa classe, dominante, que vai cobrar dele o conhecimento do que essa classe considera ser uma literatura também dominante; mas da mesma forma ele deve saber que esse conceito não é adequado ao mundo plural em que vivemos hoje.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Neo-hippies
02 Neurônio
(fonte: Folhateen)
>>Jô Hallack >>Nina Lemos >>Raq Affonso
02neuronio@uol.com.br / http://02neuronio.blog.com.br/
QUANDO ÉRAMOS teens, a frase "odeio hippie" era um de nossos mantras preferidos. Só que o tempo passa e a gente troca de mantra. Hoje, é "odiamos neoliberais". E, mais do que isso, começamos a perceber que aquilo que os hippies pregavam era bem legal. Por isso resolvemos sair do armário. E com orgulho assumimos, somos neo-hippies. Significa que:
Queremos ficar em paz
Sim, sabemos que todo mundo tem um lado agressivo. Mas tentamos cuidar do nosso lado tacando a cabeça na parede sozinhas em casa se necessário. Não achamos nada bacana ser agressivo com os outros. E, cada dia mais, desprezamos as pessoas que gritam: seja um chefe, um professor de química ou um pretê.
Até somos a favor do amor livre
Ficar com um amigo pode ser legal, bem mais bacana do que beijar um babaca, ou um careta, como os nossos amigos hippies diriam. Só que somos neo-hippies -e não hippies- por isso achamos que tudo no mundo tem limite. E que essa coisa de ficar com outras pessoas e "contar para o companheiro", como era moda nos anos 70, é uma roubada fenomenal.
Quase moramos em comunidades alternativas
Sim, alguns dos nossos exs são bem vindos em nossas casas, inclusive com suas atuais namoradas. Se o ex fica amigo, acabamos achando que ele é meio parte da nossa família, que, é claro, é formada pelos nossos amigos.
Achamos ridículo querer ganhar muito dinheiro
Na sua escola deve ter um monte dessas pessoas. Elas querem vencer na vida a qualquer custo. Provavelmente vão conseguir. Só que esse vencer na vida é bem relativo. Vocês acham mesmo que ser um vencedor é trabalhar 14 horas por dia e passar por cima dos outros só para se dar bem na firma? Aliás, achamos uma babaquice tremenda dividir o mundo em losers e winners.
Gostamos de nos sentir "on the road"
Muito bacana pegar uma mochila e sair por aí. E não estamos falando de pacotes turísticos para a Disney. Pegar carona hoje é perigoso. Mas sonhamos com longas viagens de trem. E achamos que um mês de felicidade por causa de férias na Europa é muito pouco.
Voltamos a gostar dos Beatles e do Caetano
Calma. Ainda acreditamos no faça você mesmo e que três acordes bastam para tudo. Por isso, assumimos que ainda odiamos rock progressivo e guitarristas virtuoses.
As meninas estão com tudo! Exceção à última parte, em que:
Três acordes não bastam para tudo. Irgh!
Rock progressivo é bem legal, as well as guitarristas virtuoses.
E, sim, eu leio "Folhateen".
segunda-feira, 31 de março de 2008
Poema Play
"A dança das canetas: uma vida anotada"
Tremíamos "feito vara verde",
como nossos pais.
Os números já tinham dançado
sua dança louca
nas falhas planilhas e bloquinho
para formar o grande bloco de notas
que ainda não temos...
Pós almoços homéricos,
de Itiriki à Ogawa,
o segredo é conter-se.
Ficaram pra trás
a falsa valsa e
a farsa da máscara neutra:
pura sensação extravasada pela caneta,
um tango apaixonado no papel das Notas.
Os olhares cúmplices...
Nós, em dois, em um nome
depois de tomarmos tantas notas,
a sublimação de escrever-nos tantas vezes virou
o champanhe
do contrato selado,
gelado,
visto que sem Li (ou Sueli).
Mas a Glória nos chama ao longe
de longos anos...
Era como se fosse a nossa primeira vez
E, de fato:
(memória)
nervoso feliz
(memória)
instigado querendo
impulso
e o sorriso
(sorriso)
duradouro
(e certo)
"Play"
Simples assim.
O significante significativo!
O grito ficou preso na pressa
já que 7min nos separam
do Ipiranga,
reproduzido nos livros de história
direto para nossa História.
Os parabéns das finanças humanas
nos olhos e nos SMSs.
Assim como quem brinca,
lendo A Regra do Jogo,
crescemos.
Ao fim de uma semana,
como toda boa idéia,
é bom escrever e gravar
pra sempre:
Eu e o folder entrando na casa paterna
O beijo para o trabalho feliz
Os parabéns "splash and go"
A mensagem celular
A chamada ao longe
Às palmas escrituradas
As fotos e o poema
"A dança das canetas",
com suas notas, que,
oxalá, se Deus quiser e a Deusa permitir,
vão virar música para dançarmos
juntos...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Wonderful tonight
(Eric Clapton)
It's late in the evening; she's wondering what clothes to wear.
She puts on her make-up and brushes her short pink hair.
And then she asks me, "Do I look all right?"
And I say, "Yes, you look wonderful tonight."
We go to a party and everyone turns to see
This beautiful lady that's walking around with me.
And then she asks me, "Do you feel all right?"
And I say, "Yes, I feel wonderful tonight."
I feel wonderful because I see
The love light in your eyes.
And the wonder of it all
Is that you just don't realize how much I love you.
It's time to go home now and I've got an aching head,
So I give her the car keys and she helps me to bed.
And then I tell her, as I turn out the light,
I say, "My darling, you were wonderful tonight.
Oh my darling, you were wonderful tonight."
Mesmo que não tenha sido perfeito, é assim que quero me lembrar da noite de ontem.
Faço aqui uma pequena homenagem a uma amiga que recentemente passou na USP. Depois de dois anos de Etapa, a gente acaba ficando bem mais próximo dos alunos.
Há mais ou menos um ano, marcamos - eu, a Fe, a Na e a própria Tathy - de ir beber no Tchê, perto da SJ. Foi bem legal e emocionante a noite que registrei em versos.
Cervejada com amigas
Esperei-as no metrô
Fernandinha e a Tathy
"A Natasha vem depois"
São Joaquim, o que é o Tchê?!
Profundezas de um boteco
Apagado, tenebroso,
Só sinucas e cervejas
Sem sequer u'a musiquinha...
Na partida tomei pau,
Chega a Na e traz notícias.
Às chamadas celulares,
choros, risos e abraços...
e conversas...
e cervejas...
e partidas...
e lembranças...
Todo mundo abre a vida
E ninguém é mais criança.
Deu vontade de crescer.
Descobertas bastante chocantes
Antes nunca imaginadas
Saindo de todos os lados
Pra gente dar risada
E se sentir mais próximo
E ser mais
Amigo
E adulto
Sem perigo
Mesmo com garotas
Com tacos e bolas
Amizade "sem cheia de dedos"
Com histórias e conselhos.
Super divertidos!
"I love you all forever and ever".
(Raphael Aguirra)
=)
Parabéns, srta. "5º lugar em Artes Plásticas"!!!
sábado, 19 de janeiro de 2008
terça-feira, 30 de outubro de 2007
É aquele papo, filme vai, filme vem... 31ª Mostra e tal... Tarantino foda, El orfanato foda, uns mais ou menos, outros menos... Mas, depois de tanto tempo no mudo, resolvi falar...
Nome próprio
Pois é. De novo, to apaixonado... Não fiz uma música porque ela não saiu. Virou texto. Esse. Às vezes é preciso fazer as coisas virarem textos.
Minha paixão antiga tava linda hoje. Não olhei tanto pra criatura. Olhei mais pra criadora: Clarah. O tal do Nome próprio nem é tão bom.. É meio cansativo, repetitivo e deixa as pessoas "chapadas" na tela, "tudo no mesmo plano", diria meu professor de Literatura e Cinema. Conflitos sociais não aparecem. Não explicitamente. O mote é o indivíduo, e nem por isso o filme tem uma perspectiva egocêntrica. (Ou tem e sou eu que não vejo porque me identifico demais?) Crítica às favas, me peguei pensando; e não é isso que um filme tem que fazer?
O que de fato me chamou a atenção é que esse filme me fez sentir. Me fez sentir o que eu senti quando li o Máquina de Pinball, da mesma Clarah Averbuck, a "Brasileira!Preta". Senti uma imensidão vazia, que é cheia de vida; "um meio de transporte pra quem tem coração cheio".
Fico aqui tentanto definir uma coisa meio indefinível. Sou fã da Clarah. Tenho o livro autografado: um pedaço de papel rabiscado com um nome. So what? Não, isso não é ser fã. Eu sempre soube e ela me ensinou a me ensinar de novo. Sou fã da VIDA dela, da vida desregrada, sem amanhã, sem ontem, só hoje. – É um Cazuza não-burguês e sem AIDS... e mulher... É, não tem nada a ver. – Sou fã porque minha vida não é assim, minha vida é de "Oi, tudo bem? Dúvida? Sim, Gramática, Literatura, Redação. Olha, tenta refazer e traz a nova junto da antiga pra gente comparar... De nada... Bons estudos... Volte sempre...". E o pior é que às vezes eu gosto, mas reconheço que pode ser estupidificante se a gente não conseguir pôr o que somos de verdade, de carne e osso e alma, no trabalho. Acho que gosto dela porque ela faz o que gosta, minto, faz o que ama. Sou fã disso, da postura, dela.
Esse é o mundo em que vivemos. Do tal do dinamismo, modernidade e esse caralho. Nos faz ter ídolos que são o que não somos. Mesmo que se fodam por não terem dinheiro, não terem bem onde dormir, são fodas mesmo assim. Têm amigos, mesmo que esses os traiam depois, têm amor pelas coisas, pelas pessoas, pela vida. Intensamente hoje. Eu a vi e me vi na tela. "Não as duas que ele teve, mas só a que eles não têm". Apaixono por todas elas: Clarah, Camila e Leandra. Lindas. Paula também. E todos que se metem nos seus caminhos. Sinto falta de amar as coisas; de me ler nos livros, de me ouvir nas músicas. Por isso escrevo eu mesmo, quando me falta o eu no que vivo. E me sinto mais inteligente - e até capaz de escrever coisas inteligentes - depois de sentir a presença dela(s). Mas, ao mesmo tempo, não.
No fundo, acabo que sou como o nerdzinho metido a entedido de cultura que cresceu regado à superficialidade de tudo-à-mão e de filme pornô, mas que não sabe tratar direito uma mulher e paga um pau pra uma mina que tem uma vida que nunca vai ser a dele porque nerdzinhos metidos a entendidos de cultura só podem ter vidas regradas e dependentes do dinheiro, sem nunca saber o que é amor, quando muito só sexo.
Quem acreditaria que esse sou eu?
Escrevi isso, já é algum avanço. (Talvez não.) Nem fiquei excitado (conforme o padrão de estímulo-reação do gênero masculino) ao ver o corpo da Leandra/Camila. Isso é mais avanço. Mas só isso não é aquilo.
Eu? Só queria um pouco de vida. Ou de paixão, que dá no mesmo.
Enquanto não, sigo à busca de um Nome Próprio, algo meu, seja Compositor, Cineasta, Escritor, Amigo, Fuck Bud, Poeta, Namorado, Plantonista de Português ou Raphael. Só não pode ser Clarah, Camila ou Leandra. Esses já têm Pessoas. E me apaixono, pelas três e por tudo, sem nunca amar.
Talvez esse seja o erro.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Björk vai se apresentar no Tim Festival deste ano
Ok, agora fodeu.
Ainda mais no mês da Mostra?
É, fodeu.
E o sonho de ver show dos meus cinco favoritos está se concretizando, mas ainda falta o Radiohead.
Se bem que com a volta do Police e do Genesis...
Bom, meio caminho andado.
Björk, aqui vem ela!
quinta-feira, 28 de junho de 2007
"Pedro pedreiro, penseiro, esperando o trem..."
Desconheço quem seja, mas o texto fala por ele.
"Deu no Le Temps de sexta-feira: Eugenio Fernandez passou os últimos oito anos no fundo do poço, ou melhor, do buraco, escavando o túnel do Lötschberg, o terceiro maior do mundo. Foi o ápice da carreira do mineiro espanhol, que, nos 36 anos em que morou na Suíça, passou 34 debaixo da terra. Ele e sua equipe suportaram as condições desgastantes da obra graças à solidariedade e ao orgulho do trabalho bem feito. No fim, foi despedido. Nem pôde participar da festa de inauguração, pois nenhum dos trabalhadores foi convidado.
Lembra o "Pedreiro Valdemar", do samba composto por Wilson Batista e Roberto Martins, sucesso na voz do cantor Blecaute no carnaval de 1949:
Você conhece o pedreiro Valdemar?/ Não conhece/ Mas eu vou lhe apresentar/ De madrugada toma o trem da Circular/ Faz tanta casa e não tem casa pra morar.// Leva a marmita embrulhada no jornal/ Se tem almoço, nem sempre tem jantar/ O Valdemar, que é mestre no ofício,/ Constrói um edifício e depois não pode entrar.
Parece que, nem aí nem aqui, nem ontem nem hoje, nem Eugenio nem Valdemar estão perto de ver a luz no fim do túnel.
José Ignácio"
segunda-feira, 28 de maio de 2007
"A televisão me deixou burro, muito burro demais"
E-mail escrito por uma amiga, sobre a greve da USP.
Peço que repassem artigo em defesa das reivindicações estudantis, escrito pelo professor da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), cadeira de Latim, escreveu para a Folha, porém, foi vetado.
Ele explica, baseado na documentação oficial, quais foram os motivos pelos quais USP, UNESP e UNICAMP entraram recentemente em greve.
Creio que, ao contrário do que tem feito a mídia, este seja um relato bastante informativo a respeito da crise das universidades paulistas.
O artigo, convém ressaltar, foi vetado para publicação por parte de Uirá Machado, Coordenador de Artigos e Eventos Folha de S.Paulo
Att.,
Camile Tesche
Autonomia, Justiça, Ocupação e Certa Imprensa
Paulo Martins
Professor Doutor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP, Vice-coordenador da Pós-graduação em Letras Clássicas.
De acordo com dados oficiais e oficiosos, a Universidade de São Paulo responde por grande parte da pesquisa produzida no país (26.748 artigos publicados no Brasil e no exterior) e, seguramente, é ela também responsável por oferecer o melhor ensino de graduação ( 48.530 alunos) e de pós-graduação (25.007 alunos), alimentando, pois, o "famigerado mercado" com profissionais competentes. Além disso, poder-se-ia pensar em sua atuação junto à população como extensão de suas atividades que, muita vez, são essenciais principalmente aos cidadãos carentes de nosso "rico estado". Um bom exemplo: o atendimento feito no Hospital Universitário em 2006 a 255.597 pacientes em regime de urgência e 160.565 pacientes, no ambulatório[1] [1].
A quem, então, se deve a qualidade de ensino, pesquisa e extensão que leva, por exemplo, a Universidade de São Paulo a ser ranqueada pelo Institute of Higher Education da Universidade de Shangai (Academic Ranking of World Universities - 2006) como a melhor Universidade da América Latina ou a figurar entre as cento e cinqüenta melhores do mundo, ou ainda, de acordo com a Webometrics Ranking of World Universites como a primeira entre os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China)? A resposta é vasta, pois passa pela qualificação dos professores (dos 5.222, 96,3% têm titulação de doutor), pelas bibliotecas (39 com 6.907.777 volumes), pelos 47.866 alunos com acesso a microcomputadores. Mas pode ser resumida em uma só palavra "autonomia".
Essa, de acordo com o Dicionário Houaiss, entre outras possibilidades, é: "capacidade de se autogovernar; direito reconhecido a um país de se dirigir segundo suas próprias leis; soberania; faculdade que possui determinada instituição de traçar as normas de sua conduta, sem que sinta imposições restritivas de ordem estranha; direito de se administrar livremente; liberdade, independência moral ou intelectual. " Pois bem, a Constituição Brasileira, em seu artigo 207 (com acréscimos da Emenda Constitucional no. 11), estende o preceito às Instituições de Ensino Superior, propondo:
"As universidades gozam de autonomia didático-cientí fica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão."
Tal aplicação também ocorre na Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 254:
"A autonomia da universidade será exercida, respeitando, nos termos do seu estatuto, a necessária democratização do ensino e a responsabilidade pública da instituição, observados os seguintes princípios:
I - utilização dos recursos de forma a ampliar o atendimento à demanda social, tanto mediante cursos regulares, quanto atividades de extensão;
II - representação e participação de todos os segmentos da comunidade interna nos órgãos decisórios e na escolha de dirigentes, na forma de seus estatutos."
Foi, justamente, aplicando o conceito à administração didático-cientí fica e à gestão financeira, orçamentária e patrimonial que, a partir de 1988, a população brasileira observou um aumento significativo dos indicadores de produtividade das universidades ainda que restrições severas devam ser feitas à avaliação do desempenho universitário, tendo por base única e exclusiva os dados estatísticos, dada a diversidade e universalidade das atividades acadêmicas, que não podem e não devem ser avaliadas da mesma maneira sempre. Mesmo assim, vale ressaltar que a partir da promulgação da Constituição até 2006, por exemplo, a produção científica da UNICAMP aumentou 602% e o número de vagas de graduação e pós-graduação nas três Universidades sofreu um aumento inquestionável.
Por sua vez, 2007 assiste a uma agressão séria à justiça, princípio moral em nome do qual o direito deve ser respeitado, e ao Estado de Direito, dentro das Universidades Estaduais Paulistas, isto é, assiste a uma transgressão velada da Carta Magna do país e do estado. Sob o pretexto da transparência administrativa, o governo José Serra solapa, a uma só penada e ao arrepio da lei maior, uma conquista da comunidade acadêmica ao publicar "seus" decretos 51.535/07 (que dá nova redação ao artigo 42 do Decreto nº 51.461, de 1º de janeiro de 2007, que organiza a Secretaria de Ensino Superior.), 51.460/07 (que dispõe sobre as alterações de denominação e transferências que especifica, define a organização básica da Administração Direta e suas entidades vinculadas), 51.461/07 (que organiza a Secretaria de Ensino Superior), 51.636/07 (que firma normas para a execução orçamentária e financeira do exercício de 2007) e 51.660/07 (que institui a Comissão de Política Salarial).
Assim, esses decretos, sob o falso e mentiroso resguardo da autonomia, impedem a contratação de funcionários e professores; dispõem do patrimônio das Universidades; vinculam a dotação orçamentária a necessidades práticas e imediatas do mercado e não permitem a livre negociação salarial. Exemplo, propriamente dito, pode ser facilmente aferido num rápido exame de um dos artigos do decreto 51.471/07:
"Artigo 1º - Ficam vedadas a admissão ou contratação de pessoal no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta, incluindo as autarquias, inclusive as de regime especial, as fundações instituídas ou mantidas pelo Estado e associedades de economia mista.
(...)
§ 2º - O Governador do Estado poderá, excepcionalmente, autorizar a realização de concursos, bem como a admissão ou contratação de pessoal, mediante fundamentada justificação dos órgãos e das entidades referidas no "caput" deste artigo e aprovada:"
Vale dizer que as Universidades Estaduais Paulistas são Autarquias de Regime Especial e, portanto, como se pode observar, apenas o Senhor todo poderoso governador do Estado de São Paulo pode efetivamente contratar professores e funcionários para as Universidades. Bem, se essas não podem contratar quando bem lhe aprouver, então sua autonomia inexiste. Esta é apenas uma confirmação do quanto se mente quando se governa. Assim, o repúdio a tais decretos, acrescido de outras reivindicações não menos justas, associado a certa inabilidade política da dirigente máxima da USP, a reitora Professora Suely Vilela, provocaram a crise em que vive hoje a Universidade, que foi coroada com a ocupação das dependências da Reitoria da USP.
Ainda quanto aos decretos, eles soariam muito naturais, esperados e desejados se a sociedade, real proprietária e beneficiária das Universidades estaduais, de alguma forma, encontrasse nelas irregularidades que maculassem a probidade administrativa, ou ainda, não visse nelas um pólo de excelência que servisse de modelo para a educação fundamental e básica, esta sim mais do que vilipendiada pela administração direta de sucessivos governos estaduais, entre os quais aqueles a que se filiam os atuais mandatários do governo. Assim não satisfeitos de serem co-responsáveis com o fim da educação básica e fundamental de qualidade em nosso estado, lançam suas mãos nefastas e nefandas também sobre as Universidades.
Contudo, com desfaçatez e dissimulação, o governador José Serra e seu secretário José Aristodemo Pinotti, afora os asseclas e epígonos sem postos no governo (não sei como) de certa imprensa, mormente, "blogueiros" e articulistas de certa revista semanal, que, de passagem, prima por ser um veículo de pensamento único, disfarçada e dissimulada no pluralismo, no respeito às instituições e ao "Estado de Direito" teimam em transferir a responsabilidade da crise que hoje se vê na USP, UNESP e UNICAMP para aqueles que reagiram à agressão dos decretos e à falta de boa vontade dos dirigentes universitários. A mídia (de modo geral - há exceções) e Governo acusam os alunos de "invasores", desordeiros, baderneiros etc. Não escapam também às suas acusações professores e trabalhadores da Universidade de São Paulo. Seriam estes os manipuladores daqueles, massa acéfala, que, supostamente, incitada, tomou com violência as dependências da reitoria em nome de uma posição partidária ou, como preferem, "em nome de um programa comum da esquerda retrógrada", ou melhor, da "neo-esquerda" que abarcaria - vejam só - o PT, o PSTU, o PSOL e o PCdoB, como se esta unidade já não estivesse inviabilizada desde muito tempo. Afinal os bandidos "remelentos" e "mafaldinhas" ("que merecem ser entregues aos papais e mamães pela PM"), como um desses jornalistas se refere aos alunos da Universidade, estão tentando desestabilizar o governo por puro rancor eleitoral em nível estadual. Ridículo!
Se justiça há a partir da conformidade dos fatos com o direito, violência existe, sim, por parte de um terrorismo de Estado, travestido de respeito ao cidadão, encarnado atualmente pela política do ensino superior do Estado de São Paulo. Mais do que isso, o desejo do governo não é transparência, é, sim, ter poder decisório sobre os 9,57% da arrecadação de ICMS que em 2006 significou em valores absolutos 5,2 bilhões de reais.
O mínimo esperado do governo e da reitoria diante da crise universitária por eles criada é respeito real e concreto àqueles que trabalham e estudam nas Universidades Estaduais. Assim, ouvir a comunidade acadêmica, discutir realmente com ela, recebê-la de fato e, vez por outra, atendê-la em suas reivindicações, longe de demonstrar fraqueza - há que se pensar nisto, haja vista a possibilidade da retirada dos manifestantes pela força policial - são características dos verdadeiros homens de Estado e de efetivos administradores de universidades públicas. É uma pena, entretanto, que atualmente não encontremos nem estadistas no palácio dos Bandeirantes, tampouco bons administradores à frente da maior Universidade do país. Quanto a certos jornalistas, bem, diante deles me calo, afinal para que servem se apenas sabem servir ao poder constituído.. .
[1][1] Todos os dados numéricos foram extraídos do Anuário Estatístico USP - 2006.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
It's only rock 'n' roll but I like it
A greve desse ano tem gerado muita discussão, tanto pró quanto contra.
E quem é da FFLCH, de verdade, sabe da importância de se manifestar buscando seus direitos.
Os alunos decidiram aderir à greve - embora nem todos respeitem o posicionamento tomado em conjunto na assembléia dos centros acadêmicos (com direito, claro, à votação dos alunos). Diante disto, alguns professores sabem como proceder, outros não. Mas mesmo os que não sabem reconhecem a importância da decisão tomada nos órgãos que lhes (e nos) são representativos.
Como exemplo, eis a resposta de uma professora do Inglês a um e-mail de uma amiga sobre haver ou não aula.
Beth e demais alunos,
sim, estou sabendo da decisão dos estudantes de ontem à noite. Só não sabia dos piquetes. Isso provavelmente muda a situação anterior. Minha posição é a seguinte: a minha categoria, em assembléia da ADUSP na última terça, decidiu, por enquanto, apenas aprovar um indicativo de greve, mas sem data ainda definida. Vamos ter nova assembléia dia 23, para decidirmos se entramos em greve, o que eu, particularmente, acho e espero que aconteça. Assim, não estando em greve, tenho a obrigação e a responsabilidade de comparecer ao trabalho, por mais desconfortável que seja a situação de dar aulas, considerando-se que os estudantes e funcionários já estão em greve. Contudo, apóio a decisão dos estudantes, mesmo no que se refere aos piquetes. Pelo que vocês me relatam hoje, é de se prever que os piquetes continuarão amanhã e que, muito provavelmente, a atividade que conseguiremos realizar será de discussão da situação e de esclarecimentos, conforme o desejo dos estudantes em greve, relatado na mensagem da Juliana Chaves Souza, abaixo. Estarei lá, no prédio, amanhã, nos meus horários de aula, para o que for possível fazer - provavelmente as discussões desejadas pelos estudantes. Claro que, mesmo na improvável situação de levantamento dos piquetes e calmaria e conseqüente possibilidade de termos aula, não darei falta para ninguém, mesmo porque os estudantes decidiram entrar em greve e têm direito a não querer ter aulas. Mas, realisticamente, acho que vamos estar lá amanhã para discussões, apenas.
Até,
Marisa Grigoletto
Isso é ter postura.
Maiores informações: ADUSP.org.br
quarta-feira, 16 de maio de 2007
terça-feira, 8 de maio de 2007
Skol Beats '07
Eu já havia ido ao do ano passado, com o empurra-empurra do Prodigy, com direito a pessoas passando mal e dormir na grama gelada pra curtir um nascer do sol ao som de psytrance.
Neste ano, os caras inventaram dois dias de festa, com preço bem maior (R$140 cada dia, R$200 pelos dois dias), num lugar em frente ao Anhembi. Fui só no show de sábado, pois na sexta não tinha ninguém que eu quisesse ver.
Desta vez me preparei musicalmente, baixei sets, ouvi à exaustão. Escolhi a programação, tudo certinho. Chegando lá, o que me decepcionou logo de cara foi a única alternativa alcoólica ser a cerveja homônima à festa (argh!). Fora isso, a vitamina C ajudou a agüentar o pique (quem é que se droga com vitamina C??).
Depois daquela rodada básica inicial para reconhecer o terreno, sem dúvida o que me chamou mais a atenção não foi um DJ em especial, mas o sistema de som, especialmente do Palco Live. Cara, o que era aquilo?? Acabava deixando até o DJ mais patético com um som bem legal. Fazia valer o ingresso.
Como o MC não calava a boca um segundo durante o drum and bass do D-Bridge, resolvemos dar uma voltinha pelo evento, conhecer um pouco mais o que estava rolando. Praça de alimentação com pizza, temaki, sanduíche de mortadela, yakissoba, Black Dog (do mal)... Máquina de pegar bichinhos (do limão da Pepsi Twist), tenda Chill Out da H2OH! (super cousy), bar, banheiro, etc.
Atrações
Eu esperava abrir a nossa festa com o Propulse. E esperava um atraso já desde o começo. O atraso da festa não veio e não bateu com o meu: quando chegamos, o Propulse já havia saído. Ok. Um suspiro... Nem doeu tanto. O que eu queria mesmo ver era o Crystal Method, a Miss Kittin, o Murphy e o Marky.
Veio o Marky primeiro, meia-noite. Bem legal, dançável mesmo, um pouquinho cansativo (também, depois de duas horas...). Mas o som da sua tenda, sem dúvida, era o mais fraco, infelizmente. Foi um set "bom". Só "bom".
Roda aqui, roda ali, bebe um pouco e veio o Crystal Method.
Meu Deus! O que foi aquilo?? Tudo bem que eles não fizeram Live PA (como prometia a mídia), só trabalharam com discos mesmo, mas eles conseguiram misturar seu estilo Big Beat em músicas que eu jurava não rolar naquela noite, como "Killin' The Name" (do extinto Rage Against The Machine), que agitou um bocado, ou até em "Smack My Bitch Up", do Prodigy.
Faço minhas as palavras de Fábio Mergulhão:
"E eles vieram, breakbeat, um daqueles que toca em todo lugar hoje em dia. Mas foram pro techno, no hip hop, pros hits deles, um no final era vinheta da MTV (...). Acabou, espacial, break que não é "breakbeat" porque atrás tem uma moto ácida subindo e voltando em vai-e-vem e que faz ser Crystal Method - semelhanças óbvias com o óbvio Chemical Bros.
Será que eu gostei? O telão psy de ótima definição, as câmeras mostrando o trabalho dos DJs, o sistema de som cujos "graves ardiam na espinha e na nuca" (como li no rraurl.com) já faziam valer – ainda mais – o ingresso. Crystal Method não deixou pra mais ninguém.
Eu estava enlouquecido e quase sem forças, em plenas 4 e meia da madrugada. Chegou a hora da comida (yakissoba, delicioso), do banheiro, do descanso. Quase perdendo o pique, fomos à tenda The End para ver a "musa do electro", Miss Kittin.
A francesa chegou com um som baixo, pouco empolgante, às 6h. Com o dia nascendo e a pouca energia, as batidas eletrônicas foram deixando de ser empolgantes. O set da dita musa só confirmaram uma opinião que eu tinha a respeito do Laurent Garnier: francês não sabe fazer música eletrônica. Miss Kittin tinha um set chato, com muitas intervenções da sua voz aguda e chatinha, às vezes perdendo o tempo ao abaixar o volume e voltar para a música. Enfim, foi a decepção da noite. Fiquei realmente triste não só porque ela não tocou mais de uma música que eu conhecesse, mas porque o que ela tocou de fato não era bom. "Ela foi afetada pelo horário" se ouviam os comentários da galera, que tentava se sacudir meio sem ânimo. Aos poucos a tenda foi se esvaziando, e junto com os dissidentes, eu também saímos.
O descanso para esperar o Murphy debaixo de um solzinho irritante fez o sono e o cansaço serem superiores à vontade de ver um dos caras mais aguardados. Só a Vitamina C não foi suficiente para me manter desperto, especialmente depois de um dia de trabalho. Fomos embora (para tentar dormir um pouco no carro) antes do show do Murphy, uma pena.
Conclusão
Para o ano que vem:
- Beber antes de entrar, preferencialmente Tequila, coisas energéticas, e tal;
- Ouvir mais pelo estilo dos caras do que pelas músicas dos discos deles (já sabendo que quase ninguém toca músicas famosas de seus discos);
- E, definitivamente, não trabalhar no dia.
Balanço:
Vale a pena, mas tem que estar mais preparado para as mais de doze horas. E, sim, foi melhor do que ter se abarrotado em meio a multidões, correndo o risco de tomar borrachada da polícia ao assistir a um show que eu gosto da Virada Cultural.
É isso.
Por hora, "Voltando ao Rock Progressivo Mode: On".
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Letta fro "Under The Iron Show" 2 the man with "Crystal Ball"
Faaaala, mister!
Cara, te escrevo no meio da empolgação. Acabei de sair do show do Keane. Cara, cara... No words. Acho que só perdeu mesmo para o do Rush. A produção de palco, as luzes!!! Só três caras no palco e passam um puuuuta ânimo!!!
O tecladista tem, tipo, umas 5 bandejas de teclado. O vocalista toca (piano ou violão folk) em uma ou outra música. Mas eles são muito bons. Aparentemente, nada em playback. E os três cantam.
O cenário foi demais! Tinha um painel com (supostamente) uma pintura com vários ferros ("Under The Iron Sea"), além de objetos de palco que remetiam a coisas metálicas. Algumas luzes ficavam no topo de uns mastros altos. Outras ficavam em canhão no chão do palco. Agora, o mais louco foi uns painéis brancos, uns oito, espalhados, que mostravam projeções variadas, da própria banda tocando ao vivo, de imagens abstratas, de outras mais como se fosse num clipe.
Eles abriram com a "Under The Iron Sea", o que eu acertei, e emendaram com a animada "Put It Behind You". Antes de "A Bad Dream", eles falaram que a música havia sido feita com base num poema de um autor irlandês. Eles projetaram imagens de guerra enquanto legendas iam traduzindo o poema. Super tocante.
Tocaram uns 50min. Saíram e voltaram com "Crystal Ball", o hit do momento. Rolaram umas três músicas no bis, e fecharam com "Bedshaped" (que é umas das minhas favoritas). Além de agradecerem, algumas frases mais saíram em português. Fizeram a parte burocrática de agradar à platéia. Dedicaram ao Brasil a "We Might As Well Be Strangers", pertinente. Agora, pôr uma bandeira do Brasil sobre o piano e o baterista usar a camiseta do instituto do Senna, isso foi foda. =)
O palco tinha uma extensão que ia até o meio da pista, que não estava lotada, mas animada. Nesse meio da pista tinha 2 pianos colocados e parte da bateria. Eles tocaram duas músicas ali ("Try Again" e "Hamburg Song"), bem pertinho da galera. FO-DA.
Sem dúvida o show de luzes impressionou mais que todos os outros shows já o fizeram.
Anyway, já falei muito. Espero que você esteja junto da próxima vez que eles vierem ao Brasil, o que eles juraram fazer (e de fato deu pra ver que eles curtiram mesmo). Rolaram umas "sejogadas" do vocalista no meio da galera. Foi bem da hora, mano. Faltou você por lá.
Mas nos veremos em breve.
E continuo te devendo um e-mail decente sobre a "Sete Semanas".
Um grande abraço
do amigo
Rapha - ph
=)
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Roger Waters - The Dark Side of the Moon
Até nem falei do show.
"O" show.
Ela falou.
Falou o que eu diria, o que eu não consegui sentir, mas queria.
Não consegui sentir tanto, fiquei anestesiado, acho que foi isso.
Mas uma música. Uma única música quebrou meu êxtase: "Us and Them".
Chuifs...
Anyway...
Leiam: Roger Waters - The Dark side of the Moon - O Show
A melhor crítica objetivo-emotiva que eu jamais conseguiria redigir.
E tenho dito.
Porque agora tô em outro... ritmo.
segunda-feira, 26 de março de 2007
O paradoxo do moderno (uma dissertação pessoal)
Foi uma semana incomum. Analisando agora, depois de tudo, parece que os eventos todos gritavam algo de errado, que a vida não está certa. Não, talvez não a minha mas o nosso modo de viver, dito moderno. Assim, a minha trajetória com seus erros podem ser só um fragmento no todo, errado, que tem sido a sociedade moderna contemporânea.
No sábado passado, fomos em busca de uma peça de teatro de conteúdo sexual que fosse não exatamente excitante, mas incitante. Assistimos a A casa dos budas ditosos, com Fernanda Torres. Já havíamos ouvido falar bem da peça e que gostaríamos. Gostamos, de fato. Mas da forma como as situações e opiniões foram postas era mais cômico que excitante - ou incitante, a pseudo-real intenção da peça. Saímos contentes do teatro, mas não conseguimos o que queríamos. E esse foi só o começo.
Na quarta à noite, a segunda metade da aula da Licenciatura foi abandonada para assistir ao polêmico A filosofia na alcova, baseado na obra de Sade. Foi polêmico além do suportável. O explícito saía do recôndito da mente para ser encenado ali, ao vivo, aos olhos das mentes de todos. Foi, de certa forma cômico, e bastante inverossímil pelo exagero. Chocados - e chocado também por ter ficado assim -, saímos mais uma vez insatisfeitos, de certa forma até com alguma repulsa, com o querer não alcançado.
Nesse fragmento que é minha vida, dois episódios ainda contribuem para vermos o que pode estar errado: um sonho de banda de que não posso participar por causa da faculdade (que parece não ter fim); e um grosso estúpido que ficou putinho por ter sua consulta médica atrasada (mesmo tendo sido atendido antes de todos que já estavam esperando e antes do que deveria, exatamente, por ter sido sem educação). Já aí percebo o colapso dos valores da sociedade.
Vivemos a vida moderna que nos foi prometida como resultado de um progresso, mas que só nos faz eternamente insatisfeitos. A acomodação atrapalha a conquistar os feitos de que precisamos para nos tornarmos contentes com a nossa situação. Mas a busca, que se torna a eliminação da acomodação, muitas vezes não nos faz encontrar o que queremos, ou ainda pior, nos faz encontrar o que não queremos. Tudo isso faz parecer que a saída é a estagnação, já que o que se quer não se alcança. Se pararmos para perceber quanto já deixamos de fazer o que queríamos para terminar fazendo o que achávamos ter querido, veremos a extensa capacidade (advinda da insatisfação) para nos mobilizarmos em prol do que realmente nos foi prometido: o feliz progresso.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Veja bem, meu bem
(Letra: Marcelo Camelo / Música: Los Hermanos)
Veja bem, meu bem, sinto te informar
que arranjei alguém pra me confortar.
E este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você nestes braços tais.
Veja bem, amor. Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.
Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.
E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.
Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém chamado saudade.