quinta-feira, 27 de junho de 2002

A quem sempre me quis bem

Do teu suor sai o meu gozo,
Um casaco contra chuva,
Proteção na terra úmida
Que encharca minha auto-estima.

Me faz dependente,
desesperado,
despreparado.
Não é sempre que me podes.
Nessas vezes eu me perco
e me julgo,
sem vontade e sem gosto.

Rotulo-me com a falta de critério,
de mistério
e de desejo,
sentado à beira do meio,
fio de dois gumes.

Onde passo, deixo rastro,
mas sempre se perde no vento.
Eu me impeço, me silencio,
me violento.

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